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quarta-feira, 19 de março de 2008

Elomar - ...Das Barrancas Do Rio Gavião

Bom, dos quatro integrantes do Cantoria, Elomar foi o que mais me impressionou de fato, é óbvio que fui atrás do que cada um fez. Todos muito bons, mas Elomar é o além de todos é o que achei mais fuderoso, rei e gênio absoluto, dono de uma linha composicional extremamente peculiar e eruditizada, não era pra menos se levar em conta à formação do indivíduo. Esse aí é o álbum de estréia dele, foi lançado em 1973, o disco é fechadinho com 12 canções que a meu ver foram escolhidas com muito esmero. O volume abre com a clássica "O Violeiro" que no refrão descreve a filosofia do violeiro assim: "Apois prá o cantadô e violeiro, Só há treis coisa neste mundo vão: Amô, furria, viola, nunca dinheiro, Viola, furria, amô, dinhero não." Genialíssima! Em seguida temos "O Pedido"(4º canto do Auto-Da-Catingueira obra prima do mestre), e entre tantas outras geniais, uma das que mais gosto, "Cavaleiro Do São Joaquim", que inevitavelmente vou ter que por a letra toda aqui:


Caminhando eu vou
Nesta estrada sem fim
Levando meu mocó
De saudade e esperanças
Que a vida ajuntou pra mim
E no peito uma dor sem fim

Lembro de uma canção
Que ela cantava pra mim
Um trem numa estação
Que partiu levando um bem
Derradeiro e só deixou
Outro bem e uma grande dor

Sonho que na derradeira curva no caminho
Existe um lugar sem dor, sem pedras, sem espinhos
Mas se de repente
Lá chegando não o encontrar
Seguirei em frente
Caminhando a procurar

Caminhante e tão só
Vejo a terra ruim
O sol tudo queimou
E os rebanhos estão caindo
Vêm mugindo atrás de mim

Cavandante eu sou Por este reino sem fim
Meu cavalo voou
Procurando o lugar
Que minha vó contava pra mim
Eu menino do São Joaquim
Cavaleiro do São Joaquim


Coisa lindíssima, o cara tem o feeling da coisa é mestre absoluto de fato, quando vocês aliarem isso com a melodia entenderão melhor o que digo. Esse é só o primeiro disco do indivíduo, no site ali embaixo vocês encontrarão informaçãoes mais detalhadas, discografia e tudo o mais, pra mim Elomar foi uma feliz descoberta, e agora tenho o prazer de apresenta-lo a quem ainda não o conhece, com vocês: Elomar!


Para Baixar e Sair Sacundindo: Elomar - 1973 - ...Das Barrancas Do Rio Gavião


Para Saber Mais: Elomar HomePage


Postado Por Marcel Cruz

sábado, 15 de março de 2008

Elomar, Vital Farias, Geraldo Azevedo e Xangai - Cantoria

Esse disco caiu nas minhas mãos e ouvidos quando eu ainda tinha 8 anos. Eu tava na segunda série, na verdade um ano antes, um tio meu, o "Tio Paulinho" (é, eu também tenho um tio Paulinho rsrs), cantou pra mim "Sete cantigas para voar", música que mexeu profundamente comigo. Comentando com um outro tio a minha adoração por tal música esse mesmo me apresentou o disco (que quase foi o primeiro disco que tive na minha vida, foi por pouco), eu não tinha toca-discos, porém, um primo que tenho maior adoração e que era da mesma idade do Tio Paulinho, me iniciou na apreciação do álbum, foi o Lori que me ensinou a ouvir discos foi com os discos do Lori que eu preenchi as férias da minha infância, ouvindo-os por horas a fio sem cansar, tomando todo o cuidado do mundo pra não riscar aquele tesouro que eu tinha por alguns momentos só pra mim.

Foi também quando eu tava na segunda série, do colégio Eny Caldeira que o tal Cupido, que uma hora ou outra sempre aparece na vida da gente, me flechou, foi nessa época que conheci meu primeiro amorzinho: Monalissa, a menina do blusão branco da 2ºB. Lindíssima... Eu estou mencionando isso porque lembro que decorei uma das faixas do álbum pra ela, a faixa se chama: "Ai que saudade de Ocê" que o Fábio Jr. regravou cagando com a música rsrsrsrs, mas enfim, foi a primeira vez na vida que decorei uma música com a intenção de fazer uma serenata pra alguém rsrsrs, a letra é bem singela e começa assim: "Não se admire se um dia, um beija flor invadir, a porta da tua casa te der um beijo e partir. Fui eu que mandei o beijo que é pra matar meu desejo, faz tempo que não te vejo (eu via a garota todo dia rsrsrs) ai que saudade de ti."

Sim foi um período realmente bom e bom de se lembrar porque ele serviu como porta de acesso a uma infinidade de outras coisas, foi onde eu inconscientemente elegi meus três pilares e parâmetros musicais personificados no "Tio Paulinho", Tio Edson" e no "Lori". Essas pessoinhas aí que me ensinaram a ouvir, a gostar e de certa forma amar isso tudo, muito do que sou hoje , das escolhas que fiz, atitudes que tomei e rumo profissional que hoje sigo foi gerado nessa época através dos "ensinamentos" proferidos e executados por eles, imaginem o poder de influência que eles possuem e talvez nem saibam rsrsrs. Esse post eu dedico exclusivamente pra essa minha santíssima trindade, sem palavras pra agradecer, aliás, palavras seriam insuficientes.

Agora entrando um pouco no disco em si. Janeiro de 1984. Quatro violeiros se reúnem e criam esse show. Sucesso estrondoso devido à qualidade musical de todos. Lançam em 1984 o álbum Cantoria (Vermelho) e em 1985 lançam um segundo volume, Cantoria 2 (o Azul), fruto da turnê do primeiro, o que eu fiz foi um "mix" dos dois, uma versão "custom" dos Cantorias. Acrescentei no primeiro algumas faixas do segundo, por isso resolvi deixar isso implícito (ou explícito) na capa rsrsrs. Além das duas faixas acima citadas, outras que me deixaram extasiado foram: "Cantiga do Boi Encantado" de Elomar, "Estampas Eucalol" de Hélio Contreiras, "Kukukaia" de Cátia França, "Veja Margarida" de Vital Farias... Vou acabar citando todas rsrsrsrs. Bom, essas e todas as outras.

Algo me diz que quem ainda não conhece vai chapar, sendo assim, fuja enquanto é tempo, ou... Deixe acontecer...

"...voa voa azulão..."


Para Baixar e Sair Sacundindo: Elomar, Vital Farias, Geraldo Azevedo e Xangai - 1984#1985 - Cantoria


Para Saber Mais: Elomar HomePage - Vital Farias HomePage - Geraldo Azevedo HomePage - Xangai HomePage


Postado Por Marcel Cruz