Para Assistir e Ficar Sacundindo: Expresso 2222 - Back In Bahia
Postado Por Marcel Cruz
Antes de começar o texto sobre o álbum quero deixar aqui meus sinceros agradecimentos ao especialíssimo Chico Arruda que ao saber que eu estava a procura deste álbum entrou em contato e teve a bondade de me enviar uma cópia dessa obra que até então estava perdida no tempo. Valeu mesmo Chico, essa postagem dedico a você!
Agora vamos ao disco:
O elo perdido! A lacuna que existia na discografia tropicalista acaba de ser preenchida!!! "Brasil Ano 2000", é a trilha do filme homônimo lançado em 1969. Os responsáveis pela trilha fazem parte da cúpula tropicalista. Gil, Capinam, Duprat e Caetano Veloso assinam as composições contidas no filme.
20 faixas das quais três são de Gil e Capinam, uma de Caetano Veloso e as 16 restantes levam a assinatura de Duprat. O tempo total do LP dura cerca de 32 minutos e carrega momentos memoráveis. De começo temos Gal Costa interpretando a excelente "Canção Da Moça", de Gil e Capinam, na ficha técnica não diz quem é o violonista que a acompanha, mas tenho quase certeza de que é o proprio Gil que o faz. Seguindo temos duas vinhetas de Duprat e outra canção de Gil e Capinam "Homen de Neandertal", interpretada por Gal e Bruno Ferreira. Mais uma vinheta e caimos no tema chamado "Retreta", tema que caberia em qualquer filme de Fellini sem destoar em nada, Duprat compôs um dobrado que deixaria Nino Rota morrendo de inveja (ah! Se Fellini tivesse ouvido isso! rsrs). Na sequência temos mais 5 vinhetas de tamanhos variáveis e que entre as quais Duprat desfolha citações de Felix Mendelssohn e de G. Rossini e são com elas que finaliza o Lado A do LP.
O Lado B abre com "Show de Me Esqueci", uma espécie de síntese do filme interpretada por Gal , Ênio Golçalves e Bruno Ferreira, nela estão praticamente quase todas as melodias que permeam o filme. O que segue é a composição "Coração", aqui Duprat re-utilizou a base do arranjo orquestral de "Coração Materno" gravado um ano antes para o LP "Tropicália ou Panis Et Circenses" e substituiu o vocal de Caetano Veloso por um solo de clarinete fazendo outra melodia, creio, sem dúvida alguma, que Duprat fez uso dos tapes de "Coração Materno" para o seu 'novo' "Coração" como uma espécie de play back, é curioso ouví-las uma seguida da outra.
Mais quatro vinhetas seguem na continuidade do álbum, duas merecem ser comentadas: "Duelo De Garfo e Faca", me arremete aos experimentos de Walter Smetak com suas propositais desafinações e diálogo entre os instrumentos e "Relógio Do Tempo", que devido a instrumentação escolhida é o tema mais singelo do álbum, impossível não gostar. Mais duas e concluímos o repertório do disco: "Escolha Da Liberdade", novamente Duprat revisita os temas que aparecem no filme e cria nova melodia que vai servir de ponte para o último tema do álbum. "Não Identificado", composição de Caetano Veloso que foi escolhida como canção adicional e que encaixou perfeitamente, não poderia ter sido melhor a escolha. Mais uma vez Gal deixa seu recado concluindo o volume de maneira magistral.
"...Vou andando, vou sonhando, vou sorrindo, seu sorriso sonho antigo em minha dor..."
Em 1970 Caetano Veloso não lançou nenhum álbum, o da Gal já foi postado anteriormente e o de outro grupo, que acho que foi o que melhor leitura fez do tropicalismo, Os Novos Bahianos, também já foi postado. Do time titular restaram ainda: Gil, Os Mutantes, Tom Zé e Duprat.
Comecemos com Gil.
Gil tinha acabado de chegar em Londres e recebeu a encomenda do cineasta (o mais foda do Brasil, na minha opinião) Rogério Sganzerla, diretor do genial e aclamado "O Bandido Da Luz Vermelha", para compor a trilha de seu novo filme. O filme se chamaria "Copacabana Mon Amour" e seria o marco de um novo gênero: a Chanchada Psicodélica. No elenco: Helena Ignez, Paulo Vilaça, Lilian Lemmertz, Guará e, entre outros, Otoniel Serra.
As gravações da trilha aconteceram em Abril daquele ano, foi feita uma única cópia desse material, e essa cópia foi enviada para Sganzerla montar o filme. Essa única cópia simplesmente sumiu e só foi encontrada 28 anos depois. Somente em 1998 e depois de muita procura, os tapes foram localizados nas mãos de um colecionador inglês por Marcelo Fróes, idealizador de uma caixa excelente que cobre a discograia de Gil na fase Philips (1967 até 1974 e com material extra até 77), acho que em 1976/77 Gil migra para a Warner.
O álbum é composto por 6 faixas, das quais duas são takes distintos de uma mesma canção, "Diga a Ela" (1ª e 2ª Versão). Segundo o que descreve o texto do encarte a concepção da trilha ocorreu da seguinte maneira:
"... Gravando voz e violão em dois canais, Gil depois gravou voz e violão novamente (para o efeito de dobra, graças ao qual ouvimos duas vozes e dois violões do artista, como se ele cantasse consigo mesmo). Por fim, Gil adicionou percussão e convidou o flautista amigo David Linger para dar um toque final. Péricles Cavalcanti também estava presente. O resultado ficou ótimo e duas fitas master estereofônicas foram montadas no estúdio londrino IBC em 23 de Abril de 1970..."
O álbum de uma forma geral é bem livre, dá-se a impressão de que cada canção saiu na hora, que tudo foi um grande improviso com momentos memoráveis de fluxo musical (o que pode ter realmente acontecido). Pra mim esse disco tem a mesma atmosfera de "Ogum Xangô", álbum gravado 5 anos depois com Jorge Ben.
Além das duas versões de "Diga a Ela", temos, "Mr. Sganzerla", que tem uma suinguera fenomenal, parece que baixa o santo em Gil. No que diz respeito as letras... bom, não creio que caiba aqui juízo de valor, são todas tão doidas quanto o filme, pra quem assistiu sabe o que falo, rsrsrs. Depois temos "Blind Faith" e "Yeh Yeh Yah Yah", esta última na mesma linha de "Diga a Ela".
A última tem um nome que adoro: "Tomorrow Vai Ser Bacana", vejo ela, ela e "Blind Faith" na verdade, como uma prévia do álbum que Gil lançaria no ano seguinte pelo selo londrino FAMOUS (álbum absurdamente genial, que foi uma das primeiras postagens do Sacundin: aqui). É totalmente a mesma "vibe", muito boa por sinal. Não acho esse álbum o mais genial e tampouco mudou minha vida como outros do Gil. Pra falar a verdade dependendo do dia e do estado acho meio chato, beirando o sacal, porém, no filme a trilha funciona muuuuito bem em todos os momentos que aparece. Quando ouvi pela primeira vez, há mais ou menos 7 anos, lembro que gostei mais, até porque tava todo empolgado com a caixa do Gil. Mas ainda assim vale a pena ouví-lo pelo menos uma vez na vida e, se gostar, outras mais, quantas quiser.
Ah! Com relação a capa tivemos que fazer outra, porque a original foi feita com um descaso tão grande que é inacreditável, dá até a impressão de que foi gerada por computador. Por mais que o disco não seja o mais foda do mundo não merecia uma capa daquela, rsrsrs. Espero que vocês tenham gostado da que fizemos.
É isso aí e...
"...Tomorrow vai ser bacana, vai ser bacana, bacana, bacana, bacana..." rsrs
1969 foi de fato o ano da psicodelia! Gil, Caetano, Gal e Os Mutantes não deixariam de contribuir para engrossar o caldo. O tropicalismo em si já tinha uma verve de psicodelia, para aderir de fato era só um passo, e, meus caros, nesse álbum sobrou maestria.
Na verdade o teor de psicodelia impresso nesse álbum, deve-se em grande parte a Rogério Duprat, pois Gil, que saía do país para o exílio, teve conhecimento somente das bases de voz e violão que entregara a Duprat antes da partida. Arranjos e direção musical sob a batuta de Duprat com uma mãozinha de Chiquinho de Moraes. Melhor impossível!
Duprat requisitou um time de primeiríssima grandeza. Lanny Gordin ficou responsável pelas guitarras, Wilson Das Neves pela Batera, Chiquinho de Moraes piano, órgão e arranjos de metais e no baixo Sergio Barroso. O álbum ainda conta com uma faixa declamada onde Gil divide o vocal com o poeta e Designer Gráfico Rogério Duarte (criador da capa) ,e é sem dúvida o ponto alto da discografia "Gilbertiana".
O repertório do álbum é formado por "apenas" 9 faixas. É desse disco a clássica "Aquele Abraço", única faixa realmente conhecida do volume. As demais faixas caíram num anonimato profundo, com exceção de "Cérebro Eletrônico", regravada por Marisa Monte no seu "Barulhinho Bom", lançado em 1996 e, "2001", que por ser dos Mutantes é mais conhecida. Bom, nos restam aí mais 6 jóias raras.
O Lado A abre com a já citada "Cérebro Eletrônico", a primeira desconhecida é a excelente "Volks-Volkswagen Blue", que Gil regravaria numa versão em inglês dois anos depois em seu primeiro álbum gringo, depois vem "Aquele Abraço". Em seguida temos "17 léguas e meia", composição gravada originalmente por Luiz Gonzaga, numa versão que é um misto de Funk e Baião, costurado pelos geniais riffs de Lanny Gordin e, fechando o lado A, temos "A Voz Do Vivo", composição de Caetano Veloso, que no ano anterior tinha feito "A Voz Do Morto", aqui outra vez Lanny Gordin rouba a cena.
O Lado B abre com "Vitrines", uma das mais genias composições de Gil, sem falar que a concepção de Duprat pro arranjo foi/é espetacular, sou fanático por essa. A seguinte é " 2001", composição de Tom Zé e Rita Lee, que aqui ganha uma roupagem bem peculiar e nem sequer faz lembrar a versão dos Mutantes, e olha que quem arranjou a dos Mutantes também foi Duprat. Outras duas fecham o volume, a incrível e lisérgica "Futurível" e a ultra-lisérgica "Objeto Semi-Identificado". Lembram que na postagem do "Sgt. Pepers" eu acrescentei uma faixa do "White Album" (Revolution 9) e comentei que ela influenciou o tropicalismo, e que isso apareceria neste álbum? Pois bem, o reflexo de "Revolution 9" é "Objeto Semi-Identificado". MegaUltraPowerExcelente! Composição de Gil, Rogério Duarte e Duprat. Rogério Duprat foi pro além genial nessa.
Como bônus acrescentei mais 3 faixas que não constam na versão original. São elas: "Omã Iaô", lançada como lado B do compacto de "Aquele Abraço" no mesmo ano. Na sequência coloquei uma outra versão de "Aquele Abraço" que tem quase 2 minutos a mais de improviso de Gil no final, e pra fechar o pacote incluí uma faixa que na verdade deveria ter ido no disco anterior dele, "Queremos Guerra", composição de Jorge Ben, que Gil gravou acompanhado por Jorge e Caetano para um álbum de festival em 1968.
Sacundin é o que não falta nesse disco EX-CE-LEN-TE!!! É isso aí!
"...Eu gosto mesmo é de comer com coentro, uma moqueca, uma salada, cultura, feijoada, Eu gosto mesmo é de ficar por dentro, como estive na barriga de Claudina, uma velha baiana cem por cento..."
Para Baixar e Sair Sacundindo: Gilberto Gil - 1969 - Gilberto Gil
Postado Por Marcel Cruz

Lançado em Maio de 1968 essa é uma das obras mais geniais já concebida na extensa carreira de Gil, todo arranjado pelo mago Rogério Duprat, e ainda de quebra temos a participação dos Mutantes em todas as faixas. O que me dizem disso? rsrs.
Tanto na parte gráfica, quanto no conteúdo musical, notam-se os ecos de 'Sgt. Pepers'. Gil foi o que mais sofreu influência do quarteto britânico, fato bem fácil de notar na sua obra, principalmente nesse álbum. O álbum em si é composto por 10 faixas únicas e cheias de peculiaridades.
O volume abre com "Frevo Rasgado", parceria de Gil e Bruno Ferreira, seguida da excelente "Coragem Pra Suportar" e "Domingou", essa em parceria com Torquato Neto, é sem dúvida a mais "Beatle" do álbum, os vocais e o clima da canção são totalmente Beatles. Pra completar o Lado A do Lp temos mais duas composições excelentes: "Marginália II", mais uma parceria de Gil com Torquato Neto, que parodia Gonçalves Dias e sua Canção do Exílio, o arranjo de metais é fuderosíssimo, Duprat em altíssima forma. Fechando o Lado A temos o iê-iê-iê "Pega a Voga Cabeludo", que em certa altura parodia o tema "Pobre Menina" da Jovem Guarda, tema que já era uma paródia/versão composta e gravada por Leno & Lilian.
O Lado B abre com a incrível "Ele Falava Nisso Todo Dia", o arranjo de cordas lembra um pouco 'Eleanor Rigby', outro destaque nessa música, além da letra é claro, é a viola que acompanha o tema do início ao fim. Não sei se quem toca é Gil ou Sergio Dias, mas seja quem for detonou! Em seguida, temos uma versão pra lá de rockn'roll de "Procissão", que Gil já havia gravado em seu álbum de estréia.
Como a sobremesa sempre vem no finalzinho, Gil fez conforme manda a tradição. As três últimas estão no rol das composições mais bem elaboradas e concebidas da música brasileira: "Luzia Luluza" é... Não consigo encontrar uma classificação condizente, beleza plena, sinceramente não sei o que dizer, pois é muito, mas muito fooooda é a que mais me pega nesse disco, depois temos "Pé Da Roseira" que tem um arranjo bem econômico mas na medida exata, a batera, o baixo, a guita e o violão em ostinato são espetaculares. Fechando o volume temos "Domingo No Parque", foooooooooooooooda!!!
Os Bônus, vamos lá:
Além das oficias temos mais quatro faixas das quais três foram lançadas em compacto e a quarta nunca tinha saído em lugar algum. São elas: "Barca Grande", lançada em Março de 68 como lado B do compacto de "Pega a Voga Cabeludo", depois temos "A Coisa Mais Linda Que Existe", parceria com Torquato Neto - essa era pra fazer parte do álbum, "Tropicália ou Panis Et Circencis" ficou de fora para Nara Leão poder entrar com "Lindonéia", mas foi gravada no ano seguinte por Gal Costa em seu álbum de estréia.
As duas últimas que temos saíram num compacto em outubro de 68: Lado A, "Questão De ordem", que concorreu a eliminatória paulista do FIC (Festival Internacional da Canção) daquele ano, foi desclassificada, quem acompanha Gil na gravação dessa são os Beats Boys. No Lado B temos a divertida: "A Luta Contra a Lata ou A Falencia Do Café", com os Mutantes e um Chacrinha interpretado pelo próprio Gil no começo. Ela acabou ficando prejudicada no mercado pelo insucesso do Lado A.
É isso aí!!!
"...Minha terra tem palmeiras / Onde sopra o vento forte / Da fome, do medo e muito / Principalmente da morte / Olelê, lalá..."
Ah! Tava esquecendo, a capa é assinada por Rogério Duarte.
Para Baixar e Sair Sacundindo: Gilberto Gil & Os Mutantes - 1968 - Gilberto Gil
Para Saber Mais: Gilberto Gil Bio Homepage
Para Assistir Sacundindo: Domingo No Parque
Postado Por Marcel Cruz
"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia, resplendente, cadente, fagueira, no calor girassol com alegria, na geléia geral brasileira que o jornal do Brasil anuncia..."
1968... No ano que não terminou, um movimento se anuncia e chega com tudo, quebrando paradigmas, criando comportamentos, chocando o conservadorismo vigente e deixando fortes marcas na história musical brasileira, um concentrado de tudo o que havia em medidas esteticamente proporcionais e de admirável beleza.
A bossa nova, o brega, o trágico com um que de comicidade de Vicente Celestino, o rock'n'roll, as guitarras elétricas, o samba, os Beatles, Hendrix, a antropofagia, o cinema marginal de Sganzerla, o cinema novo de Glauber, o concretismo, Mautner, Hélio Oiticica, a pop art e mais inúmeras atitudes revolucionárias, são alguns dos ingredientes que fizeram engrossar essa geléia que teve em Gil, Caetano e Rogério Duprat a sua maior representação. Muitos outros também fizeram parte, mas musicalmente falando o núcleo principal é esse aí.
É o movimento que mais me pega, sou fã de bossa nova, mas a Tropicália me tira realmente do chão, foi paixão instantânea iniciada por uma fagulha incendiária contida nos últimos festivais da década de 60. Queimadura de 10º grau!!! Não larguei mais, os caminhos que se abriram dali pra diante só fizeram com que eu mergulhasse cada vez mais nos domínios tropicalistas.
Vou iniciar as postagens e pretendo fazê-las partindo de 1968 e indo até 1972/1974, vai ser por ano e não por artista.
O dossiê fonográfico tropicalista não poderia começar com outro álbum que não fosse esse: "Tropicália ou Panis et Circencis", lançado em agosto de 1968, é o disco manifesto, nele temos a síntese do que é o movimento tanto musicalmente quanto esteticamente. Cada faixa, uma faceta revelada, uma identidade, um conjunto de extrema coerência, no link abaixo (Dossiê Tropicalista) encontrei textos extraordinários que esmiúçam o assunto e nos dão um panorama excelente do "episódio". Para quem quiser saber mais é indispensável passar por ali, mas faça com tempo porque um link leva a outro e quando você se dá conta já passou mais de hora, (digo por experiência própria, acaba de acontecer comigo, rsrsrsrs). Mas dêem uma lida pelo menos nesse daqui, que passa um pente fino no disco, fantárdigo! rsrs.
Acho que por hora é isso.
"...Êêê bumba iê iê booooi, ano que vem mês que foi, ê bumba iê iê iêêê, é a mesma dança meu booooi..."

Estamos chegando na reta final, penúltimo álbum do nosso querido, amado, idolatrado, salve salve Jorge Ben, ao lado de outra lenda (viva?): Gilberto Gil. Aqui se concretiza o projeto cuja gênese está no festival Phono 73 em que ambos dividiram o palco em duas músicas, "Jazz Potatoes" e "Filhos De Gandhi" (as duas estão incluídas no post "A Tábua De Esmeralda"). O álbum é uma loucura só, saiu originalmente em edição dupla (a primeira capa aí em cima), porém existem três edições diferentes das quais duas eu tenho e... Se tem alguma coisa de que me arrependo toda santa vez que lembro é disso! a terceira edição eu vi uma vez na vida e deixei passar, conclusão: nunca mais me deparei com ela novamente, mas voltando... A segunda edição saiu de modo compacto em um único volume, todas as faixas foram editadas e cortadas pela metade (a segunda capa aí) e a terceira (que penso ser a terceira) saiu com ambos os discos iguais a primeira edição, porém, separados cada um com uma capa diferente no qual um se chamava "Ogum" e conseqüentemente o outro "Xangô", a arte gráfica deles é fenomenal (tenho uma vaga lembrança do visual).
Reza a lenda de que esse disco foi gravado duma vez só, numa madrugada de 1975 e que a Jam teve até participação de Cat Stevens que estava de passagem pela terrinha, agora... Se isso é realmente verdade só deus sabe rsrsrs (ou não!) rsrsrs.
De um lado temos Gil e do outro Jorge totalmente em stereo, no centro Djalma(?) na percussão e Wagner(?) no Baixo. O álbum teve produção de Paulinho Tapajós e Perinho Albuquerque.
O repertório do disco é composto por 9 faixas das quais apenas três eram "inéditas", são elas: "Meu Glorioso São Cristóvão" que abre o Disco 1, ainda no Disco 1 "Jurubeba" e a terceira é "Sarro" vinheta de encerramento do Disco 2. As demais: "Nega", numa versão irreconhecível, "Quem Mandou (Pé Na Estrada)", que tinha sido gravada por Wilson Simonal em 1973 mas que aqui parece outra música, lembra um pouco a introdução de "Amante Amado" gravada no álbum de 1978 rsrsrs, "Taj Mahal", é aqui que aparece pela primeira vez a letra dessa música até então sem, "Morre O Burro, Fica O Homem", "Essa é Pra Tocar No Rádio" e "Filhos De Gandhi".
É um álbum pra ouvir com calma, talvez a princípio nem tudo agrade, mas insista que é dos mais fodas também. Acho que é isso, chega de papo né? Abração...
"... Meu glorioso São Cristovão... Livrai-nos do pecado e da perdição..." (hummmm... será? Melhor nãaaaaaao, deixe estar) rsrsrsrs
Siiiiiiiim é ele mesmo, o nosso ministro na sua fase mais lisérgica, este álbum ele gravou quando esteve exilado em Londres, voz violão baixo e percussão, precisa mais? O disco ainda conta com participações de Chris Bonnett e de Stevie Windwood (cabeça da extinta banda Traffic). Todo o clima do disco te reporta pra época e músicas como "The Three Mushrooms" e "Babylon" nos dão uma idéia de em que planeta Gil estava transitando. Essa edição traz além das oficiais três faixas bônus gravadas ao vivo numa apresentação feita por Gil logo que voltou pra terrinha. Apertem os cintos e Boa viagem!!!