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sexta-feira, 27 de março de 2009

Os Mutantes - Jardim Elétrico

Muito bem! 1971 é isso aí! rsrsrs. Quarto disco de carreira, retorno de uma turnê de sucesso pela França, um álbum gravado por lá (que, creio eles não sabiam, só chegaria nas mãos do público em 1999, quase 30 anos depois!). Mas nem tudo eram flores, o casal Rita /Arnaldo já não estavam lá muito bem.

Musicalmente o álbum tem tanta maturidade quanto os anteriores, temas consistentes, arranjos excelentes, ora próprios, ora com dedinhos de Duprat, com Arnolpho Lima (Liminha) e Ronaldo Paes Leme efetivados na banda de fato, o trio tornou-se oficialmente quinteto.

O repertório é genial! Onze composições dentre as quais, duas ("Top Top" e "Lady, Lady") também levam a assinatura de Liminha, Liminha, rsrsrs. O volume tem ainda uma versão em inglês feita por eles para "Baby", de Caetano Veloso. As demais são todas assinadas somente pelo trio.

O Lado A abre com a excelênte "Top Top", hit absoluto criado a partir de um jargão, marca registrada de Fradinho, personagem criado pelo cartunista Henfil e bastante famoso na época. Em seguida temos o tema "Benvinda", balada ultra-romântica nos moldes das criações de 'Tim Maia', a referência é tão latente na composição que a contra-capa do Lp traz uma curiosa observação/aviso: " *Qualquer semelhança com Tim Maia é mera coincidência", o arranjo de cordas feito por Duprat intensifica ainda mais o romantismo da canção.

"Tecnicolor", tema que vem logo depois, tem a letra em inglês que, entre outras coisas, fala de uma viagem num trem multicolorido, a melodia é genial. A próxima é a 'chicana' "El Justiciero", o clima mariachi invade nossos ouvidos e é fácil visualizar aqueles faroestes que se passam no México, a tiração de onda no início com o 'Once upon a time...' é excelente!

O álbum como um todo é cheio de baladas e a que segue é uma das melhores "It's Very Nice Pra Xuxu", só pelo nome já vale ser ouvida, sem contar que a interpretação que Arnaldo Baptista faz é ímpar. Seguindo o tom de irreverência vem o desabafo 'lava alma' de "Portugal De Navio", nome que foneticamente guarda bastante semelhança com nosso corriqueiro '...Vá pá Púuuu...rtugal de Navio...' ops! Não posso baixar o nível aqui, rsrsrs. Com essa concluímos o Lado A do bolachão.

O Lado B inicia com outra balada, "Virgínia", relacionamento ou o fim de um é a temática dessa canção, poesia pura. Seguindo temos os dois temas mais 'rock'n'roll' do álbum: "Jardim Elétrico", faixa psicodélica que dá nome ao volume e a não menos psicodélica "Saravá". Na verdade, entre elas temos, a meu ver, uma das mais geniais do grupo: "Lady, Lady", talvez a composição mais Beatles que os Mutantes já fizeram, música e letra fantásticas. Fechando o Lado B, e o álbum como um todo, temos a já citada "Baby" de Caetano Veloso que recebeu letra em inglês do trio, ficou perfeita!

A arte gráfica do álbum ficou a cargo de Alan Voss, gênio dos quadrinhos e das ilustrações. O traço inconfundível de Alan Voss e a psicodelia do enredo da capa dão o toque final pro disco transformando-o num conjunto conceitual perfeito, aparência e conteúdo caminhando no mesmo patamar. Acho que é isso...


"...Tudo lembra nossas vidas, Nossas noites de ilusão, Suas roupas estão vazias, Lady ainda estou aqui..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1971 - Jardim Elétrico


Para Saber Mais: Alan Voss - Fradim Henfil



Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado

Em 1970 Os Mutantes lançam seu terceiro Lp. Mais inventivos do que nunca, chegaram arrebentando naquele início de década. O álbum foi "batizado" com o nome de: "A divina Comédia ou Ando Meio Desligado", uma citação à obra máxima do poeta, escritor e político italiano Dante Alighieri (1265-1321).

A capa do álbum é foto de uma encenação que Rita, Arnaldo e Sérgio fizeram baseada numa gravura de um dos mais importantes ilustradores e gravuristas do mundo, o Francês Gustave Doré, contida na edição de 1861 da Divina Comédia, confeccionada às custas do próprio Doré. Os arranjos foram assinados por Rogério Duprat (pra variar um pouco, rsrsrs) e Os Mutantes.

O disco abre com a faixa título "Ando Meio Desligado", um 'tcha-tcha-tcha' envenenado pelas guitarras de Serginho Dias e órgão/piano e sintetizadores de Arnaldo Baptista, essa composição foi inscrita no IV FIC e ficou, rsrs, em décimo lugar. Seguindo temos "Quem Tem Medo De Brincar De Amor", é aí que começa o deboche escrachado, os efeitos sonoros utilizados e o sotaque gringo de Rita dão um ar de total irreverência. A terceira faixa do Lp é a música mais foda contida nesse volume e digo mais, é uma das mais genias já feitas em terra-brasilis, na minha opinião somente ela já vale o álbum todo: "Ave, Lúcifer". O arranjo sinfônico de Duprat e as engenhocas criadas por Cláudio César Dias Baptista (Citado no Texto do álbum de 1969), encaixam-se de maneira surpreendente. De cara o timbre da guitarra já é fantástico, e, aos 47 segundos após o início, a letra se refere a serpente do pecado original, o efeito sonoro criado pra tal momento me faz de fato visualizar o movimento de uma serpente, acho incrível a solução que conseguiram pra isso, muito, muito genial! Essa faixa é o elo de coerência mais forte entre arte gráfica e conteúdo musical.

O Lado A é ainda composto por mais duas composições: "Desculpe, Baby", uma espécie de bolero'n'roll meio gospel com pitadas de deboche 'mutântico' e a progressiva e 'existencialista', rsrs, "Meu Refrigerador Não Funciona", que começa num tom bastante sombrio e lá pelos 4 min e 20 seg, entra numa onda meio jazzística e baixa uma alma bebop em Arnaldo que é um sarro, mas creio que pra quem estiver se iniciando em Mutantes vai ter dificuldades pra chegar até o fim da faixa, acho que você acaba mudando antes, rsrs.

O Lado B abre com a divertida "Hey Boy", um Iê-Iê-Iê que caberia no repertório de Celly Campelo numa boa. Seguindo temos duas releituras dos Mutantes. A primeira é uma composição de Roberto e Erasmo Carlos, "Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo", a versão ficou excelente, Erasmo só iria regravá-la em 1972, a segunda, é uma composição clássica do cancioneiro popular, a autoria é assinada por Silvio Caldas e Orestes Barbosa criador de um dos versos considerados como sendo dos mais belos da música brasileira: "...Tu pisavas os astros, distraída...". Mutantes e Duprat foram simplesmente fenomenais no arranjo, fizeram da música uma verdadeira Rádio-Novela, a sonoplastia usada torna essa versão uma obra-prima e com certeza é a versão mais ousada já feita pra tal canção, e creio, imbatível. A que vem em seguida é "Jogo De Calçada", totalmente Hendrix, e o solo de Sergio Dias no finalzinho é ducaraaaaleo!

O álbum ganha um tom solene com "Haleluia", tema que incia nos moldes dos contra-pontos renascentistas, mas que logo em seguida se transforma e não difere em nada de um coral gospel do Harlen seguido de um rock'n'rollzinho pra acabar, porque, afinal de contas, ninguém é de ferro, né? rsrs. Fechando o álbum temos "Oh! Mulher Infiel!", uma composição instrumental que tem uma narrativa bem legal pois começa pesadaça com uma guita rasgadona e órgão, isso até uns 2 min e 20 seg, depois disso cai num climão bem brega com um pianão tipo Richard Claydman e com Sérgio Dias ou Arnaldo, não sei ao certo, cantando bem ao fundo, como se fosse uma espécie de conformismo adquirido com algumas doses de Whisky. O clima dura um pouco mais de um minuto pra cair novamente na mesma furia raivosa com que se iniciou fechando assim o ciclo e o disco.

Como material Bônus acrescentei um curta metragem de 7 minutos, feito por Ântonio Carlos Fontoura, bem legal e que tem como trilha sonora praticamente todas as faixas desse álbum aqui. Acho que é isso, fui!


"...Ando meio desligado, eu nem sinto os meus pés no chão..." (mó papo de chapado essa letra, rsrsrs)



Infelizmente fui notificado como infrator por postar esse link, por essa razão deixo aqui somente o texto sem o link para download, caso alguém tenha interesse na postagem completa favor entrar em contato abração!!!!

Espaço que seria para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1970 - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado


Para Saber Mais: Dante Alighieri e a Divina Comédia - Gustave Doré


Para Ver e Sacundir: Quem Tem Medo De Brincar De Amor - Preciso Urgentemente Encontrar Um Amigo - Curta-Metragem OsMutantes 1970



Postado Por Marcel Cruz

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Os Mutantes - Mutantes

É impossível abranger ou comentar qualquer coisa que seja a respeito deste álbum e não falar do 4º Mutante. Não, eu não estou me referindo ao baixista Arnolpho Lima, nem tampouco ao baterista Ronaldo Leme, mas sim ao sujeito "oculto" e de suma importância na estética sonora "mutântica" chamado Cláudio César Dias Baptista: "o construtor".

Conhecido pela sigla CCDB, Claudio e seus inúmeros projetos foram elementos chave para a construção dessa identidade sonora impar que teve Os Mutantes. Ele foi o responsável pelas engenhocas que o trio incluia em seus álbuns e apresentações, talvez a mais famosa seja a venerada "Guitarra De Ouro", empunhada por Sergio Dias ao longo da existência da banda, e, se não me engano, usada por Serginho até hoje. Fora isso, Cláudio construiu mesas de som, amplificadores, ele construiu o theremin usado pelos Mutantes na música "2001" , além de uma infinidades de efeitos do tipo usado em "Dia 36", faixa que junto com "2001" integram este álbum. Se eu fosse pontuar cada contribuição feita por CCDB para o grupo eu teria que escrever um livro! rsrsrs. Por isso fico por aqui.

Cláudio abandonou sua carreira de construtor e engenheiro migrando para uma carreira de escritor. Escreveu uma obra chamada "Géa" que é composta por 13 volumes e mais um dicionário, comercializada digitalmente. Nos link abaixo vocês encontrarão mais iformações a respeito. Além da obra "Gea", sabe-se da existência de uma biografia dos Mutantes escrita em inglês, chamada "We, Mutantes", que não foi, e pelo jeito nem será publicada. Mas agora chega de falar de CCDB e vamos ao disco.

O álbum foi lançado em Fevereiro de 1969. Três das faixas contidas no volume já eram bem conhecidas do público por intermédio dos festivais. A excelente "Dom Quixote", que abre o álbum , foi eliminada na 3ª fase do IV Festival De Musica Popular Brasileira e "2001", parceria de Rita Lee e Tom Zé , conquistou o 4º lugar no mesmo festival. A terceira que também concorreu festival foi "Caminhante Noturno", faixa que fecha o álbum e uma das obras-primas da música brasileira. Nela, Os Mutantes, se mostram realmente monstruosos, é tudo muito genial, Duprat acertou a mão no arranjo de uma maneira tão fabulosa que chega arrepiar, mas infelizmente o público não entendeu, foi demais pra eles, tanto que no finalzinho da gravação que foi lançada no álbum do festival ouve-se o público gritanto "Bicha! Bicha! Bicha!", rsrsrs, reflexo de alguma ação feita no palco. Na verdade eles se apresentaram para defender essa composição um pouco depois do episódio de "É Proibido Proibir", ou seja, o público não estava lá muito amigável, mas ainda assim a canção ficou em 6º lugar no III Festival Internacional Da Canção.

Fora isso temos ainda mais 8 porradas! "Não Vá Se Perder Por Aí", irreverência de cabo a rabo, "Dia 36", surrealismo sonoro, "Algo Mais", que foi trilha da campanha publicitária da Shell no mesmo ano, "Fuga Nº2", segundo o que li é uma espécie de continuação de uma música dos Beatles, só esqueci o nome da música, rsrsrs, "Banho De Lua", hit de Celly Campelo, "Rita Lee", um ragtime que narra anseios e desejos de Rita, "Mágica", que acaba com o riff de "I Can Get No (Satisfaction)" deixando claro o que mais os influênciava. E a oitava e última porrada é outra parceria entre Mutantes e Tom Zé, "Qualquer Bobagem", GE - NI - AL!

Como bônus acrescentei ao arquivo dois clipes, queria colocar mais, mas não cabiam. O primeiro é a série de comerciais que eles fizeram pra SHELL, são 5 se não me engano, e o segundo é o "clip" de "Fuga Nº2", que foi ao ar em 1970 na Tv Cultura.

É isso aí! Boa Diversão!!!


"...Cuidado meu amigo, Não vá se estrepar, Não queira dar o passo mais largo, Que as pernas podem dar..."



Para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1969 - Mutantes


Para Saber Mais: CCDB / Géa - Bio


Para Assistir e Sair Sacundindo: 2001 - Festival


Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ronnie Von - Ronnie Von

Pra fechar as postagens referentes ao ano de 1968, trago um nome que para muitos é um bocado inusitado, pra quem não tá botando fé vou afirmar, é ele mesmo, esse que vocês tão pensando, o "Pequeno Príncipe da Jovem Guarda: Ronnie Von".

Ronnie Von tentou se inserir no âmbito tropicalista mas depois migrou e foi parar no psicodelismo retornando pro breguismo crônico (que é o mais conhecido da sua discografia). Na verdade eu deveria ter colocado esse álbum no começo das postagens tropicalistas, já que foi lançado em 1967 e, vejam vocês, conta com arranjos de Rogério Duprat, participação dos Mutantes em 7 das faixas, Beat Boys e, de quebra, Caetano Veloso divide os vocais em "Pra Chatear". Em seus três álbuns seguintes, Ronnie Von tentou levar em frente essa estética, mas no volume de 1968, apesar de encontrarmos umas pitadas tropicalistas, Ronnie se distancia e migra de fato prum psicodelismo que estava em fase embrionária. Esses já não me agradam muito, o de 68 ainda é uma incógnita: "gósto ou desgósto?" rsrs. Uma coisa é fato, só pelos arranjos de Damiano Cozzela já vale ouví-lo.

Nesse álbum de 1967 tem coisas muito boas, a maioria versões de música gringa, uma ou outra que são temas originais, e coisas que nem Duprat conseguiu salvar. O limite pro bregão/piegas tá por um fio e em alguns momentos, como em "Vamos Falar De Você", ou ainda "Uma Duzia De Rosas" e "Jardim De Infância", arrebenta geral, não tem fio que aguente isso! rsrsrs.

De duas uma: Ou vocês irão gostar bastante e até achar graça de algumas coisas, ou vão abominar de fato, rsrsrs. É baixar pra ver!



Para Baixar e Sair Sacundindo: Ronnie Von - 1967 - Ronnie Von Nº3


Para Saber Mais: Senhor F - Outra Matéria Sobre



Postado Por Marcel Cruz

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Caetano Veloso & Os Mutantes - Sacundinbenblog Apresenta

Em Outubro de 1968, no calor do momento, onde tudo estava em estado de ebulição, Caetano Veloso e Os Mutantes (mais Gil e Gal & Cia) iniciaram uma temporada de shows na Boate Sucata,  as apresentações eram praticamente happenings, nem Deus sabia o que poderia acontecer, cada dia uma coisa nova se dava (ver texto linkado abaixo). Para nossa imensa alegria,  momentos dessas apresentações foram gravadas e lançadas num EP com quatro faixas excelentes, são elas: "Baby", que tem a participação de Gil na introdução, "Saudosismo", um puta tributo pra Bossa Nova que ganharia uma versão de Gal Costa no ano seguinte, "A Voz Do Morto", encomendada por Araci De Almeida (ver link abaixo), e, fechando o EP, a genial "Marcianita", dos italianos José Imperatore Marcone e Alvarino Villota Alderete, que pelo que pesquisei só fizeram essa música na vida, não encontrei absolutamente mais nada que leve essa assinatura, a versão em português é de Fernando Cesar.

Um pouco antes, ainda em 68 (15 de Setembro), ocorreu a polêmica apresentação de Caetano e Os Mutantes no III FIC (Festival Internacional Da Canção), em "defesa" de "É proibido proibir", que graças a Deus também foi registrado; digo Deus porque segundo palavras proferidas por Caetano no festival:  "Deus Está Solto!!!", então creio que foi graças a ele mesmo, rsrsrs. O compacto lançado pela Philips tinha de uma lado a versão em estúdio de "É Proibido Proibir" e do outro a gravação ao vivo que levou o nome de "Ambiente De Festival". Como eu gostaria de ter vivenciado aquele momento! Tanta loucura junta e eu só fui nascer 13 anos depois! 

Aproveitando que ia ser uma compilação só de Caetano e Os Mutantes acrescentei ao volume a faixa "Eles", que faz parte do segundo Lp de Caetano (postado ali em baixo) e tem a participação trio.

Acho que é isso. Ah! A capa é mais um "empreendimento" da M&M Design Gráfico, que modéstia a parte ficou muito foda! rsrsrs. Espero que gostem...


"...mas o tiro saiu pela culatra, porque a beleza desta música é a face visível da lua, o mistério das mascaras de chumbo, há muita criptonita no ar, verde e vermelha também... mas Deus está solto!!!..."

   




Postado Por Marcel Cruz

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Os Mutantes - Os Mutantes

Depois de um longo e tenebroso inverno, eis-me aqui novamente. Mais uma vez peço desculpas pela minha ausência, mas como vocês notaram foi por motivo de força maior, tenho que dar conta somente de uma final pra semana que vem e to safo! rsrs.

Dando continuidade a saga tropicalista do Sacundinbenblog, trago o álbum de estréia de um dos grupos/bandas mais criativos e geniais já formados por aqui. Os Mutantes foram descobertos pelo mestre maior Rogério Duprat que foi o responsável pela inserção do grupo na turma tropicalista. Gilberto Gil simpatizou logo de cara e sem titubear resolveu convidá-los como banda de apoio em seu segundo álbum (postagem anterior), depois veio Caetano, Ronnie Von e mais uma galera querendo uma palhinha deles em seus álbuns.

A primeira vez que ouvi Mutantes, confesso que me causou estranhamento, não foi esse álbum aqui, porém, passada primeira impressão virou febre, é claro que nem toda a obra que leva a assinatura "Mutantes" me agrada, somente os 5 primeiros álbuns me apetecem, os demais não conseguiram me chapar, tenho eles por... sei lá porque os tenho rsrsrs.

Nesse primeiro volume temos um rosário de jóias musicais (que terminho brega que arranjei, não? rsrs), são 11 faixas das quais 5 levam a assinatura dos Mutantes, as demais são releituras, excelentes diga-se de passagem.

Vamos ao conteúdo então:

O Lado A do disco abre com a excelente "Panis Et Circences", música de Caetano e Gil, que aqui ganha uma introdução com a vinheta de abertura do Reporter Esso:"Testemunha Ocular Da História", importante jornal radiofônico que durou 27 anos e encerrou suas transmissões exatamente em 1968. Em seguida temos "A Minha Menina", composição de Jorge Ben que, com seu violão inconfundível, participou da gravação, essa faixa teve o início sampleado por Chico Science que a utilizou na introdução de "Macô", faixa do visceral "Afrociberdelia". A primeira canção que aparece assinada por eles é a singela "O Relógio", depois temos uma releitura de "Adeus Maria Fulô", composição dos nordestinos Sivuca e Humberto Teixeira, importante parceiro de Luiz Gonzaga. Pra fechar o Lado A temos mais duas composições, a conhecida "Baby", de Caetano Veloso e a engraçadíssima e genial "Senhor F", uma das que mais gosto.

Abrindo o Lado B, temos a regravação de "BatMacumba", de Gil e Caetano, seguindo mais uma releitura: "Le Premier Bonheur Du Jour", dos franceses Jean Renard e Frank Gerald, gravada originalmente em 1963 pela cantora Françoise Hardy acompanhada por Marcel Hendrix Et Son Oschestre. Na sequência a única parceria de Caetano com Os Mutantes: "Trem Fantasma", muuuito foda. Fechando o volume temos "Tempo No Tempo", versão dos Mutantes para "Once Was A Time I Thought", de J.Philips um do mentores do "Mamas & The Papas" e a instrumental/experimental "Ave Gengis Khan".
Bônus! Eeeeeba!!! rsrs É claro que não poderiam faltar. Acrescentei ao arquivo como faixa bônus duas faixas "pré-mutânticas", são faixas gravadas em 1966 pelo grupo "O'Seis", primeiro registro fonográfico em que se tem notícia do trio, são elas: "O Suicida", que a melodia lembra um pouco o "É proibido Fumar" de Roberto e Erasmo Carlos, nessa rola uma citaçãozinha da marcha fúnebre de Frédéric Chopin que da um sabor a mais na comicidade da letra e "Apocalipse", uma baladinha nos moldes de Celly Campelo, que divaga sobre o fim do mundo, engraçadinha, rsrs.

Acho que é isso...
"... Dê um chute no patrão..."

Para Baixar e Sair Sacundindo: Os Mutantes - 1968 - Os Mutantes


Para Saber Mais: Bio Mutantes - Homepage 1 - Homepage 2



Postado Por Marcel Cruz

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Gilberto Gil & Os Mutantes - Gilberto Gil

Lançado em Maio de 1968 essa é uma das obras mais geniais já concebida na extensa carreira de Gil, todo arranjado pelo mago Rogério Duprat, e ainda de quebra temos a participação dos Mutantes em todas as faixas. O que me dizem disso? rsrs.

Tanto na parte gráfica, quanto no conteúdo musical, notam-se os ecos de 'Sgt. Pepers'. Gil foi o que mais sofreu influência do quarteto britânico, fato bem fácil de notar na sua obra, principalmente nesse álbum. O álbum em si é composto por 10 faixas únicas e cheias de peculiaridades.

O volume abre com "Frevo Rasgado", parceria de Gil e Bruno Ferreira, seguida da excelente "Coragem Pra Suportar" e "Domingou", essa em parceria com Torquato Neto, é sem dúvida a mais "Beatle" do álbum, os vocais e o clima da canção são totalmente Beatles. Pra completar o Lado A do Lp temos mais duas composições excelentes: "Marginália II", mais uma parceria de Gil com Torquato Neto, que parodia Gonçalves Dias e sua Canção do Exílio, o arranjo de metais é fuderosíssimo, Duprat em altíssima forma. Fechando o Lado A temos o iê-iê-iê "Pega a Voga Cabeludo", que em certa altura parodia o tema "Pobre Menina" da Jovem Guarda, tema que já era uma paródia/versão composta e gravada por Leno & Lilian.

O Lado B abre com a incrível "Ele Falava Nisso Todo Dia", o arranjo de cordas lembra um pouco 'Eleanor Rigby', outro destaque nessa música, além da letra é claro, é a viola que acompanha o tema do início ao fim. Não sei se quem toca é Gil ou Sergio Dias, mas seja quem for detonou! Em seguida, temos uma versão pra lá de rockn'roll de "Procissão", que Gil já havia gravado em seu álbum de estréia.

Como a sobremesa sempre vem no finalzinho, Gil fez conforme manda a tradição. As três últimas estão no rol das composições mais bem elaboradas e concebidas da música brasileira: "Luzia Luluza" é... Não consigo encontrar uma classificação condizente, beleza plena, sinceramente não sei o que dizer, pois é muito, mas muito fooooda é a que mais me pega nesse disco, depois temos "Pé Da Roseira" que tem um arranjo bem econômico mas na medida exata, a batera, o baixo, a guita e o violão em ostinato são espetaculares. Fechando o volume temos "Domingo No Parque", foooooooooooooooda!!!

Os Bônus, vamos lá:

Além das oficias temos mais quatro faixas das quais três foram lançadas em compacto e a quarta nunca tinha saído em lugar algum. São elas: "Barca Grande", lançada em Março de 68 como lado B do compacto de "Pega a Voga Cabeludo", depois temos "A Coisa Mais Linda Que Existe", parceria com Torquato Neto - essa era pra fazer parte do álbum, "Tropicália ou Panis Et Circencis" ficou de fora para Nara Leão poder entrar com "Lindonéia", mas foi gravada no ano seguinte por Gal Costa em seu álbum de estréia.

As duas últimas que temos saíram num compacto em outubro de 68: Lado A, "Questão De ordem", que concorreu a eliminatória paulista do FIC (Festival Internacional da Canção) daquele ano, foi desclassificada, quem acompanha Gil na gravação dessa são os Beats Boys. No Lado B temos a divertida: "A Luta Contra a Lata ou A Falencia Do Café", com os Mutantes e um Chacrinha interpretado pelo próprio Gil no começo. Ela acabou ficando prejudicada no mercado pelo insucesso do Lado A.

É isso aí!!!

"...Minha terra tem palmeiras / Onde sopra o vento forte / Da fome, do medo e muito / Principalmente da morte / Olelê, lalá..."


Ah! Tava esquecendo, a capa é assinada por Rogério Duarte.




Para Baixar e Sair Sacundindo: Gilberto Gil & Os Mutantes - 1968 - Gilberto Gil


Para Saber Mais: Gilberto Gil Bio Homepage


Para Assistir Sacundindo: Domingo No Parque



Postado Por Marcel Cruz

domingo, 19 de outubro de 2008

Rogério Duprat - A Banda Tropicalista Do Duprat

Da mesma forma que é impossível pensar a Bossa Nova sem Tom Jobim, é impossível pensarmos o Tropicalismo sem Rogério Duprat. Sem ele o movimento tropicalista definitivamente não seria o mesmo, não sei nem se seria! rsrsrs. Rogério Duprat foi o arranjador que determinou a estética musical tropicalista.

Duprat foi responsável pelos arranjos de praticamente todos os álbuns que fizeram parte do movimento, poucos os que não tiveram sua contribuição, o primeiro do Caetano e os dois primeiros de Tom Zé estão entre eles.

Lançado em Março de 1968 "A Banda Tropicalista Do Duprat" é o primeiro álbum exclusivamente dele, que até então tinha somente arranjado álbuns alheios, o tom criativamente debochado que o volume contém, basta ouvir "Chega De Saudade" pra entender o que digo, faz o disco ser único, outra coisa que faz o álbum ficar melhor ainda é a participação dos Mutantes em 4 das 12 faixas que o compõem.

Cada canção uma surpresa, uma história recontada de forma muito peculiar, basta ouvir uma única vez e sabe-se quem está contando, facil de dizer com firmeza: "- Isso é Duprat!".

O repertório faz um apanhado geral das influências que dariam as caras no tropicalismo de Beatles a Lamartine Babo passando por Tom Jobim e Hendrix, é mole?

Engraçado que esses dias li uma crítica falando que esse álbum apesar do nome era o menos tropicalista e que não tinha nada a ver com a tropicália, o cara que escreveu isso não entendeu absolutamente nada, rsrsrsrs. Acontece nas melhores famílias... Fui!!!


Para Baixar e Sair Sacundindo: Rogério Duprat - 1968 - A Banda Tropicalista Do Duprat


Para Saber Mais: Biografia - Entrevista


Postado Por Marcel Cruz

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Gil, Gal, Caetano, Nara & Os Mutantes - Tropicália ou Panis Et Circencis

"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia, resplendente, cadente, fagueira, no calor girassol com alegria, na geléia geral brasileira que o jornal do Brasil anuncia..."

1968... No ano que não terminou, um movimento se anuncia e chega com tudo, quebrando paradigmas, criando comportamentos, chocando o conservadorismo vigente e deixando fortes marcas na história musical brasileira, um concentrado de tudo o que havia em medidas esteticamente proporcionais e de admirável beleza.

A bossa nova, o brega, o trágico com um que de comicidade de Vicente Celestino, o rock'n'roll, as guitarras elétricas, o samba, os Beatles, Hendrix, a antropofagia, o cinema marginal de Sganzerla, o cinema novo de Glauber, o concretismo, Mautner, Hélio Oiticica, a pop art e mais inúmeras atitudes revolucionárias, são alguns dos ingredientes que fizeram engrossar essa geléia que teve em Gil, Caetano e Rogério Duprat a sua maior representação. Muitos outros também fizeram parte, mas musicalmente falando o núcleo principal é esse aí.

É o movimento que mais me pega, sou fã de bossa nova, mas a Tropicália me tira realmente do chão, foi paixão instantânea iniciada por uma fagulha incendiária contida nos últimos festivais da década de 60. Queimadura de 10º grau!!! Não larguei mais, os caminhos que se abriram dali pra diante só fizeram com que eu mergulhasse cada vez mais nos domínios tropicalistas.

Vou iniciar as postagens e pretendo fazê-las partindo de 1968 e indo até 1972/1974, vai ser por ano e não por artista.

O dossiê fonográfico tropicalista não poderia começar com outro álbum que não fosse esse: "Tropicália ou Panis et Circencis", lançado em agosto de 1968, é o disco manifesto, nele temos a síntese do que é o movimento tanto musicalmente quanto esteticamente. Cada faixa, uma faceta revelada, uma identidade, um conjunto de extrema coerência, no link abaixo (Dossiê Tropicalista) encontrei textos extraordinários que esmiúçam o assunto e nos dão um panorama excelente do "episódio". Para quem quiser saber mais é indispensável passar por ali, mas faça com tempo porque um link leva a outro e quando você se dá conta já passou mais de hora, (digo por experiência própria, acaba de acontecer comigo, rsrsrsrs). Mas dêem uma lida pelo menos nesse daqui, que passa um pente fino no disco, fantárdigo! rsrs.

Acho que por hora é isso.

"...Êêê bumba iê iê booooi, ano que vem mês que foi, ê bumba iê iê iêêê, é a mesma dança meu booooi..."