terça-feira, 3 de março de 2009

Caetano Veloso - Caetano Veloso 1971

Eu gostaria muito de ter postado o álbum do Duprat, "Brasil Ano 2000", trilha do filme homônimo, lançado em 1969/1970, mas não o tenho e tampouco conheço quem o tenha. Sendo assim fechamos o ano de 1970 e mais um ano se inicia, 1971!

Como no ano de 1970 Caetano não teve nenhum lançamento fonográfico, escolhi ele pra fazer as honras da casa e para, declaradamente, começarmos este "71", ano que já é considerado como pós-tropicalista. Digo declaradamente porque o Gil do mesmo ano já esta por aqui faz um bom tempo, da mesma forma que Erasmo Carlos com seu "Carlos... Erasmo", albúm ultra-tropicalista. Mas enfim, isso não isenta Caetano de ser o início do 71 tropicalista, rsrsrs.

Em 1971 o baiano não estava lá muito alegre, pelo contrário, a melancolia se apossou de Caetano e fez morada. A saudade e a sensação de estar como peixe fora d'água são alguns dos reflexos facilmente identificáveis no seu álbum de estréia em solo estangeiro. Lançado pelo selo londrino "FAMOUS", da Paramount Records, o álbum contém 7 faixas, 5 assinadas apenas por Caetano, 1 em parceria com Gilberto Gil ("In The Hot Sun Of a Christmas Day", talvez a mais foda do disco, tem um climão, uma melodia e um arranjo de cordas e flautas geniais), e a última é uma releitura do clássico "Asa Branca", composição de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, a versão apresentada dura mais de 7 minutos e é pra lá de deprê.

As 5 faixas que Caetano assina sozinho são: "A Little More Blue", faixa que abre o disco e que foi a primeira composição de Caetano em solo inglês, em seguida temos a também clássica "London, London", gravada um ano antes por Gal Costa no seu álbum "LE-GAL", e regravada nos anos 80 pelo RPM que criou uma versão horrível e absurdamente brega pra ela, vamos e venhamos, ninguém merece o Paulo Ricardo, rsrsrs. Continuando a sequência o que nos chega é "Maria Bethânea", composição feita em homenagem a sua irmã, a linha de baixo que inicia a faixa e o refrão são excelentes. A próxima faixa, Caetano dedicou a artista plástica brasileira Lygia Clark, "If You Hold a Stone", nela Caetano faz um 'mix' com "Marinheiro Só", intercalando ambas as letras, o resultado é bem bacana.

Fechando o repertório do disco temos "Shoot Me Dead", composição que teve como base para a letras alguns ditos populares ou provérbios, a melodia e o arranjo são beeem legais e de tão pra cima chega a destoar do conjunto. Muuuuuito boa! rsrsrs. Acho que é isso!

"...But today, but today, but today, I don't know why, I feel a little more blue than then..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Caetano Veloso - 1971 - Caetano Veloso (Famous)


Para Saber Mais: Sobre o álbum


Postado Por Marcel Cruz

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Tom Zé - Tom Zé 1970

Em entre 1969 e 1970, logo após ter vencido o IV Festival de Música Popular Brasileira, Tom Zé criou uma escola de música em São Paulo, a escola se chamava "Sofisti-Balacobaco (Muito Som e Pouco Papo)", o nome é no mínimo engraçado, uma pena ser essa a única informação consistente que se encontra a respeito dela. Mas justificando o meu grifo pra escola, o álbum aqui presente, segundo elepê de Tom Zé, tem na contra-capa o seguinte texto:

"As melhores idéias dêste disco, devem ser divididas com os meus alunos de composição da SOFISTI-BALACOBACO (muito som e pouco papo) e com Augusto de Campos. Foi, por exemplo, um exercício proposto a Ricardo Silva e Ciumara Catto (Limeira-SP) o ponto de partida que nos levou à "Guindaste a Rigor". Elio Manoel e Aderson Benvindo (parceiro em : Lá vem a onda") que trabalharam quase com febre; Beto Matarazzo e Durval do "SESC", que têm um senso crítico muito agudo; João Araújo, Lais Marques e Valdez, parceiros em "Distância"e "Jimmy Renda-se"; todos ajudaram muito.

Aproveito a ocasião para informar que a Prefeitura de São Paulo não me pagou até agora o prêmio do 1º. lugar (São Paulo, meu Amor) do Festival da Record de 1968 e até começou a dizer que não assumiu esta obrigação.

TOM ZÉ ."

Ou seja, o volume aqui exposto é fruto de trabalhos e idéias surgidas na, pelo visto, efêmera escola. A outra informação que temos na contra-capa e que soa engraçada é a denuncia do calote que até então Tom Zé levava da prefeitura de São Paulo. Não tenho a informação de que o prêmio tenha sido pago, quase certo que não, rsrsrs. Mas enfim, vamos ao conteúdo musical contido no álbum.

Informação indispensável é a presença de Chiquinho de Moraes entre o trio de arranjadores que se completa com o argentino Héctor Lagna Fietta, responsável por algumas trilhas do Mazzaropi e da novela "Simplesmente Maria", e Capacete, este último, se for o mesmo, é o baixista que gravou os àlbuns de 71 e 72 de Tim Maia.

A faixa que abre o disco é "Lá Vem a Onda", na letra uma espécie de estudo de opostos perfeitos, bem singela e com um refrão que leva o ritmo de um trava língua. Em "Guindaste à Rigor", faixa que vem em seguida, Tom cria um orquestra bastante surreal e idealiza uma canção tão surreal quanto à orquestra que a executará; o título é referência ao regente, rsrsrs. "Distância", composição feita em parceria com Laís Marques e João Araújo, inicia com um melancólico fagote (ou seria Oboé?), que em seguida dá a vez para o naipe de metais, bateria e uma guitarra que me lembra a trilha de Enio Morricone para "Três Homens em Conflito", no refrão Chiquinho de Morais optou por amenizar a tristeza e dá uma alegrada nos metais, genial!

A quarta faixa do Lado A é "Dulcinéia Popular Brasileira", um xote com roupagem sinfônica e uma letra bem enigmática. Em seguida temos a versão de Tom Zé para "Qualquer Bobagem", música composta em parceria com os Mutantes e gravada pelo trio um ano antes, Tom a transforma num Iê-Iê-Iê deprê. Fechando o Lado A temos "O Riso e a Faca", o arranjo de cordas em contraponto ao ostinato do violão ficou bonito pacas, mas cuidado pra não cortar os pulsos no final da canção, rsrsrs.

O Lado B do elepê começa com pancadaria "Jimmy Renda-se", excelente! O arranjo de metais é genial, Chiquinho pegou o espírito da composição e deu um toque todo especial, trilha de filme! Depois do "roquenrol" outra com caráter mais triste mas com ares de infância e elementos de brincadeiras de roda, o nome já entrega, "Me Dá, Me Dê, Me Diz". Ouvindo com calma e pensando no conjunto de canções chego a conclusão que esse álbum não é dos mais alegres, rsrsrs.

A faixa seguinte é "Passageiro", bem bonita também, mais uma vez cuidado com os pulsos. Pra quebrar um pouco o ar de melancolia temos a crítica e irônica "Escolinha De Robô", muito booooa! Letra e melodia espetaculares, a utilização do órgão nas estrofes ficou excelente. A seguinte, "Jeitinho Dela", fez bastante sucesso na época e apesar de o crédito ser dado apenas para Baby Consuelo, também participam da faixa Moraes Moreira, Paulinho Boca De Cantor e Galvão, ou seja, Os Novos Bahianos (que acabavam de gravar seu álbum de estréia), música, letra e arranjo perfeitos. Fecha o álbum outra excelente, mais uma crítica extremamente bem humorada e uma espécie de tratado a respeito da gravata, o nome? A sim, "A Gravata", rsrs.

Como bônus acrescentei ao arquivo 5 faixas lançadas apenas em compactos de 1969, são elas: a fantástica "Bola Pra Frente", em duas versões, uma em estúdio e outra ao vivo. Na época foram lançados dois compactos, ambos com as mesmas músicas só que um em versão ao vivo e outro em estúdio, tanto o de estúdio quanto o ao vivo carregava do outro lado "Jeitinho Dela", é a versão ao vivo que está aqui. As outras duas são: "Feitiço", gravada no mesmo ano pelos Brazões e "Você Gosta", ambas no mesmo compacto. É isso aí!!!


"... Faça suas orações uma vez por dia, depois mande a consciência junto com os lençóis pra lavanderia..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Tom Zé - 1970 - Tom Zé


Para Assistir e Sacundir: A Gravata - Jimmi Renda-se (Não é a versão original mas tá valendo)


Postado Por Marcel Cruz

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Presente de Natal atrasadinho, rsrsrs...

Puxa vida! Em Dezembro do ano passado ganhei um presente de natal e não fui avisado, somente hoje é que tive conhecimento e imaginem vocês se não fiquei feliz demais.

A Revista BRAVO! é uma das coisas mais legais que conheço, sou fãnzaço e vai para 3 anos que sou assinante, porém, raramente acesso a mesma online, se acessei a BRAVO! Online 5 vezes foi muito. E foi justamente aí que pra minha grande surpresa o Sacundin estava fazendo parte de uma lista de Blogs de música escolhidos pela revista em Dezembro de 2008. Que honra a minha!

Deixo aqui meus sinceros agradecimentos para a jornalista Laila Abou Mahmoud pela indicação! Valeu mesmo!!!

Pra quem quiser dar uma olhadinha o link se encontra logo abaixo.



Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado

Em 1970 Os Mutantes lançam seu terceiro Lp. Mais inventivos do que nunca, chegaram arrebentando naquele início de década. O álbum foi "batizado" com o nome de: "A divina Comédia ou Ando Meio Desligado", uma citação à obra máxima do poeta, escritor e político italiano Dante Alighieri (1265-1321).

A capa do álbum é foto de uma encenação que Rita, Arnaldo e Sérgio fizeram baseada numa gravura de um dos mais importantes ilustradores e gravuristas do mundo, o Francês Gustave Doré, contida na edição de 1861 da Divina Comédia, confeccionada às custas do próprio Doré. Os arranjos foram assinados por Rogério Duprat (pra variar um pouco, rsrsrs) e Os Mutantes.

O disco abre com a faixa título "Ando Meio Desligado", um 'tcha-tcha-tcha' envenenado pelas guitarras de Serginho Dias e órgão/piano e sintetizadores de Arnaldo Baptista, essa composição foi inscrita no IV FIC e ficou, rsrs, em décimo lugar. Seguindo temos "Quem Tem Medo De Brincar De Amor", é aí que começa o deboche escrachado, os efeitos sonoros utilizados e o sotaque gringo de Rita dão um ar de total irreverência. A terceira faixa do Lp é a música mais foda contida nesse volume e digo mais, é uma das mais genias já feitas em terra-brasilis, na minha opinião somente ela já vale o álbum todo: "Ave, Lúcifer". O arranjo sinfônico de Duprat e as engenhocas criadas por Cláudio César Dias Baptista (Citado no Texto do álbum de 1969), encaixam-se de maneira surpreendente. De cara o timbre da guitarra já é fantástico, e, aos 47 segundos após o início, a letra se refere a serpente do pecado original, o efeito sonoro criado pra tal momento me faz de fato visualizar o movimento de uma serpente, acho incrível a solução que conseguiram pra isso, muito, muito genial! Essa faixa é o elo de coerência mais forte entre arte gráfica e conteúdo musical.

O Lado A é ainda composto por mais duas composições: "Desculpe, Baby", uma espécie de bolero'n'roll meio gospel com pitadas de deboche 'mutântico' e a progressiva e 'existencialista', rsrs, "Meu Refrigerador Não Funciona", que começa num tom bastante sombrio e lá pelos 4 min e 20 seg, entra numa onda meio jazzística e baixa uma alma bebop em Arnaldo que é um sarro, mas creio que pra quem estiver se iniciando em Mutantes vai ter dificuldades pra chegar até o fim da faixa, acho que você acaba mudando antes, rsrs.

O Lado B abre com a divertida "Hey Boy", um Iê-Iê-Iê que caberia no repertório de Celly Campelo numa boa. Seguindo temos duas releituras dos Mutantes. A primeira é uma composição de Roberto e Erasmo Carlos, "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo", a versão ficou excelente, Erasmo só iria regravá-la em 1972, a segunda, é uma composição clássica do cancioneiro popular, a autoria é assinada por Silvio Caldas e Orestes Barbosa criador de um dos versos considerados como sendo dos mais belos da música brasileira: "...Tu pisavas os astros, distraída...". Mutantes e Duprat foram simplesmente fenomenais no arranjo, fizeram da música uma verdadeira Rádio-Novela, a sonoplastia usada torna essa versão uma obra-prima e com certeza é a versão mais ousada já feita pra tal canção, e creio, imbatível. A que vem em seguida é "Jogo De Calçada", totalmente Hendrix, e o solo de Sergio Dias no finalzinho é ducaraaaaleo!

O álbum ganha um tom solene com "Haleluia", tema que incia nos moldes dos contra-pontos renascentistas, mas que logo em seguida se transforma e não difere em nada de um coral gospel do Harlen seguido de um rock'n'rollzinho pra acabar, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro, né? rsrs. Fechando o álbum temos "Oh! Mulher Infiel!", uma composição instrumental que tem uma narrativa bem legal pois começa pesadaça com uma guita rasgadona e órgão, isso até uns 2 min e 20 seg, depois disso cai num climão bem brega com um pianão tipo Richard Claydman e com Sérgio Dias ou Arnaldo, não sei ao certo, cantando bem ao fundo, como se fosse uma espécie de conformismo adquirido com algumas doses de Whisky. O clima dura um pouco mais de um minuto pra cair novamente na mesma furia raivosa com que se iniciou fechando assim o ciclo e o disco.

Como material Bônus acrescentei um curta metragem de 7 minutos, feito por Ântonio Carlos Fontoura, bem legal e que tem como trilha sonora praticamente todas as faixas desse álbum aqui. Acho que é isso, fui!


"...Ando meio desligado, eu nem sinto os meus pés no chão..." (mó papo de chapado essa letra, rsrsrs)



Infelizmente fui notificado como infrator por postar esse link, por essa razão deixo aqui somente o texto sem o link para download, caso alguém tenha interesse na postagem completa favor entrar em contato abração!!!!

Espaço que seria para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1970 - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado


Para Saber Mais: Dante Alighieri e a Divina Comédia - Gustave Doré


Para Ver e Sacundir: Quem Tem Medo De Brincar De Amor - Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo - Curta-Metragem OsMutantes 1970



Postado Por Marcel Cruz

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Gilberto Gil - Copacabana Mon Amour

Em 1970 Caetano Veloso não lançou nenhum álbum, o da Gal já foi postado anteriormente e o de outro grupo, que acho que foi o que melhor leitura fez do tropicalismo, Os Novos Bahianos, também já foi postado. Do time titular restaram ainda: Gil, Os Mutantes, Tom Zé e Duprat.

Comecemos com Gil.

Gil tinha acabado de chegar em Londres e recebeu a encomenda do cineasta (o mais foda do Brasil, na minha opinião) Rogério Sganzerla, diretor do genial e aclamado "O Bandido Da Luz Vermelha", para compor a trilha de seu novo filme. O filme se chamaria "Copacabana Mon Amour" e seria o marco de um novo gênero: a Chanchada Psicodélica. No elenco: Helena Ignez, Paulo Vilaça, Lilian Lemmertz, Guará e, entre outros, Otoniel Serra.

As gravações da trilha aconteceram em Abril daquele ano, foi feita uma única cópia desse material, e essa cópia foi enviada para Sganzerla montar o filme. Essa única cópia simplesmente sumiu e só foi encontrada 28 anos depois. Somente em 1998 e depois de muita procura, os tapes foram localizados nas mãos de um colecionador inglês por Marcelo Fróes, idealizador de uma caixa excelente que cobre a discograia de Gil na fase Philips (1967 até 1974 e com material extra até 77), acho que em 1976/77 Gil migra para a Warner.

O álbum é composto por 6 faixas, das quais duas são takes distintos de uma mesma canção, "Diga a Ela" (1ª e 2ª Versão). Segundo o que descreve o texto do encarte a concepção da trilha ocorreu da seguinte maneira:

"... Gravando voz e violão em dois canais, Gil depois gravou voz e violão novamente (para o efeito de dobra, graças ao qual ouvimos duas vozes e dois violões do artista, como se ele cantasse consigo mesmo). Por fim, Gil adicionou percussão e convidou o flautista amigo David Linger para dar um toque final. Péricles Cavalcanti também estava presente. O resultado ficou ótimo e duas fitas master estereofônicas foram montadas no estúdio londrino IBC em 23 de Abril de 1970..."

O álbum de uma forma geral é bem livre, dá-se a impressão de que cada canção saiu na hora, que tudo foi um grande improviso com momentos memoráveis de fluxo musical (o que pode ter realmente acontecido). Pra mim esse disco tem a mesma atmosfera de "Ogum Xangô", álbum gravado 5 anos depois com Jorge Ben.

Além das duas versões de "Diga a Ela", temos, "Mr. Sganzerla", que tem uma suinguera fenomenal, parece que baixa o santo em Gil. No que diz respeito as letras... bom, não creio que caiba aqui juízo de valor, são todas tão doidas quanto o filme, pra quem assistiu sabe o que falo, rsrsrs. Depois temos "Blind Faith" e "Yeh Yeh Yah Yah", esta última na mesma linha de "Diga a Ela".

A última tem um nome que adoro: "Tomorrow Vai Ser Bacana", vejo ela, ela e "Blind Faith" na verdade, como uma prévia do álbum que Gil lançaria no ano seguinte pelo selo londrino FAMOUS (álbum absurdamente genial, que foi uma das primeiras postagens do Sacundin: aqui). É totalmente a mesma "vibe", muito boa por sinal. Não acho esse álbum o mais genial e tampouco mudou minha vida como outros do Gil. Pra falar a verdade dependendo do dia e do estado acho meio chato, beirando o sacal, porém, no filme a trilha funciona muuuuito bem em todos os momentos que aparece. Quando ouvi pela primeira vez, há mais ou menos 7 anos, lembro que gostei mais, até porque tava todo empolgado com a caixa do Gil. Mas ainda assim vale a pena ouví-lo pelo menos uma vez na vida e, se gostar, outras mais, quantas quiser.

Ah! Com relação a capa tivemos que fazer outra, porque a original foi feita com um descaso tão grande que é inacreditável, dá até a impressão de que foi gerada por computador. Por mais que o disco não seja o mais foda do mundo não merecia uma capa daquela, rsrsrs. Espero que vocês tenham gostado da que fizemos.

É isso aí e...

"...Tomorrow vai ser bacana, vai ser bacana, bacana, bacana, bacana..." rsrs



Para Baixar e Sair Sacundindo: Gilberto Gil - 1970 - Copacabana Mon Amour



Para Saber Mais: Copacabana Mon Amour Resenha Do Filme


Para Assistir e Sacundir: Copacabana Mon Amour 1 (Sônia Silk) - Copacabana Mon Amour 2


Postado Por Marcel Cruz

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Caetano Veloso & Gilberto Gil - Barra 69


Chegamos aos anos 70!
Um pouco mais de dois anos separa o início da ebulição, e milhares de coisas aconteceram. Segundo a literatura existente, o Tropicalismo acaba em 1969 com a extradição de Gil e Caetano. No papel é bem facil determinar datas com exatidão, porém, na prática, pelo menos em termos fonográficos, a coisa durou no mínimo até 1972 (mais ou menos até onde vou por aqui), deixando reflexos até hoje, quarenta anos depois.
Vou abrir a década com um disco que foi lançado em 1972, mas que foi gravado em 21 e 22 de Julho de 1969, às vésperas do embarque para o exílio Londrino. Trata-se do show de despedida de Gil e Caetano, gravado no Teatro Castro Alves - Salvador - Bahia.
Esse show não foi feito com a intenção de ser gravado ou lançado em disco, tanto que esse registro foi feito apenas numa fita K7 por Nelson Mota e a qualidade sonora é, de fato, bem precária. Porém, como diz Guilherme Araujo no texto contido na contra-capa do Lp:
"...Não interessa a má qualidade técnica da fita. Não interessa a opinião de músicos que não sabem ouvir. Essa fita é emoção e a primeira explosão de vocês. Essa fita encerra uma fase das carreiras de Cae e Gil..."
De fato, nesse registro o que menos importa é a qualidade técnica pois o que realmente conta é o momento guardado. E que momento!
A banda de apoio de Caetano e Gil foi composta pelos então futuros Novos Bahianos: Pepeu Gomes nas guitarras e Jorginho na bateria, Carlinhos no baixo e Lico na segunda guitarra.
O álbum é composto por 7 faixas. Abre o volume "Cinema Olympia", composição de Caetano Veloso que foi gravada por Gal Costa no mesmo ano. Em seguida temos "Frevo Rasgado", de e com Gil, a terceira é "Superbacana", de Caetano numa versão genial. Caetano começa com uma palhinha de "For No One", de Lennon & McCartney e cai no tema principal usando a intro de "Panis et Circenses" como música incidental.
Fechando o Lado A, Gil e Caetano vêm com "Madalena", música de Isidoro e Direitos Reservados (sic) , esse tema Gil regravaria 22 anos depois no seu álbum "Parabolicamará", com uma roupagem bem regional e bem sem salzinha. Eu prefiro essa aí, muito mais visceral, muito mais foda!
O Lado B abre com "Atrás Do Trio Elétrico", que ganhou uma introdução ultra rock'n'roll de Pepeu Gomes, muuuito boa! O que temos em seguida é "Domingo No Parque", que teve a participação de dois percussionistas integrantes do Conjunto Folclórico Viva Bahia.
Concluindo o álbum temos um Pout-Porri iniciado por Caetano com sua "Alegria, Alegria", seguida do "Hino Do Esporte Clube Bahia", que é acompanhado pela platéia toda em coro, Gil, por sua vez, canta, também com a platéia e participação da Escola De Samba Do Garcia, "Aquele Abraço".
Um belo registro duma época nem tão bela assim...
"...Pra você que me esqueceu... Aquele abraaaaaaço!..."

Para Baixar e Sair Sacundindo: Caetano Veloso & Gilberto Gil - 1969/1972 - Barra 69

Postado Por Marcel Cruz

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Bando - O Bando

O outro grupo a que me referia na postagem anterior é "O Bando". Lamentavelmente eles gravaram apenas este álbum que foi lançado no final de 1969 pela Polydor. Apesar da execelência musical, "O Bando" caiu totalmente na obscuridade. Acabaram passando batido no IV Festival Intenacional da Canção (FIC) onde defenderam o tema "Longe Do Tempo", de Danilo Caymmi e João Carlos Pádua, faixa que fecha o álbum e que contou com o arranjo de , ele de novo, Rogério Duprat.

Duprat também assina outro arranjo, o do tema de abertura do álbum: "...E Assim Falava Mefistófeles", composição instrumental com uma veia de rock progressivo/psicodélico ultra-visceral e de muito bom gosto, a autoria é creditada ao grupo. Outro arranjador que dá as caras por aqui é Damiano Cozzela, que veste três dos temas presentes no álbum, são eles: "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo De Barros, que ficou geniaaaaaal! Cozzela caprichou nessa, só a introdução que criou já vale o disco todo, "Alegria, Alegria" é outra que ganha nova dimensão, eu acho genial ver o mesmo cara arranjar um tema duas vezes e de forma totalmente distinta, ele foi o responsável pela versão de Caetano e ambos os arranjos são excelentes, embora o arranjo feito pr'O Bando seja mais contido, não deixa nenhum pouco a desejar, aliás, isso faz a canção crescer ainda mais.

O último tema que Cozzela vestiu é a composição "Quem Sabe", música de Carlos Gomes com poema de Bittencourt Sampaio composta em 1859, que ganhou um arranjo moderníssimo, tanto vocal quanto instrumental, com um "quê" de retrô. As outras 6 faixas receberam arranjo do próprio grupo, e, meus queridos, eles realmente sabiam o que estavam fazendo, nota-se claramente ecos de Beatles, Stones e dos Beach Boys.

A primeira que aparece com arranjo deles é "Fossa Boboca", segunda faixa do Lado A, composição de Sergio Szelwar e Carlos Lee, o início é meio gratuito, uma batera fazendo um crescendo de notas meio sem função, não acho que tenha funcionado bem, mas o restante acho muito bom, principalmente a parte vocal que entra no finalzinho, na sequência temos, de Jorge Ben e Toquinho, "Que Maravilha", diferente d'Os Brazões, nessa eles simplesmente arrasam, a introdução da música já é fuderosa e a parte vocal recebeu um tratamento especialíssimo que em alguns momentos me faz lembrar de "Pet Sounds", álbum dos Beach Boys lançado em 1966.

As 4 seguintes são todas de autoria ou de Hermes de Aquino (considerado o representante gaúcho do tropicalismo) ou de Laís Marques (sua prima) ou de ambos. "Vou Buscar Você", de Hermes e Laís, é uma espécie de bugiu (rítmo gaúcho) camuflado e misturado com rock'n'roll, psicodelia e com um final totalmente Beatles. "Sala de Espera", de Aquino e Laís, é fenomenal, a melodia nos leva a várias "ambiências", a parte vocal novamente muito bem arranjada, é talvez a que mais gosto (na verdade é difícil eleger a que mais gosto, rsrsrs). Li em vários lugares na rede a menção de que esta música foi participante do IV FIC e que foi defendida pela própria Laís Marques, porém, a única composição que aparece sendo interpretada por Laís e Hermes no IV FIC é "Flash", sendo assim não sei o que dizer com relação a este fato, mas uma coisa é certa, a música é excelente! rsrs.

Mais duas e concluímos o álbum, "Pela Rua Da Praia", de Laís, tem uma intro e um refrão chato pra caraaaaaaalho!!! Já na parte B e C a melodia guarda algumas surpresas que o arranjo ajuda a valorizar, mas volta logo pro terrível refrão. A que restou foi "Esmagando Sua Sorte", de Hermes, esta tem a mesma vibe de "Vou Buscar Você", só que aqui o rítmo gaúcho é mais evidente e fácil de identificar, é um "bugiu'n'roll" com direito a riff de viola no final, rsrs. Acho que é isso! Espero que gostem!


"...Pela rua da praia vou passear, pela rua da praia vou passear..." AAAAAAAAAArghh!!!rsrs


Para Baixar e Sair Sacundindo: O Bando - 1969 - O Bando


Para Saber Mais: Bio "O Bando"


Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Os Brazões - Os Brazões

Dois grupos que considero fazer parte do tropicalismo, lançaram seus álbuns de estréia em 1969, "Os Brazões" é um deles. A inserção desse grupo no movimento se consolida quando viram banda de apoio de Gal Costa durante a temporada da musa na famosa Boate Sucata no início de 1969 (exatamente aquela em que foi gravado o compacto de Caetano & Os Mutantes) e mais tarde acompanharam Tom Zé. Antes disso, apareceram tocando no IV Festival da Record com Tom Zé na então defesa de "São, São Paulo" e participando de seu primeiro álbum, que na última faixa, "Sabor De Burrice", cita a turma toda que participou das gravações. Outra importante participação foi como banda de Jards Macalé, defendendo "Gotham City" no IV Festival Internacional da Canção (FIC), acho que foram os únicos a registrar em disco esse tema na época.

Com uma vida fonográfica efêmera, segundo o Dicionário Cravo Albin, o grupo conta com apenas dois registros, um de 1969 e outro de 1970, este nunca ví, até achava que tinham somente o de 69. Dados biográficos a respeito do grupo quase não se encontra. Eles acabaram entrando pro grupo das bandas obscuras da década de 60/70. O integrante mais "famoso" do grupo é Miguel de Deus, que mais tarde gravou discos solo e montou outros grupos, todos tão obscuros quanto esse.

O álbum como um todo é bem legal, o repertório é dividido entre canções autorais e re-leituras de temas tropicalistas ou recorrentes de 1969.

A faixa escolhida pra abrir o álbum foi "Pega a Voga Cabeludo", de Gilberto Gil, num arranjo que mostra toda a verve do grupo e destaca já de cara os elementos que ganham um tratamento todo especial ao longo do disco, como percussão e guitarras. A parte vocal é interessante, mas as vezes chapa demais. O segundo tema do álbum leva a assinatura de Guilherme Dias Gomes e Luciano Bastos, "Canastra Real", tem uma veia meio Wes Montgomery no início que é bem legal, essa composição concorreu no IV FIC, segue abaixo um texto sobre a composição e o episódio:

"..."Canastra Real" foi composta por Guilherme Dias Gomes e Luciano Bastos, ela recebeu tratamento luxuoso para entrar no IV Festival Internacional da Canção com pé direito. Com orquestra regida por Rogério Duprat (o maestro da Tropicália) e a banda Os Brazões, que acompanhava a turnê de Gal Costa, a canção era vista como possível surpresa da competição. No dia da apresentação, Os Brazões também defenderam "Gotham City", composição de Jards Macalé e Capinan, cujo experimentalismo não foi bem recebido pelo público. "Gotham City" foi soterrada por vaias e a banda ficou marcada. Quando os músicos voltaram para tocar "Canastra Real", o público não quis saber de uma segunda chance. Para frustração de Guilherme, foram vaias massacrantes do começo ao fim da música."

A terceira faixa do álbum é mais uma composição assinada pela dupla Macalé / Capinan, "Módulo Lunar", que, creio, se tivesse participado do festival, seria tão vaiada quanto foi "Gothan City", rsrsrs, isso porque leva a mesma linha de experimentalismo, acho essa até mais exótica que "Gothan...". Seguindo temos mais uma de Gilberto Gil, "Volks Volkswagen Blue", num arrajo bem econômico, porém certeiro, gostei do arranjo. Ainda no Lado A temos "Tão Longe De Mim", composição de autoria de Lais Marques que me lembrou um pouco de "Paralamas Do Sucesso"! Deveria ser o oposto, não? rsrsrs. Essa é uma música que caberia nos 80 bem de boa... Com relação ao compositor, talvez o trabalho mais conhecido de Lais Marques seja a trilha da novela "A Idade Do Lobo" de 1972. Fechando o Lado A temos, de Jorge Ben e Toquinho ,"Carolina, Carol Bela", que ganhou uma introdução genial com uma "vibe" bem samba-rock.

O Lado B abre com uma composição de Tom Zé chamada "Feitiço", essa faixa também foi registrada por Tom Zé no mesmo ano mas lançada somente em compacto. Depois temos mais uma de Lais Marques, "Planador", seguida de "Espiral", a única canção assinada de fato por integrantes da banda, os autores são: Miguel de Deus e Sergio Luiz, eles deveriam ter assinado mais faixas pois é uma das melhores do álbum, o arranjo é excelente, aliás, falando em arranjo, o álbum foi todo arranjado pelo próprio grupo, isso aumenta ainda mais o mérito deles, tropicalistas sem Duprat! rsrs. A seguinte é a ultra-comentada "Gothan City".

Encerrando o álbum temos mais duas, a instrumental "Momento B/8" assinada por Rogerio Duprat e Brasilian Octopus, um Acid-Jazz genial, e "Que Maravilha", que ganhou um tratamento bem "nas coxas", é como se fosse continuação de "Carol, Carolina Bela" mas sem nenhuma novidade, eles fizeram uso da mesma base rítmica e acrescentaram um rifizinho bem jaguara, totalmente dispensável, deveriam ter concluído o álbum com "Momento B/8". Tirando esse detalhe, acho um disco bem foda, a cada ouvida tenho gostado mais. Acho que é isso, ficou grandinho esse texto, não? rsrsrs


"...Cuidaaaaaaaaaaaado!!!! Há um morcego na porta principal!!!..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Os Brazões - 1969 - Os Brazões


Para Saber Mais: Bio Miguel De Deus - Bio Os Brazões


Postado Por Marcel Cruz

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gal Costa - Gal

Dois álbuns lançados num mesmo ano. Gal entrou em 1969 com os dois pés e dê-lhe porrada! Lançado no final de 1969, esse segundo álbum solo de Gal vem recheado de psicodelismo, a capa, assinada por Dicinho já dá indícios do que tem nos sulcos do vinil. É, sem dúvida, o álbum mais visceral que Gal já fez, e a loucura não veio sozinha. Assinando os arranjos , ele, sempre ele, Rogério Duprat! E como banda de apoio os geniais Lany Gordin, que nesse álbum foi o responsável por: Baixo, Guitarra Base e Guitarra Solo, Eduardo Portes de Souza e Diógenes Burni Filho na bateria e Jards Macalé que, além de tocar violão, da uma enorme contribuição nos vocais em quase todas as faixas.

O álbum abre com a emblemática "Cinema Olympia", que tinha sido registrada por Caetano no lendário show, que depois virou disco, "Barra69" e, numa versão que serviu de guia pra gravação de Gal, em seguida temos uma composição de Jorge Ben chamada "Tuareg", essa faixa fez parte da trilha sonora do filme "Roberto Carlos e o Diamante Cor-De-Rosa", segundo longa do Rei lançado no ano seguinte (1970). A terceira faixa inicia com um solo de Lany que vem esmirilhando tudo, a composição é de Gilberto Gil e se chama "Cultura e Civilização", letra e música espetaculares. Quem aparece novamente é Jorge, Salve Jorge! Gal canta acompanhada por Gil e Caetano a excelente "País Tropical", hit absoluto de 1969 numa roupagem pra lá de alto-astral, quem ouve não faz idéa do clima tenso pré-exilio que pairava no ar, Gil rouba a cena e dá um show nos improvisos vocais. A canção seguinte foi composta por Roberto e Erasmo Carlos e feita sob medida para a musa da tropicália, o nome não poderia ser outro: "Meu Nome é Gal".

Gil aparece assinando mais duas composições: "Com Medo, Com Pedro" e "Objeto Sim, Objeto Não", a que mais gosto do álbum, ambas ultra psicodélicas e geniais, visceralidade é a palavra de ordem.

Para complementar Gal também grava, com participação de Jards Macalé, "The Empty Boat", composição de e gravada por Caetano Veloso no mesmo período.

Já que novamente tocamos no nome de Macalé é justamente ele e Capinam que assinam a faixa que fecha o volume "Pulsars e Quasars", tão doida quanto "Objeto Sim, Objeto Não", na verdade é difícil eleger qual delas seria a mais doida de fato, rsrsrs. Acho que é isso! Apenas uma palavra pro disco: GE-NI-A-LÍS-SI-MO!

Ah! Lany Gordin definitivamente é um show a parte!


"...A cultura, a civilização, elas que se danem, ou não..."




Para Baixar e Sair Sacundindo: Gal Costa - 1969 - Gal


Postado Por Marcel Cruz