quarta-feira, 10 de março de 2010

Wandula - Wandula

Se tem coisas boas na vida parte delas, com plena certeza, são as amizades que a gente cria ao longo do trajeto. Os amigos e suas valiosas amizades estão/estarão sempre lá!

Mais legal ainda é quando esses seus amigos são ultra fodões em alguma coisa, porque aí além do apreço da amizade você também é fã e ostenta a amizade com o maior orgulho. Fato que no meu caso é diretamente relacionado a essa turminha aí.

Em outubro ou novembro de 1998, não lembro ao certo, tive a sorte de conhecer o trabalho do pianista e compositor Marcelo Torrone. A pessoa eu já conhecia, mas apenas de cumprimentar ou de papos super rápidos, lembro que na época ele ia viajar e estava se desfazendo de alguns livros, comprei dele o "Mulheres" do Bukowski. Voltando ao som, lembro muito bem do momento em que ouvi "Som Tardio", foi nos estúdios da Rádio Educativa do Paraná e quem me apresentou o disco (um EP que tinha acabado de sair) foi Thaís Aguiar.

Aquele som realmente me pegou e meu contentamento foi maior ainda quando me dei conta de que quem tinha gerado tal composição era aquele figurinha cheio de sardas no rosto de quem eu havia comprado o livro. A partir daí acabei me aproximando mais e no ano seguinte, especificamente em Agosto de 1999, aconteceu o show de estréia de seu grupo o Wandula ("Música Desconhecida, Para Pensamentos Nem Tanto"). O show ocorreu no, temporariamente extinto, auditório Antonio Carlos Kraide, espaço da Fundação Cultural de Curitiba localizado próximo ao terminal do Portão.

Fui nos dois dias! rs

O álbum de estréia, foco dessa postagem, demorou um pouquinho a sair, foi lançado somente em 2002 e com várias participações bem legais. Hoje o grupo é bem maior, mas esse álbum foi gravado tendo como base apenas o trio formado por Marcelo Torrone, Edith Camargo e Cláudio Pimentel, 14 faixas que demonstram, boa parte das influências contidas no grupo, influências extremamente refinadas e ecléticas.

Informações mais aprofundadas a respeito do grupo, da nova formação, contato para shows, agenda e afins vocês encontrarão nos links deixados abaixo, os links de videos são referentes ao disco mais recente (La Recreation) e não ao da postagem.

Agora é colocar pra rodar e se deleitar ao som de Wandula.



Para Baixar e Sair Sacundindo: Wandula - 2002 - Wandula
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Para Saber Mais: Homepage Wandula - MySpace - Entrevista 1 - 2


Para Assistir e Sacundir: Ciclojam - Waiting And Falling + Entrevista - Hors


Postado Por Marcel Cruz

quarta-feira, 3 de março de 2010

Wim Mertens - Skopos

A primeira vez que a música do Belga Wim Mertens me chamou a atenção foi com a trilha sonora do filme brasileiro "Nós que aqui estamos por vós esperamos", do premiado diretor Marcelo Marzagão. Lembro que fui atrás e não encontrei a trilha especificamente mas achei outras coisas dele que não me chamaram a atenção, aliás, contribuiram para desencanar e não mais voltar a procurar por seus trabalhos.

A segunda vez que passei por ele foi logo no comecinho do blog (2007) pois suspeitei que um determinado disco do qual eu possuia apenas o áudio fosse dele, nova decepção com o que ouvi. Resumindo, desisti do figurinha. Semana passada, para minha surpresa, estava na casa de um amigo que trabalha com importações de discos e ele perguntou se eu conhecia Wim Mertens... rsrs.

Descrevi o que já foi dito e ele me alertou que no que diz respeito a discografia, Wim Mertens era mais ou menos como Frank Zappa. Hum?!? Como assim? Ambos precisam de guia para ser ouvido. Explicando melhor: Os caras produziram muitos álbuns dos quais nem todos são realmente bons, agora, se você garimpar vai se deparar com coisas geniais e que sem um pingo de dó vão te espancar te deixando fora de órbita.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo ao ouvir "Skopos". Grudou de cara, já nos primeiros minutos eu estava boquiaberto e chapando horrores, rsrsrs. E com o importante detalhe de que não havia absolutamente nada de THC presente no recinto, rs.

A sonoridade do álbum, as combinações de timbres, formações pouco convencionais e composições pra lá de instigantes são alguns dos elementos que contribuem para "Skopos" ser um disco ímpar. Minhas preferidas são: "From Out Of Wich", "Swirling Backwards" e "And Growth Can Be Heard".

Uma coisa que ri pacas ao constatar foi que a melodia de "No Woman No Cry", de Bob Marley, encaixa certinho na faixa "What That One Does", dava até pra fazer um remix, rs.

Só para constar: A discografia de Wim Mertens tem cerca de 58 álbuns! O primeiro foi lançado em 1980, ou seja, praticamente 2 por ano... É coisa hein!



Para Baixar e Sair Sacundindo: Wim Mertens - 2003 - Skopos - Multiupload


Para Saber Mais: Wim Mertens Homepage


Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Max Richter - The Blue Notebook

Dois anos depois de sua estréia Max Richter aparece com outra obra genial: "The Blue Notebook".

O álbum possui uma atmosfera bem peculiar e que muitas vezes beira o depressivo, mas a meu ver não chega a atingi-lo, talvez se eu compreendesse bem o idioma inglês até pudesse achar, pois segundo o que consta na ficha técnica do álbum, os textos, interpretados pela atriz britânica Tilda Swinton, presentes em algumas faixas são traduções de Franz Kafka e de um escritor polonês chamado Czseslaw Milosz. O adjetivo "melancólico" talvez se encaixe bem para uma possível descrição do material, mas ainda assim é vago, pois se é que pode se chamar "melancólico", é de uma melancolia ultra elegante e refinada.

No que diz respeito ao instrumental acho o álbum tão impactante quanto o primeiro, mesmo Max não fazendo uso de orquestra. O que fica evidente é que em "The Blue Notebook", ele optou por dar um caráter mais intimista. Coisa que consegue fazer com muita propriedade.

Onze faixas no total e uma melhor que a outra, em "Shadow Journal" (faixa 4), por exemplo, por pouco que não sai um maracatú, a célula rítmica que Max utiliza nos graves em determinadas partes da composição me lembram bastante o ritmo pernambucano. E isso é só um dos detalhes, tem muito mais!

Espero que gostem tanto quanto eu. Por hora é isso. Fui!...




Para Baixar e Sair Sacundindo: Max Richter - 2004 - The Blue Notebook - Multiupload


Para Assistir e Sacundir: Shadow Journal


Postado Por Marcel Cruz

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Max Richter - Memoryhouse

Sublime, introspectiva e arrebatadora, esses são os adjetivos que passam pela minha cabeça ao ouvir a música do britânico Max Richter.

Max Richter teve sua estréia como solista no mundo fonográfico em 2002 com "Memoryhouse", álbum que traz consigo um emaranhado de referências que passeiam tanto pela música erudita contemporânea como pelos beats da música eletrônica, mas sem ser dançante, ou melhor, é dançante sim, mas o que dança aqui é alma de quem a ouve.

Richter tem a genialidade de criar melodias e harmonias inebriantes que te transportam para outros mundos, é tanto esmero contido nas composições que muitas vezes parecem surreais. Tudo aqui tem extremo bom gosto e medida exata, uma verdadeira alquimia de sons.

Os diálogos entre cordas e piano como em "Embers", ou entre cordas e metais/madeiras como em "Last Days", nos mostram o poder composicional e de orquestração que Max possui. Além disso, Max transita livremente pelo mundo das programações eletrônicas incorporando esse elemento de forma magistral em sua música. As participações contidas não poderiam ficar por baixo, são de primeira grandeza pois além da Orquestra Filarmonica da BBC, que permeia praticamente todo o álbum, temos ainda o violinista Alex Balanescu e a soprano Sarah Leonard, que impressiona na tocante "Sarajevo".

Não cabe aqui julgar esta é melhor que aquela, pois é justamente essa a genialidade de Max, conseguir criar uma unidade consistente que envolve todas as faixas.

É isso aí!!! Vamo que vamo...



Para Baixar e Sair Sacundindo: Max Richter - 2002 - Memoryhouse - Multiupload






Para Assistir e Sacundir: Last Days - Fragment - Embers - Performance 1 - Performance 2 - Entrevista...


Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Cybophonia - Cybophonia

Mais um nome escondido atrás de um excelente projeto! A bola da vez é o italiano Eros Minichiello responsável pelo efêmero, porém marcante, "Cybophonia". O álbum homônimo foi lançado em 2000 pelo selo Irma Records.

Esse ano o álbum completa 10 anos de existência e pouco se sabe a seu respeito, pelas minhas pesquisas só consegui informações bastante rasas. Então como uma espécie de comemoração a tão importante data vamos recuperar esse tesouro esquecido da música eletrônica.

O álbum é composto por 14 faixas, das quais três são interlúdios, espécie de vinhetas de passagem entre uma faixa e outra, fato que não significa desmerecimento, pois estão totalmente dentro do contexto do álbum. O volume inicia com a etérea "E.V.A. 77bpm", para cair magistralmente na "G-Five", espécie de homenagem ao clássico "Take Five" de Paul Desmond, nela, além da citação no nome, Eros usa a mesma linha de bateria que Joe Morrello imortalizou no álbum 'Time Out' de Dave Brubeck, já postado aqui.

O que temos em seguida é "Vostok Jazz", um dos principais hits, se não for 'Ô' hit, de Eros e, cronológicamente falando, sua primeira composição lançada (1999). Composição muito bem elaborada, timbres, linhas melódicas, percussões e parte rítmica de extrema finesse.

A quinta faixa do álbum é "Cut & Paste", uma de minhas preferidas. Engraçado porque ela tem como motivo principal um fraseado que tinha tudo pra dar errado e rolou o oposto, talvez seja justamente isso que me atraia nela. "Lazy Sunday Afternoon", acho meio breguinha mas a partir dos 2 minutos e 24 segundos ela fica boa e nos últimos 15 segundos excelente. Mais um interlúdio etéreo e temos a intrigante "Je Parl Pà Fransé", seguida de outro hit 'Cybophoniano': "Azona Pop", linha de bateria bem consistente que dialoga com tablas indianas, ótima a concepção!

"Air Dope" traz consigo uma enorme bagagem funk, guitarra com wha-wha na maior elegância, sintetizadores, meia lua e batera muito bem marcada! Em alguns efêmeros momentos daria pra dizer que Eros usou como base um dos dois volumes do Tim Maia Racional. Estamos chegando ao fim do álbum e Eros novamente tirando o fôlego com suas linhas e timbres. Um remix de "Vostok Jazz" seguida de "21:18", as influências desse cara são descaradamente Jazz!rsrs Muito foooooda! Muito bom!!!

A faixa que conclui o disco é "Tribute". Bom, tributo a muitas coisas, a que na minha opinião é a mais evidente é Miles Davis, mas, como o balaio é grande, achem vocês as outras, rsrsrs.

Chega de texto né? rsrs.

Ah! Com relação a outras produções de Eros encontrei apenas mais um EP com composições inéditas (SLIDE, deixei um link com o player onde é possível escutá-las), não estou levando em conta aqui os Remixes.

É isso aí! Boa viagem!!!



Para Baixar e Sair Sacundindo: Cybophonia - 2000 - Cybophonia - Multiupload


Para Saber Mais: Player - MySpace Cybophonia - HomePage - Discografia


Para Assistir e Sacundir: Vostok Jazz


Postado Por Marcel Cruz

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Bonobo - Days To Come

Faz quase 2 anos que estou pra postar esse álbum, ainda não tinha achado uma brecha, fiquei um tempão envolvido com minha febre tropicalista e outros baratos desse nosso Brasil que acabei protelando. Bom... O momento é esse!

Já que adentramos novamente o universo dos Dj's geniais, aqui temos mais um caso de rara beleza e bom gosto sonoro.

'Bonobo', projeto encabeçado pelo músico, produtor e Dj Britânico Simon Green, foi uma das gratas surpresas que tive em 2008, conheci através de uma feliz indicação de um leitor que infelizmente não recordo o nome para poder dar o merecido crédito. Foi daquele jeito, procurei o álbum e botei pra rodar, uma enchurrada de sons agradáveis e concepções bem trabalhadas invadiram meus ouvidos, bastou a primeira faixa para rolar aquela chapação.

"Days To Come" é o terceiro álbum de Simon e foi lançado pelo selo Ninja Tune em outubro de 2006. São 10 faixas e uma vinheta de introdução, todas de muito bom gosto. A faixa título é uma das melhores do álbum e tem a participação da cantora hindú Bajka que além dessa faixa participa de mais 3 no volume. Outra participação que temos é a de Fink na faixa "If You Stayed Over".

A boa notícia:

No próximo mês (Março/2010) está previsto o lançamento de "Black Sands", quarto álbum de Bonobo. Enquanto a gente espera vamos nos deleitar ouvindo 'Days To Come'.

Acrescentei duas faixas bônus ao arquivo, elas fazem parte de um EP lançado em outubro de 2009 e tem participação vocal de Andreya Triana. A faixa se chama "The Keeper" e está em duas versões, uma com vocal e outra só instrumental. Excelentes!!!

É isso aí, vamo que vamo que o som não pode parar!!!!!!!




Para Baixar e Sair Sacundindo: Bonobo - 2006 - Days To Come - Multiupload


Para Saber Mais: Homepage - MySpace Bonobo - Entrevista em Inglês


Para Assistir e Sacundir: - Days To Come - The Keeper


Postado Por Marcel Cruz

sábado, 30 de janeiro de 2010

Vários Artistas - Je Deteste Serge Gainsbourg...

Quem já conhece a obra do francês Serge Gainsbourg vai se deliciar ao identificar as bases das faixas que esse disco contém. O projeto "Je Deteste Serge Gainsbourg" vem na carona do lançamento do filme sobre a vida do compositor e reuniu 8 Dj's.

Comar, BC DJ, DJ Y alias JY, Gaston, Grandpamini, Mighty Mike, PhatBastard e Yould tiveram como 'missão' criar composições em que as bases instrumentais ou partes vocais seriam de músicas de Serge Gainsbourg. O resultado não poderia ser melhor, sairam coisas incríveis, sacadas geniais como em "Comic Beat", onde ComaR sobrepõe Gainsbourg e Michael Jackson. A mistura casou tão bem que se não conhecêssemos ambas as músicas diríamos que era uma só.

Outros casos com resultado infalível foram os usos de "Bonnie and Clyde", "Initial's B.B" , "Je T'aime Moi Non Plus" e "69 Année Erotique", que se tornaram bases perfeitas para as rimas. Ficaram excelentes!

A respeito do filme já estou ansioso na espera, pelo pouco que pude ver ficou ducaraaaaaaleo!!!!!

É isso aí, mudamos um pouco de ares: Vive La France!!!! rsrs



Para Baixar e Sair Sacundindo: Vários Artistas - 2010 - Je Deteste Serge Gainsbourg


Para Saber Mais: Site Oficial do Filme - Sobre o Filme - Bootlegs - ComaR -
BC DJ - DJ Y alias JY - Gaston - Grandpamini - Mighty Mike - PhatBastard e Yould


Para Assistir e Sacundir:
Trailler Gainsbourg - Vários Videos com Serge Gainsbourg


Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Aderi ao modismo!!! Dê-lhe Twitter

Embora ainda não tenha entendido muito bem como isso funciona de fato, acabei aderindo ao passarinho azul, rsrs. É isso aí! Quem quiser agora seguir o SacundinBenblog no Twitter é só começar, o link segue abaixo:

SacunTwitterBenblog

Abração e vamo que vamo que o som não pode parar!!!
Marcel Cruz

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tom Jobim - Matita Perê

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Foi a poucos anos que estava lendo uma entrevista do pianista Benjamim Taubkin e ele citou esse disco do Tom Jobim, especificamente a faixa "Crônica Da Casa Assassinada". Eu, que até então só conhecia "Águas De Março" e "Ana Luiza" (faixas integrantes do álbum), fiquei pra lá de curioso para conhecer o volume completo, consegui encontrá-lo e coloquei para rodar...

Só Deus sabe o que senti, que pancadaria! Overdoses de bom gosto a cada faixa, foi vício e paixão instantânea. Me perguntei o porque de não ter tido essa curiosidade antes, mas "tudo tem seu tempo", e "antes tarde do que nunca", é o que os provérbios populares nos ensinam.

O álbum chegou em minhas mãos na hora exata, talvez se estivesse ouvido antes não me pegaria tão forte quanto pegou. São 8 faixas no total, duas delas foram trilha sonora de filmes. "Tempo de Mar" fez parte do documentário homônimo do diretor Pedro de Moraes (tenho pouquíssima informação a respeito deste documentário) e "Crônica Da Casa Assassinada", trilha do filme "A Casa Assassinada", do diretor Paulo César Saraceni. Essa faixa dura cerca de 10 minutos e é um conjunto de 4 canções ('Último Trem Para Codisburgo', 'Chora Coração' - esta com letra de Vinícius de Moraes, 'O Jardim Abandonado' e 'Milagre e Palhaços'), com essa trilha Tom conquistou o prêmio Coruja de Ouro em 1972.

Nos restam ainda 6 faixas, então vamos do início. O álbum abre com "Águas De Março", música que já tinha sido lançada por Tom no primeiro volume do "Disco De Bolso", encarte do jornal semanário 'O Pasquim' em maio de 1972, aliás, a versão original me apetece demais. "Águas de Março" é originalmente um Samba-Rock! Nem Tom Jobim ficou imune ao sacundin e sua breve incursão pelo gênero foi relâmpago, porém, como não poderia deixar de ser, genial!

O álbum segue com "Ana Luiza", uma bela de uma declaração de amor (de desejo ardente) onde o protagonista (Tom no caso) questiona a rejeição a seu amor tão "puro". Grosseiramente falando, pelo que entendi, é a história do lobo mau e chapeuzinho, que insiste em não ser a comidinha dele, rsrsrs, é obrigatório tirar o chapéu para Tom, pois ele faz isso com uma elegância descomunal.

A faixa seguinte é a que deu nome ao álbum: "Matita Perê", parceria com o letrista Paulo César Pinheiro onde ambos mergulham nas lendas do folclore brasileiro, eles resgatam a lenda de "MatintaPereira", ou como foi nomeada a canção "Matita Perê", 7 minutos de puro deleite. A respeito da lenda consegui as seguintes informações:

Em "Vocabulário da Língua Geral" (pág.518), Stradelli diz:

MATINTAPEREIRA - Nome de uma pequena coruja, que se considera agourenta. Quando, a horas mortas da noite, ouvem cantar a mati-taperê, quem a ouve e está dentro de casa, diz logo: Matinta, amanhã podes vir buscar tabaco. "Desgraçado - deixou escrito Max J. Roberto, profundo conhecedor das coisas indígenas - quem na manhã seguinte chega primeiro àquela casa, porque será ele considerado como o mati. A razão é que, segundo a crença indígena, os feiticeiros e pajés se tranformam neste pássaro para se transportarem de um lugar para outro e exercer suas vinganças. Outros acreditam que o mati é uma maaiua, e então o que vai à noite gritando agoureiramente é um velho ou uma velha de uma só perna, que anda aos pulos"

Já em "Geografia dos Mitos Brasileiros", de Câmara Cascudo temos o seguinte verbete:

MATINTAPEREIRA (Mati, mati-taperê;) - A matintapereira é uma modalidade do mito do saci-pererê, na sua forma ornitomórfica. A matintapereira não é, realmente, uma coruja, como pensava Stradelli, mas um cuculida, Tapera naevia, Lin., também conhecido como Sem-Fim e Saci.

"Matita Perê" acaba sendo o início da fase 'folclórico-brasileira' de Tom Jobim. No álbum seguinte ele continua a falar de elementos similares. Fechando o Lado A do álbum temos a já citada "Tempo Do Mar". A única composição presente no disco que não leva a assinatura de Tom é "Mantiqueira Range", tema de Paulo Jobim que abre o Lado B. Em seguida temos "Crônica da Casa Assassinada" e outros dois temas que concluem o álbum: "Rancho Das Nuvens", que me arremete a trilha do filme Central Do Brasil, uma mostra bem clara da fonte onde Antônio Pinto bebeu, e "Nuvens Douradas".

Como bônus acrescentei a versão original de "Águas De Março", que cito ali em cima. A ficha técnica do álbum vou deixar nos link abaixo pois já me alonguei demais no texto, rsrsrs.

É isso aí!!! E também...

"...É pau é pedra é o fim do caminho / É um resto de toco é um pouco sozinho..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Tom Jobim - 1973 - Matita Perê



Para Saber Mais: Ficha Técnica Matita Perê - Curiosidades Sobre Os Arranjos - Bio Tom Jobim



Para Assistir e Sacundir: Matita Perê (Com Milton Nascimento) - Águas De Março (Elis & Tom)



Postado Por Marcel Cruz

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Marcos Valle (Trio Soneca) - Vila Sésamo


Outra tacada de mestre de Marcos Valle foi a trilha sonora do programa infantil Vila Sésamo. Essa é mais uma prova da genialidade do artista, fazer música para criança não é tão fácil quanto parece. Marcos foi perfeito nessa empreitada, executou-a com um enorme carinho e muito esmero.
São 14 canções contidas no volume, todas assinadas pelos irmãos Valle, com exceção de duas: "Alegria Da Vida" tema de abertura do programa, que além dos dois também tem como autor Nelson Motta e "Vila Sésamo", que é de autoria de Guga e Getúlio De Oliveira.
Para esse trabalho Marcos criou o Trio Soneca que era formado por Marcos, João Mello e Suzana Machado. O time de músicos que acompanharam é de primeira grandeza, a começar pelo arranjador de orquestra que foi Waltel Branco, os demais são: Marcos Valle ,que além dos vocais também toca piano acústico e piano elétrico Fender Rhodes, Alex Malheiros no contrabaixo elétrico Rickenbacker 4001, Novelli também no contrabaixo elétrico, Ivan Conti (Mamão) e Nelsinho (os dois) na bateria.
Essa trilha embalou a infância de muita gente, principalmente aquela galerinha que em 1972 ainda eram crianças e que hoje devem estar com seus 45/50 anos. Todas as faixas são excelentes, eu ia destacar algumas mas é muita injustiça, passando rapidinho por elas não consegui escolher só algumas, tem duas que eu gosto menos, mas não vem ao caso mencioná-las.
Logo abaixo estou deixando os links de uns vídeos da Vila Sésamo que encontrei, dois deles tem participação do Marcos Valle tocando os temas da trilha sonora.
Para quem não conhece, chegou a hora de conhecer e, para quem já conhece, será o momento de matar a saudade. Eu quem nem peguei o Sítio Do Pica Pau Amarelo, pois sou de 1981, chapei demais no que pude assistir, as personagens são geniais, os roteiros inteligentíssimos e com um humor tão gostoso que me fez um bem enorme assistir, me vi um mulequinho outra vez, muito bom! rsrs
É isso aí!...
"...Todo dia é dia toda hora é hora de saber que esse mundo é seu..."


Para Baixar e Sair Sacundindo: Marcos Valle (Trio Soneca) - 1974 - Vila Sésamo


Para Saber Mais: Vila Sésamo - Nossa Vila Sésamo


Para Assistir e Sacundir: Abertura - Tema Do Garibaldo - Tema Do Funga Funga - Enio e Beto 1 - Enio e Beto 2 - Enio e Come-Come - Quanto Custa um Abraço? - Felisberto: Casais na berlinda!


Postado Por Marcel Cruz