segunda-feira, 10 de junho de 2013
Os Sete Gatinhos - Nelson Rodrigues e Neville de Almeida
domingo, 11 de maio de 2008
Jean Paul Sartre - A Náusea
Foi na angústia dos meus 16 anos que me deparei com esse livro, ele apareceu por acaso, na biblioteca pública daqui, dentre milhares de livros esse pulou nas minhas mãos. Eu que nesses meus recém feitos anos não sabia nem sequer quem era Jean Paul Sartre. Não sei dizer se ele me confortou ou contribuiu pra me deixar mais atribulado ainda, rsrsrs.
Por um lado foi re-confortante saber que a situação em que me encontrava naquele momento não era um caso isolado, porém, por outro, foi um bocado duro constatar que não era coisa passageira, era "real".
Esse foi o ponta-pé inicial de uma história que dura até hoje e sabe-se lá quando vai acabar, se é que um dia irá acabar de fato. Depois desse, vieram outros e mais outros, livros que penso ter que re-lê-los, pois aquele pré-adolescente cresceu e hoje tem outra visão das coisas. Creio que a porrada foi forte demais na época ou distante demais de meu entendimento. Lembro de que quando lia "A idade Da Razão", um colega de trabalho, bem mais velho, me olhou e disse: “- Marcel, daqui a cinco anos leia de novo”. Já se passaram 10 e eu ainda não o fiz, talvez tenha chegado o momento... ou não, talvez eu ainda não esteja preparado.
Para Baixar e Sair Sacunlendo: Jean Paul Sartre - 1938 - A Náusea - Opção 2
Para Saber Mais: Bio 1 - Bio 2 - Bio 3
Postado Por Marcel Cruz
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Gabriel García Márquez - A Incrível e Triste História Da Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
José Saramago - Ensaio Sobre A Cegueira
Inaugurando a seção de fato, vou começar pelo que acabo de ler. "Ensaio Sobre a Cegueira" romance do escritor lusitano José Saramago. Fazia muito tempo que um livro não mexia tanto comigo como esse o fez, terminei hoje pela manhã, agora são 23h30 e ainda estou meio atordoado, foi um chacoalhão interno que me deixou inquieto o dia inteiro e sabe lá até quando vai durar, recomendo porém aviso: Pode ser perigoso.
É engraçado como os livros encontram a gente no momento em que tem que ser lidos, a algum tempo que estou pra ler Saramago, inclusive dei esse livro de presente de natal em 2005 pra minha mãe, sabia que era bom mas ainda não tinha lido. Não conversei com ela a respeito, mas creio que deva ter sentido algo semelhante, é difícil passar por ele e sair imune.
Aí está pra quem quiser se arriscar, apesar do safanão vale muuuito a pena.
Sinopse:
Um dia normal na cidade. Os carros parado numa esquina esperam o sinal mudar. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. Em meio às buzinas enfurecida e à gente que bate nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, formando duas palavras: Estou cego.
Assim começa o novo romance de José Saramago. A “treva branca” que acomete esse primeiro cego vai se espalhar incontrolavelmente pela cidade e, em breve, uma multidão de cegos precisará aprender a viver de novo, em quarentena. “Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são”. E, de fato, o que se verá é uma redução da humanidade às necessidades e afetos mais básicos, um progressivo obscurecimento e correspondente iluminação das qualidades e dos terrores do homem.
Impressionante, comovedor, este romance é desde já um marco na literatura em língua portuguesa. É uma visão das trevas, uma viagem ao inferno, e a história de uma resistência possível à violência de tempos escuros. “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, e essa coisa é o que somos”, diz uma personagem. Com característico controle, José Saramago – e seu alter ego furtivo, no romance – luta aqui para combater a inadequação, ou insuficiência das palavras para resgatar o afeto perdido.
Às vésperas do fim do milênio, num período onde imperam, de um lado, a velocidade, a ganância e a abstinência moral e, de outro, a profecia e um misticismo compensatórios, o escritor vem nos lembrar a “responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. É um livro, então, sobre a ética, e é um livro também sobre o amor, e sobre a solidariedade. “Parece uma parábola”, comenta alguém no romance; mas sua força, como nas melhores parábolas, vem precisamente do realismo e da descrição, no limite do inominável.
Cada leitor viverá, aqui, uma experiência imaginativa única, no esforço de recuperar a lucidez. “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.” A epígrafe resume a empreitada do escritor, como de cada leitor. Não se trata só de reparar no significado das coisas, mas também de proceder à reparação do que foi perdido, ou mutilado – “uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.
Arthur Netrovski
(Texto extraído das abas do livro)
Para Baixar e Sair Sacundindo os Olhos: José Saramago - 1995 - Ensaio Sobre a Cegueira
Para Saber Mais: José Saramago Homepage
Postado Por Marcel Cruz
Os Livros
Não sei bem ao certo quando chegaram até a mim, lembro vagamente do primeiro livro que, de fato, me caiu em mãos, era "Os Pequenos Jangadeiros" da Série Vaga-Lume. Eu devia ter uns 7 ou 8 anos, creio, e esse foi o ponta-pé inicial. Depois veio "O Caso Da Borboleta Atíria"... que universo! Um mundo pra se imaginar, um mundo de insetos, que coisa doida.
"Spharion" me deu medo pois era o sobrenatural o paranormal, o desconhecido. "Escaravelho Do Diabo", "Um Cadáver Ouve o Rádio", "A Ilha Perdida" (recordação recuperada pela Belzinha Molinari, valeu Bel! rsrs), "O Menino De Asas" que foi especial, "Tonico", "Tonico e Carniça" (na época até quis ser engraxate, como o Tonico, mas isso nunca consegui fazer... até hoje não sei porque), enfim... Têm vários da série que já não me recordo, o último foi "Cem Noites Tapuias".
Outros autores surgiram e entre eles um que virou febre e devorei toda a obra: José Mauro De Vasconcelos. O primeiro foi "Meu Pé De Laranja Lima", chorei muito no final... outros dois dele também me fizeram chorar: "Rosinha Minha Canoa" e "Rua Descalça". "As Confissões De Frei Abóbora" me chocou, pela primeira vez na vida eu lia o seguinte diálogo:
- Deus! Você é um grandessíssimo dum filho da PUTA!
Eu que vinha de uma família totalmente cristã e na época freqüentava igreja e tudo, imaginem o choque... Sentia-me mal de ler aquilo, mas tornava a ler repetidamente. Talvez eu também achasse e não admitisse, ou pode ter sido só pelo gosto de pecado que aquilo tinha pra mim, na real não sei dizer.
Mark Twin, Conan Doyle e os mistérios de Sherlock Holmes (que virou meu herói na ocasião). Hemmingway eu conheci quando assisti "Cidade Dos Anjos"... “Jardim Do Éden”... Dele ainda tenho imagens na cabeça, lembro que "Dom Quixote" não me agradou na época e até hoje ainda não reli. Gostei muito de "David Cooperfield" e "As Aventuras do Sr. Pickwick" ambos de Charles Dickens. Em 1994 lembro de ter lido "Feliz Ano Velho", do Marcelo Rubens Paiva, eu estava na 7ª série e tinha uma vergonha danada de usar um tênis Bamba (era o único que eu tinha) até ler o livro, pois o protagonista usava um e adorava, além do mais, também era azul, igual ao meu.
Na seqüência li "Black-Out", fiquei impressionado, mexeu comigo. Mal sabia que era só um início de um início. Ainda viria muita coisa que de fato me reviraria do avesso... Isso não tardou... Uma capa interessante, um cara que até então jamais tinha ouvido falar... Vou ler! Não tinha ninguém lá pra me dizer: Cuidado! Isso pode ser perigoso. "A náusea", Jean Paul Sartre e eu com 15 anos. Iniciei a ingênua leitura, um conforto a princípio (ou seria desconforto?) por saber que aquilo tudo que eu estava sentindo não era exclusivo, eu não estava sozinho nessa, também outros já sentiram e/ou sentem o mesmo. Albert Camus com "O Estrangeiro", outra porrada. Viciei. Mais Sartre, agora era "O Muro", depois "A idade Da Razão", até hoje não consegui terminar "As Palavras", talvez por me sentir próximo demais do protagonista, isso às vezes fere, o espelho nos fere vez ou outra.
Dei um tempo com tanta reviravolta interna e me reconfortei com Dalton Trevisan, "Dinorá" e outros tantos. Foi através dele, e não me perguntem como ou o porquê, que cheguei até os Beats... paixão instantânea... Buckowiski, Jack Kerouac e Fante.
Eu era uma enciclopédiazinha ambulante, rsrsrs, o bom disso tudo é que foi bem na época que trabalhei como operador de som numa rádio, e a programação era toda gravada, isso me dava tempo pra ler. Bons tempos...
Uma coisa que demorei pra ler e depois de lido me perguntei o porque de ter esperado tanto foi "Dom Casmurro". Depois vieram os livros da facul, aí você só tem tempo pra eles e nada mais, tive que acalmar meu vício e as leituras foram diminuindo, porém, graças a sabe-se lá o que, estiveram sempre presentes.
Bom... todo esse palavrório sobre tais livros é só uma introdução para a mais nova seção do Sacundinbenblog. SacundinbEnBooks, sessão literária do blog, onde, na medida do possível, postarei esses tantos livros que me transformaram , me ensinaram, foram meus companheiros por alguns dias, ou ainda o são, que serviram de mãe, pai, amigo, conselheiro, cúmplice e que fizeram eu ser o que fui, sou e o que serei. Sejam mais uma vez bem vindos ao meu mundo, só que agora é o mundo e a vez das palavras...
Marcel Cruz.

