terça-feira, 14 de outubro de 2008

Gil, Gal, Caetano, Nara & Os Mutantes - Tropicália ou Panis Et Circencis

"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia, resplendente, cadente, fagueira, no calor girassol com alegria, na geléia geral brasileira que o jornal do Brasil anuncia..."

1968... No ano que não terminou, um movimento se anuncia e chega com tudo, quebrando paradigmas, criando comportamentos, chocando o conservadorismo vigente e deixando fortes marcas na história musical brasileira, um concentrado de tudo o que havia em medidas esteticamente proporcionais e de admirável beleza.

A bossa nova, o brega, o trágico com um que de comicidade de Vicente Celestino, o rock'n'roll, as guitarras elétricas, o samba, os Beatles, Hendrix, a antropofagia, o cinema marginal de Sganzerla, o cinema novo de Glauber, o concretismo, Mautner, Hélio Oiticica, a pop art e mais inúmeras atitudes revolucionárias, são alguns dos ingredientes que fizeram engrossar essa geléia que teve em Gil, Caetano e Rogério Duprat a sua maior representação. Muitos outros também fizeram parte, mas musicalmente falando o núcleo principal é esse aí.

É o movimento que mais me pega, sou fã de bossa nova, mas a Tropicália me tira realmente do chão, foi paixão instantânea iniciada por uma fagulha incendiária contida nos últimos festivais da década de 60. Queimadura de 10º grau!!! Não larguei mais, os caminhos que se abriram dali pra diante só fizeram com que eu mergulhasse cada vez mais nos domínios tropicalistas.

Vou iniciar as postagens e pretendo fazê-las partindo de 1968 e indo até 1972/1974, vai ser por ano e não por artista.

O dossiê fonográfico tropicalista não poderia começar com outro álbum que não fosse esse: "Tropicália ou Panis et Circencis", lançado em agosto de 1968, é o disco manifesto, nele temos a síntese do que é o movimento tanto musicalmente quanto esteticamente. Cada faixa, uma faceta revelada, uma identidade, um conjunto de extrema coerência, no link abaixo (Dossiê Tropicalista) encontrei textos extraordinários que esmiúçam o assunto e nos dão um panorama excelente do "episódio". Para quem quiser saber mais é indispensável passar por ali, mas faça com tempo porque um link leva a outro e quando você se dá conta já passou mais de hora, (digo por experiência própria, acaba de acontecer comigo, rsrsrsrs). Mas dêem uma lida pelo menos nesse daqui, que passa um pente fino no disco, fantárdigo! rsrs.

Acho que por hora é isso.

"...Êêê bumba iê iê booooi, ano que vem mês que foi, ê bumba iê iê iêêê, é a mesma dança meu booooi..."

2 comentários:

Bel disse...

Não vou dizer que vou baixar pq esse já é de cabeceira..ahaha
SIMPLESMENTE FANTÁSTICO!!!
Me pego pensando que acho que isso não vai morrer nunca...acho que meus filhos, netos, bisnetos etc vão ouvir e continuar amando...afinal "É somente requentar e usar" ...não tem fim!!! haha

ADEMAR AMANCIO disse...

Também prefiro a estética da tropicália à bossanova.