segunda-feira, 15 de junho de 2015

Hypnotic Brass Ensemble - 2015 - Festival 351 Curitiba



       É muito louco quando uma banda gringa da qual você é muito fã vem tocar na sua cidade, e o melhor, praticamente no seu quintal, no meu caso específico, a uma distância de no máximo 5 quadras da minha casa. Isso me aconteceu no mês passado e foi muito marcante. 
         Meio OUT da programação cultural que tava rolando na cidade, uma amiga vem com a notícia: -Nego, você viu que vai ter Hypnotic no Festival 351? Eu: -Hã?!!?? Carááááleo! Onde? Quando? Quanto?

        Ao mesmo tempo que fiquei contente pra caráleo, constatei com pesar, que no dia do show eu estaria trabalhando, e o mais complicado, no mesmo horário. Comemoração e desolação simultânea, aquele conformismo complacente e inevitável, não tinha muito o que fazer. Essas coincidências já aconteceram outras vezes, afinal de contas, de maneira geral, músicos quase não vão assistir outros músicos nos finais de semana, aos sábados então nem se fala, as agendas quase sempre se chocam. Outro detalhe que me fez ficar mais de cara ainda: ingressos para o show pela bagatela de R$30!!!! Logo eu que a uns dois ou tres anos quando soube da vinda deles pro PERCPAN  no Rio de Janeiro, cogitei em me deslocar até a cidade maravilhosa só pra sentir essa hipnose sonora espancando meu peito, ia perder a parada na minha cidade, no bairro onde moro e por um preço beirando a entrada franca. 
     Mas ok, já totalmente conformado, na véspera da apresentação um dos jornais local solta a notícia de que o Hypnotic teve problemas com os vistos de entrada no país e que o evento estava sendo adiado para a semana seguinte, e o melhor, seria no Domingo! Era um tanto inacreditável isso ter acontecido. Domingo eu não iria tocar, logo, essa era pra mim e não ia perder por nada nesse mundo (to sendo um pouco exagerado eu diria).           

      Os excelentes e carismáticos integrantes do Hypnotic Brass Ensemble desembarcaram por aqui dia 24 de Maio, vieram direto de Sampa numa maratona de apresentações, mesmo com a agenda cheia, e nesse corre de ir daqui pra lá e vice versa, os caras chegaram chegando! A energia com que eles seguram a apresentação é contagiante, quem gosta aumenta seu gostar e quem não conhecia passa a admirar. Com o repertório bem escolhido, intercalando temas instrumentais com termas cantados os integrantes mantém a interação com seu público do começo ao fim, quase todos cantam, sendo assim, não da tempo de ficar enjoado desse ou daquele timbre, nada como fazer bom uso do material que se tem em mãos, eles fazem isso com maestria. 
     Todos os temas são muito bons, mas no momento que você ouve as primeiras notas de "WAR" é muito fácil sair do corpo, por mim já ficaria contente da vida com apenas esse tema, mas foram 10! 
       As execuções de "Ballick Bone"e "WAR", considero como os pontos altos do show. No final, hora do bis, teve um peito lê lê que esteticamente não era lá muito agradável de apreciar e além disso a dona dos peitinhos estava surtadona. Foi engraçado ver a manobra entre seguranças e banda na negociação para deixa-la no palco, o publico em coro pediu para deixar, ela gesticulava, e com seus peitinhos balançantes dizia para o público: - Eles não querem me deixar... , o percussionista foi mediar com o segurança, a garota ignorou a censura e ficou interagindo com a rapeize dos metais, acabou sendo divertido e tudo acabou bem. 
    Eu estava no máximo a 3 metros do palco, assisti de camarote e ainda consegui registrar o show inteiro, além da memória física tenho também a digital. Presentaço do Festival 351! Que venham as próximas edições e que imprevistos benignos como este sempre estejam latentes! 
     Abaixo segue o video de "WAR". Camera tremendo e enquadramento cagado em vários momentos mostram que ficar parado, era coisa impossível de acontecer. Uh te rê rê!!!

Para assistir e Sacundir:


Postado Por Marcel Cruz
        

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Tulipa Ruiz - 2015 - Dancê


     Com composições certeiras e um time de arranjadores do mais alto nível e bom gosto, Tulipa Ruiz coleciona acertos em "Dancê", terceiro álbum da carreira da cantora e compositora, que a cada dia vem cativando e conquistado mais fans. 
    Ao colocar "Dancê" pra rodar é impossível ficar parado, você vai no mínimo bater o pé, é uma pancada atrás da outra em deliciosos 49 quase 50 minutos que duram as 11 faixas que compõem o volume. 
    Além do time base que já a acompanha desde os trabalhos anteriores, temos aqui participações especialíssimas como a do genial João Donato em "Tafetá" e a do lendário Lanny Gordin em "Expirou", de Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro que além da participação também assinam, junto com o casal Ruiz e Luiz Chagas, a autoria de "Virou", e pra fechar com categoria: Metá Metá (Kiko Dinucci, Jussara Marçal e Thiago França) que da um brilho magistral em "Algo Maior".
    O núcleo central de compositores que assinam, praticamente todas, as faixas contidas no álbum é composto pela dupla Tulipa e Gustavo Ruiz, a exceção fica em "Old Boy" que é só de Tulipa. Os demais compositores que aparecem são: Luiz Chagas, os Cordeiros, Caio Lopes e Marcio Arantes que, além de ser o baixista do álbum, também divide os arranjos de metais com Jacques Mathias e Alberto Continentino.  
     O álbum é impecável, mas mesmo todas as faixas sendo excelentes tem algumas, eu diria a maioria nesse caso, que grudam e a gente não se cansa de ouvir. Pra mim as que fizeram isso estão em sequencia: "Reclame", "Expirou", "Jogo do Contente" e "Virou". 
       Por hoje é só amiguinhos! Heheeeeee, rs.

"...Era pra ficar no chão, deu pé decolou...  Era pra ter sido em vão, como é que durou?..."


Para ouvir e Sair Sacundindo: Streaming Tulipa Ruiz - 2015 - Dancê     

Para assistir e Sacundir: Virou   

Para Saber Mais: Homepage Tulipa Ruiz

    


Postado por Marcel Cruz


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ludovico Einaudi - 2009 - Nightbook


       Não é com muita frequência que isso acontece, mas sabe aqueles discos que você nunca viu na vida, acha a capa bacaninha e na loja/sebo ao dar aquela primeira passada de reconhecimento já fica todo contente como se tivesse acabado de descobrir mais uma nova história de mais pura afinidade? Você se empolga e fica com um pouco de receio de que talvez a coisa possa nem ser tudo isso, no entanto, leva e não vê a hora de chegar em casa para ouvir com calma e ter o veredicto real da situação.

       Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo ao me deparar com o álbum “Nightbook” de Ludovico Einaudi, lançado nos idos de 2009. coisa chegou até mim por acaso, até então eu não tinha sequer ouvido falar dele, mas cheguei num sebo e ele estava ali, me esperando. Desde então tem sido presença constante no meu dia a dia, esse álbum especificamente me lembra muito a obra de  Max Richter, possivelmente esse seja um dos motivos do “amor à primeira ouvida”.

      Ludovico como Max Richter vem de uma formação erudita mas consegue transitar muito bem entre universos variados, a fusão realizada por ele entre percussões, cordas e timbres eletrônicos/sintz é de uma categoria ímpar. O álbum contém 13 faixas (tudo: arranjos e composições próprias) e uma unidade perfeita, mas meu destaque vai para as seguintes faixas: 

       “Lady Labyrinth” e “Nightbook”, em ambas as faixas a alquimia entre piano cordas e percussão se faz perfeita, as conversas entre piano e cordas são de uma simplicidade certeira, nada de excepcional, porém na medida. Essas são, digamos que, as mais agitadas do álbum. Em “Indaco” e “Eros” ele mantém a orquestração piano/cordas, apesar de que no finzinho de “Eros” a percussão novamente dá as caras. A dramaticidade de “Eros” é de tirar o fôlego e faz com que música e título se misturem tão bem que você não consegue encontrar nome mais apropriado para a composição.

       A novidade na orquestração fica por conta de “The Crane Dance” onde além das cordas e piano, ouvimos também um vibrafone e um violão que dão um toque especial na composição. “Rêverie”, pra mim, casa perfeitamente com estrada, com ir embora. Tem um quê de saudade nostálgica nela que chega a ser inexplicável o violão aparece sorrateiramente novamente complementando toda essa sensação. Coincidentemente – ou não – a faixa que segue se chama “Bye Bye, Mon Amour”, e funciona quase que como uma continuação da anterior – isso pode não ter sentido algum, pois nem sempre o que o autor pensa é o que acontece com relação à leitura de sua obra, porém, pra mim faz todo o sentido. Bom, estamos praticamente no fim do álbum e “The Planets”, seria uma espécie de ‘corta pulsos’, ainda não sei se gosto ou não dela, me lembra um pouco a trilha do filme ‘21gramas’ e me traz uma melancolia meio sinistra - tipo a do filme - que não sei muito como explicá-la. Finalizando o volume temos novamente “The Nightbook” só que agora como “Solo”, sem cordas, sem percussão e que no CD era pra funcionar como aquelas faixas bônus escondidas, sacam? Nesse caso nem tão escondida assim, pois ela começa depois de breves 1min e 57seg do mais puro silêncio. 


       Agora é com vocês, apertem o play e boa viagem...


Para Tentar Baixar e sair Sacundindo: Torrent Nightbook (Não testei)

Para somente ouvir e Sacundir: Ludovico Einaudi - 2009 - Nightbook

Para Saber Mais:  Homepage Ludovico Einaudi 

Para Assistir e Sacundir: Ludovico Einaudi Live

Postado Por Marcel Cruz
Revisão: Ana Coralina

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Calle 13 - 2010 - Entren Los Que Quieran


        A todo o momento nos apaixonamos, talvez a paixão seja a grande mola propulsora que nos move de fato. Em música, pra quem está mais antenado, isso acontece inúmeras vezes. Mesmo não estando tão atento ao mercado de lançamentos - mercado, diria eu, que merece a classificação "dos mais sem graça".  Pois, "a cachaça curtida, por poucos anos que seja, é muito mais saborosa" - a descoberta de novos amores, de novas paixões é constante. Faz um bom tempo que tenho ouvido coisas bem bacanas, mas a preguiça ou a vontade de compartilhá-las vinculada à dificuldade de subir arquivos mais notificações me colocando como infrator de direitos autorais e afins me deixaram com o pau mole e o tesão de fazê-lo estava em nível baixíssimo. Mas vamos lá! colocando a preguiça de lado e paudurecência em pleno vapor resolvi falar... 
Dentre tantas coisas que ouvi, uma em especial me fez a cabeça...

        CALLE 13. Trio porto-riquenho que desde que apareceu no cenário musical vem dando o que falar, basta você ouvir os dois últimos álbuns que ficará bem fácil entender o porquê. Letras politizadas, alquimia de gêneros na medida exata, bom gosto nos timbres escolhidos e altamente dançante. A gênese e trajetória do grupo você pode ver nesse link aqui, se tiver um tempinho vale a leitura. 

        Conheci CALLE13 ano passado a partir de um vídeo compartilhado no FB, ao assistir me perguntava: como ainda não conhecia? A resposta foi simples: não temos o poder de conhecer tudo o que gostaríamos, mas o velho jargão é mais do que válido: "Antes tarde do que nunca". 

       Era o show do álbum "Entren los que quieran" lançado em 2010 e vencedor de nada mais que 8! Grammys - no total CALLE13  já ganhou 19 Gramys e é o grupo mais premiado até então na história dessa premiação. O disco é uma pancadaria do começo ao fim. A primeira faixa intitulada "Intro", é cheia da mais fina e elegante ironia do começo ao fim de seus 3.18 min, na sequência, percussão e guitarras fazem cama pra entrar o groove da batera e a metralhadora verbal de Residente que se faz porta voz de sua gente com "Calma Pueblo", influência oriental em "Baile de los pobres" e a impossibilidade de ficar parado (resista se puder), momento reflexivo em "La vuelta al mundo"  um reggae sem clichês de reggae (genial!!!). A próxima nos leva pro velho oeste de Sergio Leone e Ennio Morricone, inevitável não lembrar de "O bom, o mal e o feio" ou "Por uns dóllares a mais", já a letra de "La Bala" inevitavelmente me trouxe o começo do filme "O senhor das armas" na cabeça, de estourar os miolos, uma das porradas contidas na letra é essa: "hay poca educación, hay muchos cartuchos, cuando se lee poco se dispara mucho" a denúncia de que o problema se encontra no óbvio. "Vamos a portarnos mal" pero con dignidade! Essa é pra sair do corpo! 

       "Latinoamerica" uma das canções mais bonitas do álbum, arrisco dizer ser uma das mais bonitas já feitas em homenagem à America Latina. É praticamente um hino, a gravação ainda conta com a participação de Maria Rita, tanta porrada e ainda estamos na metade do álbum, seguindo...

      Uma vinheta instrumental faz o elo entre as metades, e o que chega rasgando são os scratches da envenenada e provocativa "Digo lo que pienso", que deixa bem claro seu recado. Como não poderia deixar de ser, o álbum com toda sua ironia e engajamento também tem seu momento mela cueca mas que logo é,  literalmente, extinto (há, rs) "Muerte en Hawaii". Fela Kuti e sua turma baixam em "Todo se mueve" e CALLE13 nos presenteia com o mais autêntico e dançante afrobeat que deve ter deixado Fela orgulhoso onde quer que esteja (atenção pro elegante solo de flauta). "El Hormiguero" é o último soco no estômago, percussão latina bem marcada, guitarras e vocal furando os ouvidos, nocaute certo 'en equipo se resuelve cualquier contratiempo, cuando te picamos picamos al mismo tiempo...'. Depois desse formigueiro todo, "Prepárame la Cena" num clima sério e sereno supostamente encerraria a empreitada, só que não! CALLE13 não faria isso com vocês, pra finalizar de fato o álbum temos uma vinheta que é a maior tiração de onda com direito a vaias e afins. Isso é CALLE13! 
       
       Espero que gostem tanto quanto eu! No link abaixo estou deixando o torrent com a discografia toda deles até 2010, caso se interessem é só baixar. Do contrário, no próprio torrent há a opção de baixar somente o que desejar, basta selecionar.
 
"No tengo mucha plata, pero tengo cobre!!! Aquí se baila como bailan los pobres" 



Para Baixar e Sair Sacundindo: Discografia CALLE13 - 2005#2010

Para Assistir e Sacundir: Calle 13 - Festival Viña Del Mar 2011

Para Somente Ouvir e Sacundir: Calle 13 - 2010 - Entren los que quieran

Postado Por Marcel Cruz
Revisão: Ana Coralina

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Arlequim - Bernardo Bravo

       É um orgulho tão grande que me invade quando escuto o trabalho de um amigo e esse trabalho me toca profundamente. 
       Isso acaba de me acontecer ao ouvir ARLEQUIM mais recente álbum de Bernardo Bravo. Sabe aquele tipo de disco que você quer ouvir quando está muito feliz, ou muito bem, ou deseja sentir-se bem ser abraçado pelo som e viajar?... Então, estamos diante de um desses! 
       Momentos únicos de você com você mesmo, em que no decorrer dos 49 minutos, milhares de sensações boas vão transpassar sua cabeça, e vão te deixar em estado de graça, talvez seja até um certo exagero meu, mas é assim que me encontro... 
       O velho jargão de Miles Davis de que "Menos é Mais" é inegável nesse caso: uma voz, um piano e nada mais... Aliás não precisa de mais nada ta tudo aí, são 14 composições todas assinadas ora por Bernardo ora por compositores da cidade ou residentes da mesma (Curitiba). Bernardo ainda arrisca e é certeiro na deliciosa parceria com Chiquinha Gonzaga que, esteja onde estiver creio que deve ter dado seu sorriso de aprovação, e é mais fácil falar do que menos gostei no volume do que do que mais gostei, pois apenas "Manjubinha"  a meu ver tira um pouco a unidade do álbum, mas isso é só um detalhe que nem deve ser levado em conta, pois temos ainda 13 faixas excelentes e que podem muito bem ficar no modo repet do seu aparelho, seja ele qual for.   
       O timbre de voz e as interpretações de Bernardo surpreendem, é claro que as coisas ficam mais fáceis quando estamos em boa companhia - fato que não desmerece em nada o que acabo de afirmar, mas apenas reafirma a qualidade do todo  - pois o time de pianístas/intérpretes e arranjadores é de primeira grandeza. Três geniozinhos dividiram a empreitada: Fabio Cardoso ficou com: "Manjubinha", "Blues", "Santa Maria", "A Geada" e "Trago". Bruno Piazza com: "Carnaval em Curitiba", "Cangote", "Saudade", "Coisado", "Lua Madrinha", "Quase Lá", "Zeppelin" e "Beijador". O terceiro e último foi Vinicius Nisi que imprime sua identidade em "Inimaginável". Fora isso ainda temos a participação de Mariana Barros, Augusta Zanette, Nina Araujo e Chiris Gomes que recitam versos em algumas das canções, além de Amanda Pacífico que divide os vocais com Bernardo em "Coisado" (fooooda, rs) e Livia Lakomy que faz o mesmo em "Zeppelin". É isso, agora é parar pra ouvir e se auto-presentear com momentos delícia... 

"... Deixa eu pular carnaval em Curitiba, deixa a poeira baixar..." 
     
Para Baixar e Sair Sacundindo: Bernardo Bravo - 2013 - Arlequim


Para Apenas Ouvir e Sacundir: SoundcloudBernardoBravo


Para Falar com o Artista: Facebook Bernardo Bravo

Postado por Marcel Cruz

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Violeta Parra - Andres Wood

              Cada vez mais me vejo voltando os olhos para a América Latina e cada vez me sinto mais surpreendido com o tanto de coisas maravilhosamente geniais que temos a nossa volta, música, literatura, cinema dentre outras maravilhas que você não vê e nunca vai ver na grande mídia (se nem os verdadeiramente bons daqui estão, que dirá os Latinos). Já faz algum tempo que ando apaixonado por Violeta Parra, mas nunca tinha parado para fazer tal declaração publicamente, uma mulher pra se admirar em todos os sentidos e que agüentou até onde pode as conseqüências de suas escolhas, ano passado saiu um filme biográfico de Violeta, excelente por sinal. Dirigido por Andres Wood que também dirigiu o genial Machuca. Andres foi sensível ao extremo, se privou de sensacionalismos e concebeu uma obra tão grandiosa quanto a retratada. Roteiro, fotografia, atuações, tudo tudo muito esmerado, a trilha já tava pronta então deve ter sido o que menos deu trabalho, pois escolhesse o que fosse seria acerto.

       Não lembro ao certo a primeira vez que a ouvi, mas lembro quem me indicou, na ocasião me interessei mas não corri logo atrás, mas meu nego quando parei pra ouvi-la foi soco no estômago, a coisa pegou de um jeito muito forte e desde então volt'meia ela se faz presente nas minhas apreciações. Pare escute, absorva cada acorde, cada verso, tenho certeza que vai te fazer tanto bem quanto faz pra mim...

         Logo Abaixo deixei o torrent onde você pode baixar o filme completo, mas aqui você pode ter uma idéia do que vai assistir: As 11 Melhores Canções que aparecem em Violeta Se Fue a Los Cielos:

                                        

Para Baixar Assistir e Sair Sacundindo: Torrent "Violeta Se Fue a Los Cielos"

Para Ouvir e Sacundir, último disco de Violeta Completo

                                      

Para Saber Mais: Biografia Violeta Parra

Postado Por Marcel Cruz

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Papai Virtual


      Coincidentemente hoje (era pra ter sido publicado ontem 11 de Agosto de 2013) é meu verdadeiro dia dos Pais virtual, a data não poderia ser outra para fazer tanto sentido, pois a exatos 6 anos eu dava a luz ao Sacundinbenblog com vagas idéias de como seria, porém, sem a mínima idéia de quanto duraria ou se duraria, a verdade revelada nesses 6 anos é que a duras penas e com momentos de enorme displicência o Sacundin esta aí respirando com ajuda de aparelhos, mas resistindo, um filho forte, mas que ultimamente vem sendo tratado com desdém, quem acompanha minhas postagens sabe que faz um tempinho que venho me martirizando por isso, e que também tenho feito promessas de uma frequência que não tem acontecido. Mas é isso, foi o que me disseram quando iniciei: 
                              "Criar é o mais simples, mante-lo é que será o grande desafio".
     No começo tudo é novidade e a coisa acaba te tragando de uma maneira incrível, eu fazia postagens diárias, em sua maioria com textos curtos e em certo modo soando bastante superficial, acabei descobrindo tendo conhecimento de causa que, o fator "quantidade versus qualidade" é uma das grandes verdades universais. Com o tempo os textos foram ficando mais elaborados e consequentemente mais espaçados, comecei a ter a necessidade de pesquisar com mais afinco antes de sair semeando qualquer  informação que pudesse ser faláciosa, isso acabou gerando uma demanda de tempo maior para cada resenha, é claro que existem um outro fator fundamental ao trato, a criação do Sacundin foi com a intenção de exercício de escrita, haja vista, que logo eu tinha que enfrentar uma monografia. Enquanto esse norte estava valendo segurei a onda, mas a medida que o trabalho ia chegando próximo de sua conclusão, o desdém passou a ser identificável... depois de monografia concluída aí a coisa degringolou de vez, e venho mantendo a paradinha bem nas coxas, mas como tenho um grande carinho pelo espaço estamos aí, dando o tempo ao tempo sem maiores cobranças, de qualquer maneira... 

Feliz dia dos pais pra mim e Feliz aniversário Sacundin!!!!     

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz - Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz

     
     Desde que ouvi falar da Orkestra Rumpilezz pela primeira vez e soube do que se tratava meu olho brilhou, a concepção vai de encontro com vertentes musicais que me fazem muito a cabeça, semana passada (08de Junho2013) tive a oportunidade de ve-los ao vivo a uma distância que tinha no máximo 5 metros! Confesso que foi de emocionar, composições executadas com a precisão de um atirador de elite, músicos extremamente entrosados e sob o comando de um maestro carismático e genial: Letieres Leites, o grande responsável pela empreitada. 
     A Orkestra Rumpilezz foi criada em 2006 e sua estréia em disco se deu em 2009 com este albúm aí e, como não poderia ser diferente, a qualidade musical do disco fez com que eles acabassem papando vários prêmios no ano seguinte. O álbum traz ao todo 9 composições todas assinadas por Letieres, tanto autoria quanto arranjos, e um total de 10 faixas pois uma das faixas se repetem e funcionam como vinhetas de abertura e encerramento do disco. Sobre o material gerado pela Orkestra, Letieres da a seguinte explicação:

"Tanto as composições quanto os arranjos são concebidos a partir das claves e desenhos rítmicos do universo percussivo baiano. As composições são inspiradas desde os toques dos Orixás do culto do Candomblé até as grandes agremiações percussivas, como o Ilê Aiyê, Olodum e Sambas do Recôncavo"

     Apesar do trabalho ser bem original ao ouvir fica muito evidente outras influencias/referencias de Letieres, nomes como o de Moacir Santos, Baden Powell, Hermeto Pascoal e Naná Vasconcelos são inevitáveis de se pensar. Fora outras que minha ignorancia impede de identificar mas que o ouvinte mais atento saberá de onde veio. "Aláfia", por exemplo, tem uns ataques da Orkestra que me lembram "Live and Let Die", tema composto por Paul MacCartney para o filme homônimo do agente 007 lançado em 1973, aliás, essa é uma característica que muito me atrai nesse álbum, ele cairia muito bem como trilha sonora de vários filmes de ação. "Anunciação", "Floresta Azul", "Taboão"(que tem um fraseado solo sincronizadíssimo entre trumpete e timbal de emocionar), é um tema melhor que o outro.  Como se não bastasse a orquestra por si só, ainda rola aquela Cereja pra arrematar esse quitute sonoro, Ed Motta participa com seu vocalize inconfundível de uma das faixas. Meu destaque vai para "Adupé Fafá", uma das melodias, arranjo e execução que mais gostei, foooooda!!!!
     Esse é o tipo de álbum daqueles que você possivelmente vai deixar na sua playlist durante um booooom tempo 


"...É isso aí! Vamo que vamo que o som não pode parar!!!..."
   

Para Baixar e Sair Sacundindo: Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - 2009 - LL & ORPL


Para Saber Mais: Homepage Rumpilezz


Para Assistir e Sacundir: Rumpilezz Orkestra - Coletânea de trechos das faixas contidas no álbum


Postado Por Marcel Cruz     

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Os Sete Gatinhos - Nelson Rodrigues e Neville de Almeida

     Minha adoração pelo cinema nacional deve ter começado quando eu tinha uns 10 anos de idade lembro que nessa época passava, na extinta rede Manchete, uma vez por semana, não lembro qual o dia, um programa chamado Cinema Nacional e o foco como bem diz o nome era a produção cinematografica Brasileira, pelo que bem me lembro eram títulos que hoje estão classificados como pornochanchada, na época já tinha essa classificação mas eu desconhecia. Eu não tinha TV em casa então sempre dava um jeitinho de pousar na casa de minha avó no dia do "Cinema Nacional", pra mim era o dia da "sessão punheta" pois aos 10 anos de idade a parada começa a fazer sentido e é o periodo da vida que você mais se acaba na bronha, kkkkkk.  Lembro que eu esperava ansiosamente que todos fossem dormir, a sessão começava tarde justamente para que as crianças já estivessem dormindo, eu burlava, e fazia de tudo pra dormir no sofá da sala.
     De toda a safra que assisti um me marcou muito e hoje vejo que o filme em si era digamos que um pouco pesado prum figurinha de 10 anos assistir. Mas enfim, vi, gostei do que vi e nunca mais esqueci. O filme em questão se chama "Os Sete Gatinhos" adaptação cinematografica do diretor Neville D'Almeida para a peça homônima de Nelson Rodrigues. De todo o filme o que sempre ficou muito fresco na memória foi um momento hilário, e pra mim altamente subversivo, em que "Seu Noronha" o pai da família vê na parede do banheiro desenhos obscenos e palavrões, sai furioso chama a mulher e todas as filhas... a câmera fecha no rosto de seu Noronha (interpretado magistralmente por Lima Duarte) e ele profere de maneira espetacular:

"Eu quero saber!... Quem foi que desenhou, caraaalhinhos voadores na parede do banheiro!?"

     Geniaaaaaalllll!!!! Apesar de cada um ter vida própria e serem coisas bem distintas é comum ouvirmos frases do tipo "Ah o livro é muito melhor que o filme", esse é um caso que foge a regra e  arrisco a dizer que o Neville conseguiu engrandecer ainda mais a obra de Nelson, ele só não a supera porque o Nelson é o Nelson né minha gente. As adaptações do roteiro foram muito felizes, essa dos caralhinhos por exemplo nem é tão marcante no livro, até porque Nelson não usa esse termo, no livro a fala é a seguinte: 

"- Quero saber, e você vai dizer, quem é que anda escrevendo palavrões lá no banheiro!" 

      Vocês hão de concordar que no filme a parada se torna antológica! Além de um roteiro muito bem adaptado a direção de ator está espetacular, um dos atores que até hoje não consigo gostar muito é o Antonio Fagundes, no filme ele interpreta a personagem Bibelot, o cara está genial eu nem botei fé quando revi o filme, na real nem lembrava que ele estava no elenco, outros que protagonizam cenas impagáveis são Regina Casé e Mauricio do Vale. O que acontece de fato é que o Neville consegue extrair o máximo de cada ator e isso deixa o filme mais interessante a cada minuto assistido. A trilha sonora é de Erasmo Carlos, com participações d'A Cor do Som e de Lulu Dos Santos (sic). A peça estreou em 1958 e o filme em 1980. Acho que é isso, espero que vocês se divirtam tanto quanto eu ao rever esse que pra mim é um clássico dentro da minha autobiografia cinéfila.    






Postado Por Marcel Cruz    

quarta-feira, 5 de junho de 2013

... Me dando conta e Prestando conta ...

        

           Bom Dia, Boa Tarde, Boa Noite meus queridos leitores e  ainda resistentes frequentadores desse espaço que tenho maior carinho em te-lo criado! Bom, foi a partir desse fato que hoje me pus a pensar buscando o motivo de tamanho descaso com o Sacundin ao longo desse último ano, esse é o seu 5º ano de existencia e eu nem comemorei, deixei a data passar batida sem nem se quer ter aparecido por aqui. Aí cá com meus botões fiquei questionando se meu desdém é/era pela falta de tempo como venho alegando quando me perguntam a respeito e cheguei a conclusão de que minha falta de tempo pro Sacundin começa mais ou menos na mesma data que comecei a ser um usuário mais assíduo da minha conta no Facebook... Touché! O tempo que eu levava gerando conteúdo é gasto em leituras de coisas fúteis ou que pouco acrescentam, vendo videos ora muito legais ora horríveis, enfim, fiquei triste pelo tempo deixado em branco, mas feliz por me dar conta disso. 
       Fora isso, uma outra questão relacionada é meu questionamento a respeito de um rumo praticamente ortodoxo relacionado as minhas postagens, pois a meu ver o suposto interesse não de todos mas de boa parte dos que por aqui passam, passa primeiramente por um interesse "sobremesístico", hum??? Ok, rs, eu explico... Bom, são poucos os que lêem o texto que acompanha os álbuns, haja vista o numero de acessos e o numero de comentários, não que esse seja um fato exato,   a maioria vem clica no link e nunca mais volta, logo, se as postagens não tiver links para download o interesse cai muito, ou seja, não tem a sobremesa. E essa sobremesa de uma maneira geral tem dado alguns problemas, alertando com notificações, os detentores dos tais direitos autorais - que muitas vezes nem perto chegam de seus autores - te apontam como um infrator, e te ameaçam... Já recebi algumas tantas e rede afora temos vários exemplos de atitudes mais severas como vimos com nosso amigo do UQT que ficou sem seus milhares de links, isso pra citar apenas um... Ta mas e daí? Sim... E daí?
       Daí que penso seriamente em transformar as postagens do Sacundin apenas em textos, links virão quando esse tipo de problema não estiver vinculado, essa reformulação toda me faz ter um outro tipo de abordagem, porém, já encontrei o áudio de vários albuns em links de youtube, o que quando encontra-los será de grande valia para ilustrar as respectivas postagens, de mais a mais creio que era isso que fiquei com vontade de falar, outra mudança é que o Sacundin vai abrir seu leque de assuntos e tudo que me der na veneta e se me der vontade vai ser desovado por aqui... Sendo assim, acho que to de volta mesmo um bem vindo pra mim novamente ao mundo do Sacundin!!! rs

E vamo que vamo que o som não pode parar!!!!

Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 4 de junho de 2013

O Cinema

     

     Desde que comecei o Sacundin, além dos discos e livros a idéia era também falar dos filmes que me marcaram, e passar as impressões que tive ao assisti-los, mas, um pouco com a desculpa de não saber muito como proporcionar a chance de que vocês pudessem assisti-los também o blog já ta indo pro seu 6º aniversário e até agora nada! Então acho que chegou a hora...

     O cinema entrou pela primeira vez na minha vida quando eu tinha 8 pra 9 anos, fomos com a colonia de férias da creche que eu estudei (por ter sido com a creche, até então eu achava que isso tinha se dado aos 6 anos, mas fui ver o ano do filme e descobri que eu já era maiorzinho) assistir a um super lançamento da época: "Lua de Cristal" com Xuxa Meneghel e Sergio Malandro (sim, eu infelizmente tenho um passado negro, vamos combinar que não é lá um bom começo, mas poxa vida não foi por minha livre escolha ou vontade, apesar que na ocasião eu ainda não tinha um discernimento apurado e pra mim estava tudo lindo, hoje acho isso pra lá de engraçado). Tela gigante, sonzão, filas e filas de poltronas, lugar propício pra sair já querendo voltar,  lembro muito pouco da sensação que tive durante o filme mas o evento em si me marcou bastante, tenho uma lembrança bem clara da entrada do Cinema, apesar de nada parecer com o que eu tinha na memória mais tarde vim a saber que o cinema era o já extinto Cine Plaza que ficava na praça Ozório. Passada essa primeira vez um hiato se fez e meu percurso pelo mundo cinematográfico se tornou bastante esporádico. Uma vez por ano e olhe lá, lembro de ser levado pra assistir Alladin (1992), Jurassic Park (1993) e Rei Leão (1994). 
     Em 1994 comecei a trabalhar de officeboy, aí meus caros como tava pelo centro e já tinha sido infectado pelo vírus da cinefilia ninguém me segurava, era um atrás do outro, como eu me bancava não tive problemas, o problema, que eu nem sabia ser um problema, era não ter ninguém me guiando e dizendo: - Assista isso, ou um: - Veja esse ou aquele. Vejam vocês que "Pulp Fiction" é de 1994 e eu não o vi no Cinema!!! Arrrrggghhhh!!!!! (mas pensando bem, talvez nem me deixassem assisti-lo, eu tinha só 13 anos). 
     Em casa a cultura de filmes era praticamente nula, venho de uma família evangélica e  na minha casa não era permitido nem assistir TV tanto que nem a tínhamos (fato que hoje já não vejo como tendo sido de todo ruim) o que dirá um video-cassete, ou seja, só me restava o cinema de rua (peguei a transição em que o império do cinema de rua era vencido pelas salas em shoppings, além do Plaza que foi um dos últimos privados a fechar lembro de ter frequentado os extintos: Cine Ritz, O Luz, Cine Condor, Lido I e II e o Cine Guarani que foi reinaugurado a pouco tempo)  ou um ou outro filme  de TV aberta assistido em casa de tios, avós ou amigos de escola. Passaram-se alguns anos eu com a vontade latente de sacar de cinema, de criar um repertório meu, eu tinha um carinho especial pelo cinema brasileiro,  queria saber mais a respeito, porém, com a idade e as condições que eu tinha na ocasião, não tava rolando -  um episódio que lamento até hoje relacionado ao tema é que aos 16/17 anos, eu já trabalhando na Radio Educativa como operador de áudio, recebemos para entrevista um convidado cineasta que depois de muitos anos e depois de eu cair babando pela sua obra fui informado pela Neli Pereira, ancora do programa na época, que o tal cineasta entrevistado era Rogério Sganzerla! A ignorância faz a gente perder cada coisa! Mas enfim, voltando... devido a minha falta de condição a coisa ficou adormecida, aos 20 anos comecei a namorar uma garota pra lá de especial e com uma família mais especial ainda, e pra melhorar ainda mais, todos cinéfilos! Ali a brasa adormecida do cinema começou a se reacender e pude ver muita coisa que o cinema de rua não podia me proporcionar, clássicos, cinema europeu e afins, começaram a invadir minhas retinas com frequência, éramos vizinhos de uma locadora e de cliente passei a ser funcionário da mesma! 
     Uma das exigencias era a de ter que assistir o máximo de filmes que pudesse, meus caros, imaginem se eu não gostei da idéia, como o acervo dessa locadora era fabuloso, pensei comigo: A hora é essa! Chegou meu momento de me inter(n)ar, e foi isso que aconteceu, na época eu chegava a assistir 3 filmes por dia, a idéia era me interar mais de cinema nacional, peguei um guia pra poder levar a coisa de uma maneira didática e as citações sobre escolas movimentos e estilos me fizeram ter que ir além e  começar do início... Lumiére, Meliés, Eisenstein, Griffith, Murnau, Lang, Tod Browing, Dreyer, Buster Keaton, Harold Lloyd, Mario Peixoto, Humberto Mauro... Me vidrei no expressionismo alemão, viajei no construtivismo russo, paixão aguda pela nouvelle vague, angustias mil com o neo-realismo italiano, reflexões profundas com Tarkovski, Vajda e Bergman, mergulho de cabeça no Cinema Noir, deleite puro com os westerns de Sergio Leone e chapação plena com o Cinema Marginal Brasileiro, um turbilhão de sensações a cada descoberta! Vi toda essa galera e mais um pouco, foi uma fase lindona e de um aprendizado prazerosíssimo! O emprego durou 2 anos e meio e além de filmes conheci muita gente bacana também...
     Agora com essa facilidade toda de encontrar tais preciosidades ao alcance de um click chegou a hora de na medida do possível compartilha-las com vocês! 
     É isso aí, vamo que vamo... Logo logo aparece a primeira resenha por aqui, aguardem!!!

PS* Caso eu não encontre o caminho para algum dos filmes terão de encontra-lo por conta, pode ser que  na locadora mais próxima a você  tenha! rs       


Postado Por Marcel Cruz

sábado, 25 de maio de 2013

O Terno - "66"


     Depois de um longo periodo de hibernação e preguiça, tres meninos me fizeram despertar dum sono que nem mesmo eu estava suportando mais e cá estou novamente numa tentativa de voltar a ativa com meu bloguinho querido!  
     Aaaaaaah tá... Mas o que que esses figurinhas tem de tão especial? Nem mesmo eu de fato o sei, mas o que sei é que me deixaram surpreso/perplexo. E o pior! Com algo que, sendo bem simplista e superficial, nada tem de novo, aliás, eles são nada mais do que um clássico Power Trio! 
     Mas alto lá! Que Power Trio!!!!! Idéias genias e bem acabadas com execuções impecáveis, somando a isso uma produção muito bem pensada, cuidado esmerado no visual e um nome forte que brinca com a ambiguidade. Senhoras e senhores, com vocês: O Terno! 
     Formado por Tim Bernardes, Victor Chavez e Guilherme D'Almeida, três figuras na casa dos 20 anos que dão de 10 a 0 em muito neguinho veterano, sei que esse comentário é pra lá de escrotinho pois arte não se mede, mas foi só para ilustrar mesmo minha primeira impressão ao ouvi-los. Sucesso de público e de crítica o trio vem conquistando seu lugar ao sol  na raça com muita maestria e o melhor de tudo com qualidade musical bem acima da média. É obvio que eles não surgiram do nada, ou por geração espontânea, o grupo teve inicio nos idos de 2009 mas somente ano passado (2012) é que lançou seu primeiro álbum de maneira totalmente independente! Mais uma vez um viva pra internet! O álbum intitulado "66" leva o nome da "música de trabalho" do trio e que tem letra melodia e clip pra lá de bem construidos! É uma espécie de desabafo e uma tiração de onda com as "atuais críticas contemporâneas dos dias de hoje" em que nada é bom o suficiente e etc etc etc... Uma síntese do panorama engraçada e genial! 
     Mas meus caros a parada na real começa muito antes de 2009 pois um dos integrantes - o frontman - vem sendo cozido desde que nasceu nos melhores temperos musicais que se pode ter em casa, filho do multiartista Maurício Pereira, Tim Bernardes chegou chegando, com a cabeça fervendo de boas referencias e de idéias mil. 
     O álbum de estréia é composto por 10 faixas 5 autorais e 5 releituras de músicas do pai. A minha única crítica negativa a respeito do álbum, mas de maneira alguma desmerecendo o trabalho que é muito bom, é que ele bem que poderia ser todo de autorais pois tenho certeza que material tão bom quanto eles devem ter, agora se for pensar e ver essa atitude como uma homenagem de Tim ao seu genitor e provavelmente maior incentivador da carreira do filho acho bastante válida, mas mesmo assim acho que poderia ser diferente pois além d'O Terno Tim já tem um trabalho muito legal com o pai chamado: Pereirinha e Pereirão. Das autorais, apesar de todas serem excelentes, destaco a já citada "66" e a genial "Zé, assassino compulsivo" que se me falassem que era uma música dos Mutantes que descobriram esquecida em algum baú eu acreditaria facinho facinho! As demais são músicas já conhecidas de quem acompanha o trabalho de Mauricio que também participa das regravações, ora nos vocais, ora com seu peculiar saxofone. Outras participações são de Marcelo Jeneci no orgão e de Dino Vicente (teclas das respeitaveis bandas paulistanas Som Nosso de Cada Dia e Joelho de Porco) no mini-moog.
     Teriam mais coisas a dizer a respeito d'O Terno mas deixo pra vocês, caso também gostem, fuçarem o site deles e ficarem por dentro de outros detalhes a respeito duirriminiiiinu!

"La la ra la la tchoc tchoc tchoc tchoc ai como eu gosto de matar..." 



Para Baixar e Sair Sacundindo: O Terno - 2012 - 66

Para Saber Mais: Homepage O Terno

Para Assistir e Sacundir: "66"

Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Baden Powell - Os Afro Sambas De Baden e Vinícius


Opa, Opa, Opa!!! Vocês acharam mesmo que eu ia comentar sobre esse álbum e passar batido? É claro que não, rsrsrs, até porque seria impossível... O segundo dos meus três preferidos de Baden.
O álbum foi lançado em 1966, e pesquisando sobre, descobri que a concepção se deu em 1962, ou seja, na época da gravação do "Swings..." ali em baixo.
Aproveitando a deixa, vou falar das minhas conclusões a respeito de Baden Powell:
Gênio absoluto, Baden é o cara que foi/é tão importante (ou mais, esse tipo de atribuição é extremamente delicada) quanto João Gilberto. Se João teve a grande sacada de sintetizar no violão a bateria da escola de samba, Baden, por outro lado, fez a sínteze da percussão dos terreiros de Umbanda, Candomblé e cultos afros de forma geral, são esses elementos que a gente encontra no violão "Badenpowelliano".
Os Afro-Sambas foram/estão de certo modo inseridos e diluídos dentro da Bossa Nova, quando deveriam ser considerados como um movimento a parte e único. Isso não é Bossa Nova que fique bem claro, não tem nada de "O Amor, o Sorriso e a Flor". Por aqui, temos algo muito mais visceral, muito mais porrada, passividade não tem vez, como vemos em 'Tempo de Amor': "...Ah, não existe coisa mais triste que ter Paz, e se arrepender, e se conformar, e se proteger de um amor a mais..." ou em 'Berimbau' (que não foi incluída no disco, mas é da safra): "...Capoeira me mandou dizer que já chegou, chegou para lutar... Berimbau me confirmou, Vai ter briga de amor, tristeza camará..." ou ainda em 'Canto de Ossanha': "...Coitado do homem que vai atrás de mandinga de Amor...".
Ao todo, segundo o que se tem notícia, foram 25 composições, pro álbum eles selecionaram 8 delas e gravaram sob arranjos e regência do Maestro Guerra Peixe, as participações de Betty Faria (!!!??) - é isso mesmo, a atriz, bem essa que você está pensando - que divide o vocal da faixa "Canto de Ossanha" com Vinícius e do Quarteto em Cy, nessa e nas demais são perfeitas. A concepção do álbum, impecável.
Um fato curioso é que Baden, não sei ao certo, mas creio, que nos últimos 10 anos de vida renegou esse álbum e sequer gostava de citar que o tinha concebido. O motivo? O que se comenta é que tal 'desfeita' se deve ao fato de Baden ter virado evangélico, logo, essa obra passou a ser coisa do Demônio!!! rsrsrs. Dou graças que isso não aconteceu com ele antes de 1962, pois correríamos o enorme risco da inexistência dessa obra-prima. E... saravá!!!!
"...Sou da linha de Umbanda... Vou num babalaôô, Para pedir pra ela voltar pra mim... Porque assim eu sei que vou morrer de dor..."

Para Baixar e Sair Sacundindo: Mais um link sendo extinto devido a uma notificação sobre infração de direitos autorais, e assim vamos nós! Discos que aqui não são reeditados, agora engavetados e impedidos de chegarem a um público maior, frente a esse panorama eu pergunto: Vocês acham que os artistas que geraram a obra achariam isso legal?


Para Saber Mais: Texto a respeito dos Afro Sambas

Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Gilberto Gil - Expresso 2222


Não, eu não abandonei o Sacundin! rsrs. Estou aqui novamente, é que a correria tá grande.
Bom, dando continuidade a nossa saga pós-tropicalista seguimos com outra série de porradas 'GilbertoGiltianas'.
"Expresso 2222", primeiro lançamento pós-exílio de Gilberto Gil, mostra ele em altíssima forma, o gênio retornou pra terra natal mais genial do que nunca. O álbum deixa bem claro a visceralidade contida num Gil que matava a saudade de seu berço, mas que também soube fazer uso de forma magistral do exílio trazendo uma bagagem que serviria como 'divisora de águas' dentro de sua carreira. Todas as transformações passadas pelo baiano resultaram num material denso e consistente, com uma pegada rock'n'roll, porém, incrustrado de brasilidade de "cabo a rabo". Um trabalho que revela pro mundo um Gil agora dono de uma maturidade musical que aumentava a cada dia.
Gil escolheu como tema de abertura do álbum a música "Pipoca Moderna", de Sebastião Biano, música que em 1975 ganharia letra de Caetano Veloso, essa gravação acabou sendo a estréia em disco de um dos grupos mais tradicionais do nordeste, a Banda De Pífanos De Caruaru. Sobre a gênese dessa escolha encontrei o seguinte texto escrito por Caetano Veloso:
"...Em 67 Gil passou um tempo no Recife. De lá ele trouxe o pique para o tropicalismo. E, principalmente, uma fita cassete com o som da banda de pífanos de Caruaru. Desde então, a pipoca moderna ficou em nossa cabeça, alguma coisa transando entre os neurônios, uma joiazinha de iluminação. De lá até aqui não perdi a esperança. sou feliz na pipoca desse canto e isso é muito firme. Estou inteiro quando há esse canto de pipoca moderna..."
No livro 'Verdade Tropical' ainda há comentários que dizem que o encontro com a banda de pífanos fez Gilberto Gil compreender a música popular como um meio de cultura de massa e o nacionalismo das canções de protesto como algo sem sentido e ultrapassado. A viagem a Pernambuco teria fornecido ao compositor baiano os dois limites entre os quais, do seu ponto de vista, deveria se referenciar a Música Popular Brasileira: a Banda de Pífanos de Caruaru e os Beatles. Nas páginas 130 a 134 do livro está tudo mais detalhado aqui é só um resuminho.
É a partir da segunda faixa que o Gilberto Gil começa aparecer de fato, mas primeiro vamos falar do time envolvido na empreitada. Gil, sempre em boa companhia, conta com um quarteto formado por Lanny Gordin (Baixo e Guitarra), Bruce Henry (Baixo), Antonio Perna (Piano e Selesta) e Tutty Moreno (Bateria e Percussão). Como se não bastasse ainda temos a participação de Gal Costa em uma das faixas.
A segunda faixa do álbum, "Back In Bahia", é uma espécie de balanço e desabafo das sensações e reflexões que o exílio proporcionou, Gil encerra a letra de uma forma incrível, veja:
"...Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar / Por algum tempo / Que afinal passou depressa, / como tudo tem de passar / Hoje eu me sinto / Como se ter ido fosse necessário para voltar / Tanto mais vivo / De vida mais vivida, dividida / Pra lá e pra cá. "
Genial!
Em seguida temos a versão mais 'roquenrou' já feita de "Canto Da Ema", música de Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale, que fez enorme sucesso na voz de Jackson do Pandeiro. Gil transmuta o baião que entra em nossos ouvidos nos deixando atordoados! A concepção do arranjo, os improvisos e a versatilidade de Gil deixam qualquer um impressionado.
Seguindo, Gil faz releitura de outro clássico que fez e faz sucesso até hoje, "Chiclete Com Banana", composição de Gordurinha e Almira Castilho, que também foi gravada originalmente por Jackson Do Pandeiro. Fechando o Lado A temos "Ele e Eu", uma das composições mais estranhas que já ouvi, realmente não sei dizer se gosto ou desgosto.
O Lado B abre com a excelente "Sai Do Sereno", composição de Onildo Almeida que conta com a participação de Gal Costa nos vocais. Eu sempre me deparo com textos creditando a mistura de 'roquenrou' com ritmos nordestinos, o "Forróck", a AlceuValença, eu discordo em número e grau, pra mim quem começa essa história é Gil e a gênese está aqui. Não me recordo de ter ouvido nada semelhante antes, talvez Antônio Carlos & Jocafi, mas ainda assim não vejo como intenção consciente.
Na seqüência entra em cena a faixa título "Expresso 2222". Gil optou por usar apenas violão e percussão para o acompanhar, nela e nas seguintes ele coloca a mostra todo o suingue contido em seu violão, simplesmente genial, ou melhor, 'gilnial', rsrsrs. Mais duas e concluimos o volume, são elas "O sonho acabou" e a enigmática "Oriente", gravada por Elis Regina em 1973.
Como bônus acrescentei "Cada Macaco No Seu Galho", composição de outro baianinho arretado chamado Riachão, essa conta com a participação de Caetano Veloso e foi gravada ao término das sessões do Lp e incluída como lado B do compacto "Chiclete Com Banana".
Além disso também incluí no arquivo dois vídeos de Gil. Logo que chegaram do exílio, Gil e Caetano fizeram um show juntos, é desse show as duas músicas: "Expresso 2222", onde como no álbum temos apenas Gil com seu violão e "Back in Bahia", com banda completinha. O momento mais engraçado dessa última é no finalzinho quando Caetano entra em cena e pira total! Um sarro. Deixei os links desses vídeos ali em baixo também. Espero que gostem...

"...O sonho acabou, quem não dormiu no sleeping-bag nem se quer sonhou..."

Para Baixar e Sair Sacundindo: Por causa deste link fui notificado como infrator dos direitos autorais (o que sabemos que não é bem a real) por isso é que o mesmo foi retirado

Para Assistir e Ficar Sacundindo: Expresso 2222 - Back In Bahia


Postado Por Marcel Cruz

Caetano Veloso - Transa


Apesar dos ecos serem ainda grandes já estamos bastante distantes do considerado historicamente como movimento Tropicalista. 1972 é o ano que vejo como conclusão de um ciclo iniciado em fins de 1967.
Em Janeiro os baianos voltaram do exílio, a coisa aqui continuava pegando fogo pois o país ainda estava sob a batuta de Médici. Em 1972/1973 foram realizados vários eventos culturais de fachada para mostrar que estava tudo bem. É nesse clima que nasce de fato um dos álbuns mais geniais de Caetano, senão 'O' mais genial, "Transa", que, segundo o que li foi uma alusão à "Transamazônica" que começava a ser construída.
As gravações tinham sido realizadas no semestre anterior em Londres para o selo FAMOUS, seria o segundo trabalho de Caetano nesse selo, o lançamento no Brasil aconteceu em Março de 1972.
O time que participa do álbum é outra reunião de feras: Jards Macalé, que também lançaria seu primeiro Lp em 1972 foi o responsável pelas guitarras e pela direção musical do disco, na bateria temos o genial Tutti Moreno, na percussão Áureo de Souza e no baixo o excelente Moacyr Albuquerque que faz toda a diferença, violentíssimo!
Na ficha técnica contida no encarte do Lp temos a seguinte informação: "Guitarra baixo: Áureo de Souza e Tutti Moreno" e como vimos ambos são percussionista e baterista. O álbum ainda conta com a participação de Gal Costa em 3 faixas e de Angela Roró tocando gaita de boca em "Nostatalgia". Outra falha existente no encarte é com relação a esta última informação, lá temos: "Flauta: Angela Roró (na faixa Nostalgia)", quando na verdade é Gaita de Boca.
O repertório é composto por 7 faixas das quais 6 são de autoria de Caetano e uma, "Mora Na Filosofia", é de Monsueto Menezes. Apesar da maioria das composições serem de Caetano e em inglês, ele faz uso de inúmeras músicas incidentais para engrossar o caldo de suas composições, todas em português e a maioria delas de outros compositores, uma forma de homenagem e também, creio eu, de mostrar o que influênciava sua música.
A faixa que abre o volume é a singular "You Don't Know Me". Na primeira vez que a canção é cantada, Caetano acrescenta ao refrão 2 citações. A primeira é "Maria Moita", composição de Carlos Lyra (...Nasci lá na Bahia, de mucama com feitor...) e a segunda é "Reza" de Edu Lobo (...Laia Ladaia Sabatana Ave Maria...), já na repetição Caetano faz uma auto citação colocando um pedaço de "Saudosismo", cantada simultâneamente por Gal Costa na primeira parte e, no refrão, além das duas citadas acima ele finaliza com "Hora Do Adeus" de Luiz Gonzaga (...Eu agradeço ao povo brasileiro...), ficou genial!
A segunda faixa contida no álbum é "Nine Out of Ten", o reggae entrando em cena por aqui. Veja o que Caetano disse a respeito numa entrevista cedida à jornalista do Jornal Do Brasil Márcia Cezimbra em 16 de Maio de 1991:
"...A minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, um vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Marley & The Waillers foram a melhor coisa dos anos 70..."
Na terceira faixa intitulada "Triste Bahia" Caetano coloca melodia nas duas primeiras estrofes do poema "À cidade da Bahia", do poeta baiano/português Gregório de Mattos e acrescenta alguns sambas de roda, cantigas de capoeira e afoxés a ela, a composição, instrumentação e o arranjo ficaram fenomenais.
"It's a Long Way", quarta faixa do álbum é ainda mais incrível, com certeza uma das que estão entre o Top 10 de Caetano e mais uma vez Caetano fazendo a festa com citações extremamente bem escolhidas. A faixa inicia num tom bem solene que vai ganhando corpo até chegar no refrão tudo num crescendo fantástico. No refrão Caetano repete a fórmula usada em "You Don't Know Me" e intercala quatro canções iniciando com uma composição do pernambucano Zé Do Norte, chamada "Sodade, Meu Bem Sodade", depois dessa vem uma que não sei de quem é a autoria, pode ser que seja de Caetano mesmo, os versos são o seguinte: "...Àgua com areia, brinca na beira do mar, a àgua passa a areia fica no lugar...". A outra que aparece é "Consolação", de Baden e Vinícius que Caetano emenda com "A Lenda Do Abaeté", de Caymmi fechando com chave de ouro a composição.
Quando a gente pensa que já ouviu o suficiente ele vem com outra porrada. "Mora Na Filosofia", de Monsueto Menezes e Arnaldo Passos é a "única" releitura declarada contida no álbum. Ela inicia com o baixo de Moacyr Albuquerque, seguido por Macalé que improvisa um pouco e entra num ostinato, a voz de Caetano vem lá do fundo num crescendo iniciando assim o fluxo melódico da composição, geniaaaaal!!!! E ainda tem a batera pra entrar, a percussão... fooooda! Só ouvindo pra ter noção. A finalização é extremamente rock'n'roll, chega que já to sem fôlego! rsrs.
Estamos na reta final, mais duas e concluimos o volume. "Neolithic Man", nessa Caetano e banda acompanhados por Gal caem na loucura total pra finalizar, excelente! rsrs. Fechando a odisséia temos "Nostalgia (That's What Rock'n'Roll Is All About)", como o título já entrega, Rock'n'Roll na veia! Composição nos moldes dos primórdios do gênero, com direito a Gaita de Boca e tudo, não poderia ser melhor.
Acabou? Não! rsrs. Tem a arte gráfica do álbum que é um caso a parte. O projeto gráfico é assinado por Álvaro Guimarães e Aldo Luiz. A capa é composta por três abas que quando encaixadas formam o que eles denominaram de "Disco-Objeto", parece uma capela ou um display, simplesmente genial, é , junto com a capa de "Expresso 2222" de Gil, a capa de Lp mais foda da música brasileira. Toda vez que a abro fico estupefato. Demais! Mandei ela escaneada no arquivo pra quem quiser se aventurar a monta-la, rsrs.
Apesar da capa ser genial Caetano ficou puto pelo fato de Álvaro Guimarães ter esquecido de colocar a ficha técnica com os créditos para quem participou das gravações, na verdade colocou alguns mas como vocês devem ter notado tudo errado, rsrs.
Sobre o álbum, Caetano declarou na mesma entrevista citada acima:
"...Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Àureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajour com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo...".
Precisa dizer mais alguma coisa? rsrsrs.

"...You don't know me, Bet You'll never get to know me..."


Para Baixar e Sair Sacundindo: Por causa deste link fui notificado como infrator dos direitos autorais (o que sabemos que não é bem a real) por isso é que o mesmo foi retirado



Postado Por Marcel Cruz

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Banda Mais Bonita Da Cidade - A Banda Mais Bonita Da Cidade


               Durante esse tempo que fiquei sem dar as caras por aqui muita coisa aconteceu no meio musical, mas muita coisa mesmo, eu de longe olhava, ouvia e pensava: 
            Poutz! eu tenho que falar disso no Sacundin!... Caramba isso daqui é muito bacana... enfim, inúmeras vezes me deparei com sons novos que poderiam não ser, temporalmente falando, novos de fato mas que pra mim naquele momento eram. O cenário da musica atual, apesar da grande mídia ir na direção oposta, tem me surpreendido bastante, tenho ouvido muita coisa bacana e discordo totalmente da premissa de que não se produz mais nada que preste. Creio que isso é válido para quem só assiste canais de TV e ouve as rádios dessas grandes corporações que sabemos bem quais são e como trabalham, a industria do entretenimento obsoleto está pouquíssimo interessada em formar uma platéia inteligente e que seja formadora de opinião, ou seja, a lei vigente nas mesmas se resume na máxima: "Quanto mais pasteurizado melhor!"
Dentre as coisas pra lá de legais que vi, ouvi e acabei acompanhando todo o processo de concepção embora mais no âmbito virtual está o álbum de estréia d'A Banda Mais Bonita Da Cidade...
A BMBDC, como a maioria dos que hoje a conhecem bem sabe, se tornou mundialmente conhecida a partir da postagem do videoclip de "Oração", que contagiou instantaneamente cada um que assistiu e fez com que esses espectadores quisessem compartilhar aquela magia/alegria toda que aqueles 6 minutos proporcionavam com todo mundo, (nesse momento o video já teve mais de 8 milhões e 800 mil vizualizações! É coisa hein! Gente que não acaba mais! rsrs).
Creio que como boa parte das pessoas que viram o clipe fiquei curioso para saber se a banda ia além daquilo, enquanto procurava fiquei me perguntando se o doce era de apenas 6 minutos ou se eles detinham a fábrica com outros sabores tão viciantes quanto... e meus caros...

Muito além de "Oração"...

Descobri que junto, ou melhor, um pouco antes do webhit eles tinham postado outros dois clipes que tinham sido gravados na mesma ocasião: "Canção Para Não Voltar", de Leo Fressato o mesmo compositor de Oração e "Boa Pessoa" de Thiago Chavez e Luis Felipe Leprevost, chapei, viciei e morri de arrependimento de não ter ido em nenhum dos shows que eles tinham feito na cidade. Confesso meus caros leitores que eu temia que eles tivessem somente essas 3 músicas e nada mais, porém depois de dar um tour pela rede catar um link aqui, um video ali, ler um pouco mais sobre meus amigos minhas suspeitas se confirmaram e meus temores se dissiparam, eles estavam preparados para o que viria pela frente, na real estavam prontos, só faltava uma vitrine e essa veio com muita oração, rsrs (desculpem o trocadilho infame, mas não resisti).
Bom até agora nenhuma novidade, certo? Mas e o disco? Será que vai condizer com o "Boom"?

Muito além do que parece...

O álbum "vazou" virtualmente um pouco antes do lançamento físico que foi feito aqui em Curitiba no Teatro Guaira e que tive a sorte de presenciar... O álbum é fooooooda! O show é foooooda!!!! E eles são tão foda quanto!!! Tudo compatível, impossível não sair em estado de graça após o show, mas chega de chorumelas e rasgação de seda e vamos ao que interessa... O álbum da BMBDC!
Com um total de 12 faixas o repertório congrega uma gama de compositores locais escolhidos a dedo, e diga-se de passagem, muito bem escolhidos! Alguns figuram mais de uma vez ao longo do volume outros apenas uma, mas tudo na medida que tinha de ser. A faixa de abertura é a divertida "Mercadoramama",  de Troy Rossilho, LF Leprevost, Otavio Camargo e Alexandre França em seguida temos "Aos Garotos De Aluguel" de Rodrigo Lemos, um dos integrantes da banda, em ambas reconheço ecos de Mutantes e afins. A terceira faixa é a singela "Boa Pessoa" de Leprevost e Thiago Chavez que participa da gravação. "A Balada da Bailarina Torta" é a primeira das três de Leo Fressato que aparece, a Banda criou um arranjo fantástico que nos leva pr'outro mundo, essa canção, talvez devido a parte da letra, me arremete a "Verdadeira História de Lily Braun" de Chico e Edu, música que faz parte do Grande Circo Místico. 
A música seguinte é "Oxigênio" de Dorival Torrente que pra mim é o arranjo mais tropicalista do álbum, um mix de Ennio Morricone, Jorge Mautner, 'Tango Do Covil' e  Mutantes,  com direito a vocais a la Gal Costa em seus tempos áureos. Não sei quais foram as referências deles mas eu encontrei isso tudo aí.  Prestem bem atenção na interpretação de Uyara, total “camaleoa”! Excelente!
Desse ponto em diante poderíamos considerar o lado B do álbum, as canções escolhidas são mais dramáticas e introspectivas. "Ótima" e "Solitária",  ambas escritas pelas mesmas mãos por Carlito Birolli, LF Leprevost, Matheus Lacerda e Troy Rossilho, seguem uma mesma linha que se complementam, outras duas de Leo Fressato e já bem conhecidas do público figuram nessa sequencia: a excelente "Canção Pra Não Voltar" e "Oração”, que praticamente some frente a grandiosidade das demais faixas. Mais três músicas complementam e concluem o álbum: "Nunca" de Vitor Paiva, quase uma cantiga de ninar, lindíssima e outras duas de LF Leprevost "Se Eu Corro", uma puuuuta declaração de amor que tem a participação do compositor no vocal e "Canção de Dar Tchau".
             Não me aprofundei detalhadamente faixa a faixa senão iria virar um jornal, mas prestem atenção ao esmero que eles tiveram em cada arranjo e na concepção de cada momento contido no álbum, coisa de gente grande...
Bom, é isso, voltei! Agora é com vocês e como eu sempre digo...

“Vamo que vamo que o som não pode parar!!!”





Para Assistir e Sacundir: Oração - Boa Pessoa - Canção Pra Não Voltar  


Para Saber Mais e Curtir: Pagina do Facebook


Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Pausa Devido a Correria

...
"Bom dia, boa tarde, boa noite amor, amo ô or..." 
É com essa música do Jorge Ben que inicío tal postagem pois não sei que horas você meu querido leitor estará lendo isso. 

Bom, to aqui pra me desculpar da ausência e avisá-los que estou vivo, rsrs. Apenas numa correria lascada (correria boa, graças a deus!), não sei quando volto, espero que logo, por isso peço que me avisem sobre links quebrados e afins, essa manutenção é susse de fazer, o difícil ta sendo sentar para escrever. De mais a mais é isso, tomara que em breve eu esteja sacundindo por aqui novamente, no momento ta embassado.
Mais uma vez meu muitíssimo obrigado pelas visitas, espero que continuem aparecendo por aqui, dêem uma geral no blog, desbravem o que já está aí, comentem!!! O sacundin só está de licença premio, mas continua vivivinho, vivinho.

É isso aí, vamo que vamo  que o som da vida não pode parar!!! Abraços!!! Valeu!!!


Marcel Cruz
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