Espero voltar logo. Para que vocês saibam quando voltei sugiro que optem por seguir o blog ali embaixo que ele avisa, é so se adicionar.
Abração e vamo que vamo que a vida não pode parar!!!
Marcel Cruz
Outro figurinha de extrema importância no âmbito tropicalista foi Jards Anet Da Silva, Jards Macalé ou apenas Macal, nome que Caetano invoca para solar em "Nine Out Of Ten" no LP Transa.
Até o episódio de "Gothan City" Macalé estava participando do movimento mais nos bastidores. A carreira fonográfica de Macal se dá apenas em 1970 com o lançamento de um compacto duplo que continha quatro faixas, esse compacto é bastante difícil de se conseguir em perfeito estado, na cópia que tenho tentei dar uma melhorada no som mas sinceramente ainda não fiquei satisfeito com o resultado, mas mesmo assim acrescentei essas faixas como material bônus do arquivo aqui presente.
Jards também tem um histórico de trilha sonora no cinema nacional, é dele as trilhas de "Macunaíma", do diretor Joaquim Pedro De Andrade, e de "Amuleto de Ogum", de Nelson Pereira Dos Santos. Neste, Jards também atua interpretando um músico cego que é o narrador da história.
Bom, a estréia de Jards em Long-Play solo se dá em 1972 e da melhor forma possível, Jards conta com ninguém menos que Tuti Moreno na Bateria e o genial Lanny Gordin, que junto com Macalé assume o Violão além de também ser o responsável pelo Baixo.
No repertório, composições escolhidas com bastante esmero. Não, infelizmente não temos nele a gravação de "Gothan City", aliás, pelo que se sabe essa composição nunca foi gravada por Jards, gostaria de saber o motivo. Mas enfim, o LP é composto por 9 faixas, no CD temos 11 pelo fato de que 2 vinhetas contidas entre as faixas estão separadas, ou seja, o resultado final acaba dando 11 faixas.
O álbum abre com a excelente "Farinha Do Desprezo" feita em parceria com Capinam, em seguida Jards canta quase que sem querer, como se fosse um lamento, o refrão de sua genial "Vapor Barato" feita em parceria com Waly Salomão e imortalizada por Gal Costa. A próxima é "Revendo Amigos", uma das que mais gosto, também feita em parceria com Waly. Recentemente essa música ganhou uma versão que ficou fantástica.
Mais duas e fechamos o Lado A, outra jóia ímpar também feita em parceria com Waly e imortalizada por Gal aparece agora na voz do compositor: "Mal Secreto", fenomenal!!! Acho essa composição ducaraaaaleo! Jards escolhe pra fechar a elegantíssima "78 Rotações"... grave um disco devagar... devagar quase parando um long play... Com as mãos frias mas com um coração queimando... . Parceria com Capinam. Excelente!
O Lado B abre com a melancólica "Movimento Dos Barcos", seguida pela não menos melancólica e excelente "Meu Amor Me Agarra e Geme e Treme e Chora e Mata", ambas feita em parceria com Capinam. O que entra em cena agora é o resultado da doida parceria entre Macalé e Torquato Neto: "Let's Play That", desafinando o coro dos contentes! rsrs.
Além de suas composições Macal escolheu duas composições 'alheias', uma do então novato Luiz Melodia, que entraria pro cenário fonográfico nacional no mesmo ano, "Farrapo Humano", e outra de Gilberto Gil chamada "A Morte". Fechando o álbum, temos outro hit em forma de vinheta, "Hotel Das Estrelas" parceria com Duda, gravada anteriormente por Gal em seu álbum 'LE-GAL'.
Como citei no começo do texto, acrescentei mais 4 faixas ao arquivo. Essas faixas são parte integrante do primeiro compacto lançado por Jards Macalé que tem como banda de apoio o grupo SOMA que entre outros tinha como integrantes Zé Rodrix e Naná Vasconcelos. As quatro composições são: "Soluços" de Jards, "O Crime" parceria com Capinam, "Só Morto(Burning Night)" - a mais fooooda! - e "Sem Essa"(regravada em 1977 no LP Contrastes), ambas em parceria com Duda.
Apesar de todo seu histórico e composições Macalé nunca se considerou tropicalista.
É isso aí, ele não, mas a gente considera! rsrsrs.
PS* Macalé é sim considerado, junto com Mautner, Itamar Assumpção e Luís Melodia, entre outros, como um dos "Malditos Da MPB". Já que é assim chegou a hora e a vez dos Malditos no Sacundin!!! O próximo será Jorge Mautner, esse sim maldito e tropicalista! rsrsrs.
"...E tudo o mais jogo num verso, intitulado mal secreto..."
Não, eu não abandonei o Sacundin! rsrs. Estou aqui novamente, é que a correria tá grande.
Bom, dando continuidade a nossa saga pós-tropicalista seguimos com outra série de porradas 'GilbertoGiltianas'.
"Expresso 2222", primeiro lançamento pós-exílio de Gilberto Gil, mostra ele em altíssima forma, o gênio retornou pra terra natal mais genial do que nunca. O álbum deixa bem claro a visceralidade contida num Gil que matava a saudade de seu berço, mas que também soube fazer uso de forma magistral do exílio trazendo uma bagagem que serviria como 'divisora de águas' dentro de sua carreira. Todas as transformações passadas pelo baiano resultaram num material denso e consistente, com uma pegada rock'n'roll, porém, incrustrado de brasilidade de "cabo a rabo". Um trabalho que revela pro mundo um Gil agora dono de uma maturidade musical que aumentava a cada dia.
Gil escolheu como tema de abertura do álbum a música "Pipoca Moderna", de Sebastião Biano, música que em 1975 ganharia letra de Caetano Veloso, essa gravação acabou sendo a estréia em disco de um dos grupos mais tradicionais do nordeste, a Banda De Pífanos De Caruaru. Sobre a gênese dessa escolha encontrei o seguinte texto escrito por Caetano Veloso:
"...Em 67 Gil passou um tempo no Recife. De lá ele trouxe o pique para o tropicalismo. E, principalmente, uma fita cassete com o som da banda de pífanos de Caruaru. Desde então, a pipoca moderna ficou em nossa cabeça, alguma coisa transando entre os neurônios, uma joiazinha de iluminação. De lá até aqui não perdi a esperança. sou feliz na pipoca desse canto e isso é muito firme. Estou inteiro quando há esse canto de pipoca moderna..."
No livro 'Verdade Tropical' ainda há comentários que dizem que o encontro com a banda de pífanos fez Gilberto Gil compreender a música popular como um meio de cultura de massa e o nacionalismo das canções de protesto como algo sem sentido e ultrapassado. A viagem a Pernambuco teria fornecido ao compositor baiano os dois limites entre os quais, do seu ponto de vista, deveria se referenciar a Música Popular Brasileira: a Banda de Pífanos de Caruaru e os Beatles. Nas páginas 130 a 134 do livro está tudo mais detalhado aqui é só um resuminho.
É a partir da segunda faixa que o Gilberto Gil começa aparecer de fato, mas primeiro vamos falar do time envolvido na empreitada. Gil, sempre em boa companhia, conta com um quarteto formado por Lanny Gordin (Baixo e Guitarra), Bruce Henry (Baixo), Antonio Perna (Piano e Selesta) e Tutty Moreno (Bateria e Percussão). Como se não bastasse ainda temos a participação de Gal Costa em uma das faixas.
A segunda faixa do álbum, "Back In Bahia", é uma espécie de balanço e desabafo das sensações e reflexões que o exílio proporcionou, Gil encerra a letra de uma forma incrível, veja:
"...Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar / Por algum tempo / Que afinal passou depressa, / como tudo tem de passar / Hoje eu me sinto / Como se ter ido fosse necessário para voltar / Tanto mais vivo / De vida mais vivida, dividida / Pra lá e pra cá. "
Genial!
Em seguida temos a versão mais 'roquenrou' já feita de "Canto Da Ema", música de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale, que fez enorme sucesso na voz de Jackson do Pandeiro. Gil transmuta o baião que entra em nossos ouvidos nos deixando atordoados! A concepção do arranjo, os improvisos e a versatilidade de Gil deixam qualquer um impressionado.
Seguindo, Gil faz releitura de outro clássico que fez e faz sucesso até hoje, "Chiclete Com Banana", composição de Gordurinha e Almira Castilho, que também foi gravada originalmente por Jackson Do Pandeiro. Fechando o Lado A temos "Ele e Eu", uma das composições mais estranhas que já ouvi, realmente não sei dizer se gosto ou desgosto.
O Lado B abre com a excelente "Sai Do Sereno", composição de Onildo Almeida que conta com a participação de Gal Costa nos vocais. Eu sempre me deparo com textos creditando a mistura de 'roquenrou' com ritmos nordestinos, o "Forróck", a AlceuValença, eu discordo em número e grau, pra mim quem começa essa história é Gil e a gênese está aqui. Não me recordo de ter ouvido nada semelhante antes, talvez Antônio Carlos & Jocafi, mas ainda assim não vejo como intenção consciente.
Na seqüência entra em cena a faixa título "Expresso 2222". Gil optou por usar apenas violão e percussão para o acompanhar, nela e nas seguintes ele coloca a mostra todo o suingue contido em seu violão, simplesmente genial, ou melhor, 'gilnial', rsrsrs. Mais duas e concluimos o volume, são elas "O sonho acabou" e a enigmática "Oriente", gravada por Elis Regina em 1973.
Como bônus acrescentei "Cada Macaco No Seu Galho", composição de outro baianinho arretado chamado Riachão, essa conta com a participação de Caetano Veloso e foi gravada ao término das sessões do Lp e incluída como lado B do compacto "Chiclete Com Banana".
Além disso também incluí no arquivo dois vídeos de Gil. Logo que chegaram do exílio, Gil e Caetano fizeram um show juntos, é desse show as duas músicas: "Expresso 2222", onde como no álbum temos apenas Gil com seu violão e "Back in Bahia", com banda completinha. O momento mais engraçado dessa última é no finalzinho quando Caetano entra em cena e pira total! Um sarro. Deixei os links desses vídeos ali em baixo também. Espero que gostem...
"...O sonho acabou, quem não dormiu no sleeping-bag nem se quer sonhou..."
Para todos aqueles que ficaram beeeeem afim de ir na primeira edição e não conseguiram, resolvemos fazer uma segunda do "Jorge23". Dia 23 de Abril é de fato dia de São Jorge, dia do nascimento de outro mestre da música brasileira: o imortal Pixinguinha! Esse fato foi o principal motivo para que no Dia 23 de Abril também se comemore o Dia Nacional do Chorinho.
Bom, esse discurso todo para avisar que optamos por prolongar essas comemorações todas fazendo o show "Jorge23" no dia 24 de Abril, ou melhor, nas 24h a mais que incluimos no 23, rsrsrs.
Ou seja, resumindo e confirmando: Próxima sexta dia 24 de Abril à partir das 22h no Jokers Pub Curitiba:
Samba Rock Sport Club apresenta: Jorge 23!
Afinal de contas tantos fatos importantes como estes merecem muito mais de 24h de comemorações!
Para maiores informações clique no Cartaz.
Postado Por Marcel Cruz
Apesar dos ecos serem ainda grandes já estamos bastante distantes do considerado historicamente como movimento Tropicalista. 1972 é o ano que vejo como conclusão de um ciclo iniciado em fins de 1967.
Em Janeiro os baianos voltaram do exílio, a coisa aqui continuava pegando fogo pois o país ainda estava sob a batuta de Médici. Em 1972/1973 foram realizados vários eventos culturais de fachada para mostrar que estava tudo bem. É nesse clima que nasce de fato um dos álbuns mais geniais de Caetano, senão 'O' mais genial, "Transa", que, segundo o que li foi uma alusão à "Transamazônica" que começava a ser construída.
As gravações tinham sido realizadas no semestre anterior em Londres para o selo FAMOUS, seria o segundo trabalho de Caetano nesse selo, o lançamento no Brasil aconteceu em Março de 1972.
O time que participa do álbum é outra reunião de feras: Jards Macalé, que também lançaria seu primeiro Lp em 1972 foi o responsável pelas guitarras e pela direção musical do disco, na bateria temos o genial Tutti Moreno, na percussão Áureo de Souza e no baixo o excelente Moacyr Albuquerque que faz toda a diferença, violentíssimo!
Na ficha técnica contida no encarte do Lp temos a seguinte informação: "Guitarra baixo: Áureo de Souza e Tutti Moreno" e como vimos ambos são percussionista e baterista. O álbum ainda conta com a participação de Gal Costa em 3 faixas e de Angela Roró tocando gaita de boca em "Nostatalgia". Outra falha existente no encarte é com relação a esta última informação, lá temos: "Flauta: Angela Roró (na faixa Nostalgia)", quando na verdade é Gaita de Boca.
O repertório é composto por 7 faixas das quais 6 são de autoria de Caetano e uma, "Mora Na Filosofia", é de Monsueto Menezes. Apesar da maioria das composições serem de Caetano e em inglês, ele faz uso de inúmeras músicas incidentais para engrossar o caldo de suas composições, todas em português e a maioria delas de outros compositores, uma forma de homenagem e também, creio eu, de mostrar o que influênciava sua música.
A faixa que abre o volume é a singular "You Don't Know Me". Na primeira vez que a canção é cantada, Caetano acrescenta ao refrão 2 citações. A primeira é "Maria Moita", composição de Carlos Lyra (...Nasci lá na Bahia, de mucama com feitor...) e a segunda é "Reza" de Edu Lobo (...Laia Ladaia Sabatana Ave Maria...), já na repetição Caetano faz uma auto citação colocando um pedaço de "Saudosismo", cantada simultâneamente por Gal Costa na primeira parte e, no refrão, além das duas citadas acima ele finaliza com "Hora Do Adeus" de Luiz Gonzaga (...Eu agradeço ao povo brasileiro...), ficou genial!
A segunda faixa contida no álbum é "Nine Out of Ten", o reggae entrando em cena por aqui. Veja o que Caetano disse a respeito numa entrevista cedida à jornalista do Jornal Do Brasil Márcia Cezimbra em 16 de Maio de 1991:
"...A minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, um vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley & The Waillers foram a melhor coisa dos anos 70..."
Na terceira faixa intitulada "Triste Bahia" Caetano coloca melodia nas duas primeiras estrofes do poema "À cidade da Bahia", do poeta baiano/português Gregório de Mattos e acrescenta alguns sambas de roda, cantigas de capoeira e afoxés a ela, a composição, instrumentação e o arranjo ficaram fenomenais.
"It's a Long Way", quarta faixa do álbum é ainda mais incrível, com certeza uma das que estão entre o Top 10 de Caetano e mais uma vez Caetano fazendo a festa com citações extremamente bem escolhidas. A faixa inicia num tom bem solene que vai ganhando corpo até chegar no refrão tudo num crescendo fantástico. No refrão Caetano repete a fórmula usada em "You Don't Know Me" e intercala quatro canções iniciando com uma composição do pernambucano Zé Do Norte, chamada "Sodade, Meu Bem Sodade", depois dessa vem uma que não sei de quem é a autoria, pode ser que seja de Caetano mesmo, os versos são o seguinte: "...Àgua com areia, brinca na beira do mar, a àgua passa a areia fica no lugar...". A outra que aparece é "Consolação", de Baden e Vinícius que Caetano emenda com "A Lenda Do Abaeté", de Caymmi fechando com chave de ouro a composição.
Quando a gente pensa que já ouviu o suficiente ele vem com outra porrada. "Mora Na Filosofia", de Monsueto Menezes e Arnaldo Passos é a "única" releitura declarada contida no álbum. Ela inicia com o baixo de Moacyr Albuquerque, seguido por Macalé que improvisa um pouco e entra num ostinato, a voz de Caetano vem lá do fundo num crescendo iniciando assim o fluxo melódico da composição, geniaaaaal!!!! E ainda tem a batera pra entrar, a percussão... fooooda! Só ouvindo pra ter noção. A finalização é extremamente rock'n'roll, chega que já to sem fôlego! rsrs.
Estamos na reta final, mais duas e concluimos o volume. "Neolithic Man", nessa Caetano e banda acompanhados por Gal caem na loucura total pra finalizar, excelente! rsrs. Fechando a odisséia temos "Nostalgia (That's What Rock'n'Roll Is All About)", como o título já entrega, Rock'n'Roll na veia! Composição nos moldes dos primórdios do gênero, com direito a Gaita de Boca e tudo, não poderia ser melhor.
Acabou? Não! rsrs. Tem a arte gráfica do álbum que é um caso a parte. O projeto gráfico é assinado por Álvaro Guimarães e Aldo Luiz. A capa é composta por três abas que quando encaixadas formam o que eles denominaram de "Disco-Objeto", parece uma capela ou um display, simplesmente genial, é , junto com a capa de "Expresso 2222" de Gil, a capa de Lp mais foda da música brasileira. Toda vez que a abro fico estupefato. Demais! Mandei ela escaneada no arquivo pra quem quiser se aventurar a monta-la, rsrs.
Apesar da capa ser genial Caetano ficou puto pelo fato de Álvaro Guimarães ter esquecido de colocar a ficha técnica com os créditos para quem participou das gravações, na verdade colocou alguns mas como vocês devem ter notado tudo errado, rsrs.
Sobre o álbum, Caetano declarou na mesma entrevista citada acima:
"...Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Àureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajour com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo...".
Precisa dizer mais alguma coisa? rsrsrs.
"...You don't know me, Bet You'll never get to know me..."
Para Baixar e Sair Sacundindo: Caetano Veloso - 1972 - Transa
Postado Por Marcel Cruz
Muito bem... Vocês sabem quem eu sou, mas, salvo raras exceções, o contrário não é verdade. Se você algum dia acessou o blog, gostou e voltou, entre na comunidade, vou achar bem legal de saber quem são as pessoas que me visitam, porém, se a idéia não te agrada sem problemas pode continuar no anonimato rsrsrsrs
Abração se cuidem até...
Ta aí outro daqueles que surpreende do início ao fim, ecos de tropicalismo, samba-rock, funk e psicodelia explodindo em nossos ouvidos.
"Mudei De Idéia", álbum de estréia dos baianos Antônio Carlos & Jocafi, fez um estrondoso sucesso já de cara, o repertório do volume é composto por canções que se tornaram hits absolutos como "Você Abusou", talvez a composição que mais ganhou versões no mesmo ano, já cataloguei pelo menos 10 delas. Também se encontram no volume "Desacato" e "Mudei de Idéia", ambas, a exemplo de "Você Abusou", com inúmeras regravações. Paramos por aí? Sim e não.
Se quisermos levar em conta apenas os hits da dupla que povoou o ano de 1971, sim, pois além dos três citados acima temos ainda "Lúcia Esparadrapo", música composta especialmente para a personagem da atriz Dejenane Machado, na novela "O Cafona", a faixa fazia parte da trilha sonora da mesma e, até onde, sei não se encontra na discografia da dupla.
Se dependermos do conhecido pararíamos por aí, mas não, não podemos nos contentar com tão pouco, são as cerejas do bolo que mais me interessam, vamos até elas!
O álbum é composto por 12 faixas, tirando os três hits citados acima nos sobram ainda 9 faixas, é bastante raro encontrar a ficha técnica do disco, porém, recebi informações que afirmam a participação de ícones tropicalistas, como por exemplo Rogério Duprat, que segundo me disseram assina alguns arranjos, senão todos.
O Lado A é iniciado com a comentadíssima "Você Abusou", seguida de "Se Quiser Valer", funkeira ultra-violenta que conta com ninguém menos que Lanny Gordin pilotando as guitarras. A participação de Lanny permeia o disco todo. "Kabaluarê", faixa que segue, é mais uma que o gênio da "guita" faz brilhar, a composição é tão consistente que serviu, ou melhor, foi usada praticamente em sua totalidade como base de "Qual é?", música de Marcelo D2 lançada com estrondoso sucesso nos idos de 2003.
A próxima é um xote-baião com uma onda de samba-rock (eita porra!rsrsrs), "Conceição Da Praia", boa de se dançar. A psicodelia começa a dar as caras em "Hipnose", um funk genial que tem como intermezzo um baião encaixadinho de forma espetacular, a letra é uma viagem só. Fechando o Lado A temos a suingada faixa título, "Mudei De Idéia".
O Lado B sofreu uma leve alteração minha, dois dos temas contidos no volume original fiz o favor de substituir, porque meus caros... nada tinham a ver com as demais faixas. Uma delas parecia a dupla "Leandro & Leonardo" cantando, ninguém merece! A outra era uma toada meio xote, meio sei lá o que, quem tiver curiosidade procure por aí, rsrsrs, mas vou logo adiantando que não estão perdendo nada, porque a substituição, modestia a parte, foi de gala. Bom, então vamos lá.
A abertura do Lado B se dá com "Desacato", um samba com caráter de partido alto dado pela cuiquinha bem marcada e uma orquestração de cordas na medida exata. A próxima, "Quem Vem Lá", inicia com a guita de Lanny, que vem furando nossos ouvidos e logo recebe o acompanhamento da massa sonora de órgão, metais, batera e percussão, porrada desnorteadora, trilha de filme; o arranjo me lembra Chiquinho de Moraes, não duvido que seja dele.
Temos agora a primeira substituição, saiu "Nord West" e entrou a excelênte "Simbarerê", faixa contida originalmente no segundo disco deles, "...A Cada Segundo", álbum de 1972, dessa sim temos a informação exata do arranjador. Melhor impossível! Dom Salvador foi o responsável pela roupagem, concepção simplesmente genial, é só o que tenho a dizer. A faixa que segue é o excelente samba-rock "Morte Do Amor", música e letra fenomenais, Jorge Ben deve ter ficado orgulhoso pela nítida influência. Mais uma funkera psicodélica entra em cena, agora temos "Deus Nos Salve", faixa que ganhou um arranjo de metais muuuito, mas muito fuderoso, a letra não fica pra traz e acompanha a psicodelia vigente. A segunda substituição foi da faixa que fecharia o volume, saiu "Bonita" e entra o surpreendente funk "Xamego de Iná", essa música ganhou uma versão do Trio Mocotó com um solo de cuíca inacreditável, a que temos aqui foi retirada do terceiro álbum da dupla. Com ela concluimos o volume, sinceramente fiquei orgulhoso com as alterações, rsrsrsrs.
É claro que uma pérola dessas não pode deixar de ter material bônus incluído. Acrescentei a funkeadíssima "Lúcia Esparadrapo", na interpretação de Betinho e um vídeo que mostra Elis Regina e a dupla interpretando um pout-porri com as famosas "Lúcia Esparadrapo", "Você Abusou", "Mudei De Idéia" e "Desacato", ultramegathunder-fantástico!!! É isso aí...
"...Estou aqui em nome da tristeza, dando a certeza de que o amor morreu..."
Ah! Caso alguém tenha a ficha técnica do LP me passe se possível, desde já deixo meus agradecimentos. Valeu!
Para Baixar e Sair Sacundindo: Antonio Carlos & Jocafi - 1971 - Mudei De Idéia (Versão Sacundinbenblog)
Para Saber Mais: Biografia Antonio Carlos & Jocafi
Para Assistir e Sair Sacundindo: Elis Regina e Antonio Carlos & Jocafi - Xamego De Iná Com Trio Mocotó
Postado Por Marcel Cruz
Descobri ainda a pouco tempo umas coisinhas para acrescentar no Sacundin! Agora quem quiser acompanhar o Blog é só se inscrever ali embaixo (no lado direito) e pronto vai ficar na cola do Sacundin, fácil, fácil. Se preferirem podem receber os SacundinbenFeeds também, fica a critério de vocês, acho que é isso.
Muito bem! 1971 é isso aí! rsrsrs. Quarto disco de carreira, retorno de uma turnê de sucesso pela França, um álbum gravado por lá (que, creio eles não sabiam, só chegaria nas mãos do público em 1999, quase 30 anos depois!). Mas nem tudo eram flores, o casal Rita /Arnaldo já não estavam lá muito bem.
Musicalmente o álbum tem tanta maturidade quanto os anteriores, temas consistentes, arranjos excelentes, ora próprios, ora com dedinhos de Duprat, com Arnolpho Lima (Liminha) e Ronaldo Paes Leme efetivados na banda de fato, o trio tornou-se oficialmente quinteto.
O repertório é genial! Onze composições dentre as quais, duas ("Top Top" e "Lady, Lady") também levam a assinatura de Liminha, Liminha, rsrsrs. O volume tem ainda uma versão em inglês feita por eles para "Baby", de Caetano Veloso. As demais são todas assinadas somente pelo trio.
O Lado A abre com a excelênte "Top Top", hit absoluto criado a partir de um jargão, marca registrada de Fradinho, personagem criado pelo cartunista Henfil e bastante famoso na época. Em seguida temos o tema "Benvinda", balada ultra-romântica nos moldes das criações de 'Tim Maia', a referência é tão latente na composição que a contra-capa do Lp traz uma curiosa observação/aviso: " *Qualquer semelhança com Tim Maia é mera coincidência", o arranjo de cordas feito por Duprat intensifica ainda mais o romantismo da canção.
"Tecnicolor", tema que vem logo depois, tem a letra em inglês que, entre outras coisas, fala de uma viagem num trem multicolorido, a melodia é genial. A próxima é a 'chicana' "El Justiciero", o clima mariachi invade nossos ouvidos e é fácil visualizar aqueles faroestes que se passam no México, a tiração de onda no início com o 'Once upon a time...' é excelente!
O álbum como um todo é cheio de baladas e a que segue é uma das melhores "It's Very Nice Pra Xuxu", só pelo nome já vale ser ouvida, sem contar que a interpretação que Arnaldo Baptista faz é ímpar. Seguindo o tom de irreverência vem o desabafo 'lava alma' de "Portugal De Navio", nome que foneticamente guarda bastante semelhança com nosso corriqueiro '...Vá pá Púuuu...rtugal de Navio...' ops! Não posso baixar o nível aqui, rsrsrs. Com essa concluímos o Lado A do bolachão.
O Lado B inicia com outra balada, "Virgínia", relacionamento ou o fim de um é a temática dessa canção, poesia pura. Seguindo temos os dois temas mais 'rock'n'roll' do álbum: "Jardim Elétrico", faixa psicodélica que dá nome ao volume e a não menos psicodélica "Saravá". Na verdade, entre elas temos, a meu ver, uma das mais geniais do grupo: "Lady, Lady", talvez a composição mais Beatles que os Mutantes já fizeram, música e letra fantásticas. Fechando o Lado B, e o álbum como um todo, temos a já citada "Baby" de Caetano Veloso que recebeu letra em inglês do trio, ficou perfeita!
A arte gráfica do álbum ficou a cargo de Alan Voss, gênio dos quadrinhos e das ilustrações. O traço inconfundível de Alan Voss e a psicodelia do enredo da capa dão o toque final pro disco transformando-o num conjunto conceitual perfeito, aparência e conteúdo caminhando no mesmo patamar. Acho que é isso...
"...Tudo lembra nossas vidas, Nossas noites de ilusão, Suas roupas estão vazias, Lady ainda estou aqui..."
Para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1971 - Jardim Elétrico
Postado Por Marcel Cruz
Esse papo de Lei Azeredo me deixou encucado e pesquisando melhor a respeito descobri o que precisava descobrir com relação a troca de arquivos, vejam: "Tem-se dito que a troca de arquivos por meio da internet (redes p2p, torrent etc.) estaria criminalizada pelo projeto. Não é verdade, graças às emendas apresentadas pelo Senador Aloizio Mercadante. Na redação antiga, havia margem para a criminalização, sim, graças à redação confusa do art. 285-B. No texto aprovado, fica claro que a troca consensual de dados não é crime. Crime é a invasão de um sistema para surrupiar arquivos; o compartilhamento consensual, no máximo, viola o direito autoral, regulado pela Lei nº 9.610/98, que não tem nada a ver com o projeto em discussão." O trecho foi retirado de um artigo publicado no Blog da Luciana Monte, com um texto excelente ela esclarece em que pé estão os tramites em torno da lei. Se tiver tempo vale a pena lê-lo na íntegra. To deixando aqui embaixo alguns links dos Textos do Projeto, dos três links apenas o primeiro é que ta valendo, os dois últimos coloquei somente a título de curiosidade. É isso aí, nada de Juízo Final, rsrsrsrs. Iuhuuuuuu!!! Para Saber Mais o Sacundin indica: Última versão do Projeto - Resumo Do Texto antigo do Projeto de Lei - Projeto De Lei (Versão Primeira) Na Íntegra
Este blogg tem caráter estritamente cultural. Meu propósito nunca foi e nem será o de comercializar o prazer em ouvir música, mas difundi-lo e compartilhá-lo, sem resultar em ônus ou benefício financeiro direto ou indireto para ninguém. É possível que nem todos ajam e pensem da mesma forma, e, se por algum motivo, alguém se sentir ofendido ou prejudicado com o conteúdo de alguma postagem, avise-me por e-mail para que ela seja retirada. O site não hospeda arquivos de música e os links têm prazo de validade limitado. Aos que baixarem os arquivos, se gostarem do que ouviram, sugiro que adquiram os álbuns em lojas ou sites especializados, caso não estejam fora de catálogo. De mais a mais...
Meu muitíssimo obrigado pela sua visita...
Milhares de Abraços até...