quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

José Saramago - Ensaio Sobre A Cegueira

Inaugurando a seção de fato, vou começar pelo que acabo de ler. "Ensaio Sobre a Cegueira" romance do escritor lusitano José Saramago. Fazia muito tempo que um livro não mexia tanto comigo como esse o fez, terminei hoje pela manhã, agora são 23h30 e ainda estou meio atordoado, foi um chacoalhão interno que me deixou inquieto o dia inteiro e sabe lá até quando vai durar, recomendo porém aviso: Pode ser perigoso.

É engraçado como os livros encontram a gente no momento em que tem que ser lidos, a algum tempo que estou pra ler Saramago, inclusive dei esse livro de presente de natal em 2005 pra minha mãe, sabia que era bom mas ainda não tinha lido. Não conversei com ela a respeito, mas creio que deva ter sentido algo semelhante, é difícil passar por ele e sair imune.

Aí está pra quem quiser se arriscar, apesar do safanão vale muuuito a pena.

Sinopse:

Um dia normal na cidade. Os carros parado numa esquina esperam o sinal mudar. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. Em meio às buzinas enfurecida e à gente que bate nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, formando duas palavras: Estou cego.

Assim começa o novo romance de José Saramago. A “treva branca” que acomete esse primeiro cego vai se espalhar incontrolavelmente pela cidade e, em breve, uma multidão de cegos precisará aprender a viver de novo, em quarentena. “Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são”. E, de fato, o que se verá é uma redução da humanidade às necessidades e afetos mais básicos, um progressivo obscurecimento e correspondente iluminação das qualidades e dos terrores do homem.

Impressionante, comovedor, este romance é desde já um marco na literatura em língua portuguesa. É uma visão das trevas, uma viagem ao inferno, e a história de uma resistência possível à violência de tempos escuros. “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, e essa coisa é o que somos”, diz uma personagem. Com característico controle, José Saramago – e seu alter ego furtivo, no romance – luta aqui para combater a inadequação, ou insuficiência das palavras para resgatar o afeto perdido.

Às vésperas do fim do milênio, num período onde imperam, de um lado, a velocidade, a ganância e a abstinência moral e, de outro, a profecia e um misticismo compensatórios, o escritor vem nos lembrar a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. É um livro, então, sobre a ética, e é um livro também sobre o amor, e sobre a solidariedade. “Parece uma parábola”, comenta alguém no romance; mas sua força, como nas melhores parábolas, vem precisamente do realismo e da descrição, no limite do inominável.

Cada leitor viverá, aqui, uma experiência imaginativa única, no esforço de recuperar a lucidez. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” A epígrafe resume a empreitada do escritor, como de cada leitor. Não se trata só de reparar no significado das coisas, mas também de proceder à reparação do que foi perdido, ou mutilado – “uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.

Arthur Netrovski

(Texto extraído das abas do livro)



Para Baixar e Sair Sacundindo os Olhos: José Saramago - 1995 - Ensaio Sobre a Cegueira


Para Saber Mais: José Saramago Homepage


Postado Por Marcel Cruz

Um comentário:

Luiza disse...

Sei bem do que vc esta falando. Esse livro chacoalha mesmo. Ha uns 3 anos, um grupo de teatro apresentou uma adaptacao a esse livro no Teatro da Caixa. Eu li o livro depois, mas a peca ilustrou tao 'poeticamente' o livro q se eles ainda estivessem se apresentando, eu falaria pra vc ir correndo assistir. ;) Bjos, fica bem.