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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Jards Macalé - Aprender a Nadar

Dois anos depois do primeiro disco solo, Jards chega esbofeteando geral com esse que considero um dos álbuns mais geniais da música brasileira:

"Jards Macalé apresenta a linha de morbeza romântica em Aprender a Nadar"

Lançado em 1974, o álbum contou com arranjos de Macalé, Perinho Albuquerque e Wagner Tiso. Os músicos participantes fazem jus ao resultado, como são muitos citarei apenas alguns: Robertinho Silva (Bateria e Percussão), Dino (Violão 7 Cordas) e Meira (Violão), Canhoto (Cavaquinho), Rubão Sabino (Baixo), Tutti Moreno (Bateria), Carlinhos Pandeiro de Ouro, Zeca da Cuíca e Wally Saillormoon.

O repertório é fabuloso! Com participação de Ana Maria Miranda e Lygia Macalé, a primeira faixa intitulada "Jards Anet Da Vida" é uma especie de auto apresentação que Jards faz sobre um texto de Gilberto Gil misturada com mais três composições chamadas: "Dois Corações" de Herivelton Martins e Waldemar Gomes, "No Meio Do Mato" de Jards e "O Faquir Da Dor" de Jards e Wally. Concepção genial!

Seguindo temos "Rua Real Grandeza", composição de Jards e Wally, a interpretação de Jards não poderia ser melhor, em perfeita sintonia com a melodia e com a letra, coladinha nessa temos "PAM PAM PAM", de Paulo da Portela, faixa que funciona como vinheta no álbum.

"Imagens", composição de Walzinho e Orestes Barbosa (exatamente o mesmo de "Chão De Estrelas"), tem uma letra muito fooooda, o arranjo é de Perinho Albuquerque, rei da elegância e das sutilezas. Ainda temos três faixas para fechar o lado A do disco, são elas: "Anjo Exterminado", um dos melhores sambas da dupla Jards e Wally, "Dona De Castelo", também da dupla e por último "Estatuto de Gafieira", excelente samba de Bily Blanco que discorre sobre o que não deve ser feito na gafieira, genial!

O Lado B do álbum, não poderia começar melhor. "Mambo Da Cantareira", composição de Barbosa da Silva e Eloi de Warthon, é um tema pra lá de dançante, a lamúria de um cidadão que mora em Niterói e viaja na cantareira todos dias pois trabalha em Madureira (quase 40Km de distância, rsrs), provavelmente deve ter sido de onde saiu o nome do álbum. Na sequência temos "E Daí?...", composição do genialíssimo Miguel Gustavo, que Wagner Tiso arranjou de forma magistral acrescentando o tema "Mora Na Filosofia", de Monsueto, como música incidental. Em seguida entra em campo a 'dona boa lá de Cascadura': Oróra, "Oróra Analfabeta", composição hilária de Gordurinha e Nascimento Gomes, fala da tal dona que é um espetáculo 'mas não sabe ler e nem tampouco escrever', rsrsrs, fantárrrdigo!!!!

O volume segue com mais duas composições, o bolero "Senhor Dos Sábados" de Macalé e Wally e "Bonéca Semiótica", de Macalé, Rogério Duarte, Duda e Ricardo Chacal, no arranjo Perinho Albuquerque faz uma citação de "Insensatez" de Tom Jobim, caiu como uma luva, ficou perfeito!

A conclusão do disco se dá com uma vinheta em off de "Dois Corações", música que na primeira faixa é apenas declamada, cantada por Lygia Macalé que encerra a 'mini-canção' com uma risada bem gostosa. O disco acaba e você já tem vontade de ouví-lo novamente...

"...O beijo é fósforo aceso, na palha seca do amor

Porém, foi teu desprezo que me fez compositor..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Jards Macalé - 1974 - Aprender a Nadar


Para Saber Mais: Bio 1 - Bio 2 - MySpace Jards 1 - MySpace Jards 2


Postado Por Marcel Cruz

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Jards Macalé - Jards Macalé

Outro figurinha de extrema importância no âmbito tropicalista foi Jards Anet Da Silva, Jards Macalé ou apenas Macal, nome que Caetano invoca para solar em "Nine Out Of Ten" no LP Transa.

Até o episódio de "Gothan City" Macalé estava participando do movimento mais nos bastidores. A carreira fonográfica de Macal se dá apenas em 1970 com o lançamento de um compacto duplo que continha quatro faixas, esse compacto é bastante difícil de se conseguir em perfeito estado, na cópia que tenho tentei dar uma melhorada no som mas sinceramente ainda não fiquei satisfeito com o resultado, mas mesmo assim acrescentei essas faixas como material bônus do arquivo aqui presente.

Jards também tem um histórico de trilha sonora no cinema nacional, é dele as trilhas de "Macunaíma", do diretor Joaquim Pedro De Andrade, e de "Amuleto de Ogum", de Nelson Pereira Dos Santos. Neste, Jards também atua interpretando um músico cego que é o narrador da história.

Bom, a estréia de Jards em Long-Play solo se dá em 1972 e da melhor forma possível, Jards conta com ninguém menos que Tuti Moreno na Bateria e o genial Lanny Gordin, que junto com Macalé assume o Violão além de também ser o responsável pelo Baixo.

No repertório, composições escolhidas com bastante esmero. Não, infelizmente não temos nele a gravação de "Gothan City", aliás, pelo que se sabe essa composição nunca foi gravada por Jards, gostaria de saber o motivo. Mas enfim, o LP é composto por 9 faixas, no CD temos 11 pelo fato de que 2 vinhetas contidas entre as faixas estão separadas, ou seja, o resultado final acaba dando 11 faixas.

O álbum abre com a excelente "Farinha Do Desprezo" feita em parceria com Capinam, em seguida Jards canta quase que sem querer, como se fosse um lamento, o refrão de sua genial "Vapor Barato" feita em parceria com Waly Salomão e imortalizada por Gal Costa. A próxima é "Revendo Amigos", uma das que mais gosto, também feita em parceria com Waly. Recentemente essa música ganhou uma versão que ficou fantástica.

Mais duas e fechamos o Lado A, outra jóia ímpar também feita em parceria com Waly e imortalizada por Gal aparece agora na voz do compositor: "Mal Secreto", fenomenal!!! Acho essa composição ducaraaaaleo! Jards escolhe pra fechar a elegantíssima "78 Rotações"... grave um disco devagar... devagar quase parando um long play... Com as mãos frias mas com um coração queimando... . Parceria com Capinam. Excelente!

O Lado B abre com a melancólica "Movimento Dos Barcos", seguida pela não menos melancólica e excelente "Meu Amor Me Agarra e Geme e Treme e Chora e Mata", ambas feita em parceria com Capinam. O que entra em cena agora é o resultado da doida parceria entre Macalé e Torquato Neto: "Let's Play That", desafinando o coro dos contentes! rsrs.

Além de suas composições Macal escolheu duas composições 'alheias', uma do então novato Luiz Melodia, que entraria pro cenário fonográfico nacional no mesmo ano, "Farrapo Humano", e outra de Gilberto Gil chamada "A Morte". Fechando o álbum, temos outro hit em forma de vinheta, "Hotel Das Estrelas" parceria com Duda, gravada anteriormente por Gal em seu álbum 'LE-GAL'.

Como citei no começo do texto, acrescentei mais 4 faixas ao arquivo. Essas faixas são parte integrante do primeiro compacto lançado por Jards Macalé que tem como banda de apoio o grupo SOMA que entre outros tinha como integrantes Zé Rodrix e Naná Vasconcelos. As quatro composições são: "Soluços" de Jards, "O Crime" parceria com Capinam, "Só Morto(Burning Night)" - a mais fooooda! - e "Sem Essa"(regravada em 1977 no LP Contrastes), ambas em parceria com Duda.

Apesar de todo seu histórico e composições Macalé nunca se considerou tropicalista.

É isso aí, ele não, mas a gente considera! rsrsrs.

PS* Macalé é sim considerado, junto com Mautner, Itamar Assumpção e Luís Melodia, entre outros, como um dos "Malditos Da MPB". Já que é assim chegou a hora e a vez dos Malditos no Sacundin!!! O próximo será Jorge Mautner, esse sim maldito e tropicalista! rsrsrs.


"...E tudo o mais jogo num verso, intitulado mal secreto..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Jards Macalé - 1972 - Jards Macalé


Para Assistir e Sair Sacundindo: Macalé especial Torquato Neto 1977 - Macalé no Sem Frescura (Bate Papo com Pereio, Genial!!!!)


Para Saber Mais: Bio - Jards Macalé Homepage


Postado Por Marcel Cruz